Após o lançamento dos singles “Sabiá Sabiá”, num feat. com Tiê e “Quebra-Mundo”, composta em parceria com Luiza Brina, Siso se aproxima de seu novo disco de estúdio com a faixa “O Tombo”, de pegada indie-pop e marcada por órgão, bateria e corais, e um videoclipe dirigido por Tatyana Schardong:
Este é o último single liberado por Siso antes do lançamento completo do álbum Ferro e Fogo, que sairá por completo dia 4 de março, com nove canções autorais de Siso, incluindo estes três singles já trabalhados. A resiliência é o tema principal “d’O Tombo”, dialogando não apenas como um sentimento intrínseco à vida de quem se dispõe a fazer arte de modo independente, mas, neste caso específico, ao legado deixado por Evaristo, avô de Siso.
Siso
“A principal inspiração da letra é uma história real, porém de tom quase mitológico dentro da minha família, que é do meu avô Evaristo. Quando jovem, no interior da Paraíba, ele levou um tombo no meio da mata e perdeu a memória por sete anos”, comenta Siso, que pôde conviver com o avô por poucos anos – ele faleceu na década de 90.
O mais curioso dessa história é que Evaristo levou outro tombo acidental após os sete anos em que ficou desmemoriado e, depois disso, recobrou a memória que havia perdido na primeira queda. “Ele dizia se surpreender ao encarar todo mundo mais velho pela ‘primeira vez’”, recorda Siso. “Essa é a história principal, mas não é a única história familiar nas entrelinhas de ‘O Tombo’, já que muitas histórias de tombos e erguimentos – tanto no sentido literal quanto figurativo, e tanto no sentido trágico, quanto mágico – me acompanham ao longo dos anos. Essas histórias têm certo papel nesse tom de resiliência presente nas minhas canções”, completa o compositor.
Sobre a tradução visual de “O Tombo”, Siso explica que a ideia principal do videoclipe era produzir uma caminhada peregrina nesta ação, “carregando um cesto de maçãs, simbolizando tanto o peso do conhecimento quanto o dos ‘pecados’ herdados dos antepassados”, ele aponta. “O Rio de Janeiro em si tem uma relação com essas histórias, pois boa parte da minha família migrou da região Nordeste para lá. E chegar até uma igreja ao fim dessa caminhada simbolizaria uma espécie de redenção nesse arco narrativo”, reflete Siso.
Porém, no dia da gravação, ao chegarem na Igreja da Glória, Siso e equipe se depararam com a igreja fechada e isso gerou outro signo para a ação do clipe. “É como se fosse a caminhada na busca pela redenção para então se deparar com uma porta fechada. No improviso, decidimos incluir a ação de comer as maçãs (como uma forma de integrar esse conhecimento ou essa sombra ancestral), de derrubar as maçãs (como um gesto de revolta e negação) e então recolhê-las de volta (como acolhimento e integração de tudo)”, conclui o artista mineiro.
Tatyana Schardong, diretora do clipe, pontua que a intenção do clipe era realmente mostrar uma peregrinação de Siso, num diálogo direto com a letra da música. “A música fala sobre história, geração, religiosidade, e como isso tudo se mistura. Então a intenção foi gravar planos que mostrassem que era uma peregrinação até a igreja. Cansaço. Pausa, perseverança e força”, cita a diretora.
Por isso, as cenas em que Siso rasteja, senta, se levanta e seca o suor são “planos de baixo pra cima pra mostrar a grandiosidade dele. E de cima pra baixo quando ele chega na igreja e mostrar a grandiosidade do lugar”, continua Tatyana. “Conectamos a letra da música com o ritmo, com a caminhada, com a mordida na maçã. É como se Siso carregasse esses pecados e desse de cara na porta da igreja. Depois de comer o fruto proibido que ele suou tanto para levar até o altar e não conseguir, fica revoltado com esse momento de negação, mas se arrepende. Então cata novamente os pecados que ele vai continuar levando com ele”, conclui a diretora.
Último passo dado por Siso em direção à divulgação completa de Ferro e Fogo, seu novo disco de estúdio, “O Tombo” conclui uma temporada de singles lançados por ele que funcionou como um período de retomada entre Siso e os fãs.
“Sinto que esse trabalho vem apresentando minha música principalmente para um novo público, diferente, mais acostumado à música brasileira do que, necessariamente, a uma linguagem pop ou alternativa”, pondera Siso. “Ao mesmo tempo, ter apresentado primeiro toda a leveza de ‘Sabiá Sabiá’ com a Tiê e, depois, todo o polirritmo de ‘Quebra-Mundo’, deixou uma interrogação na cabeça das pessoas. De certa maneira, ‘O Tombo’ é um pouco do meio do caminho entre elas, e acredito que as três juntas contextualizam melhor o que esperar do álbum”, antecipa o artista.

















