Em grito pela liberdade dos corpos femininos, Mulamba lança videoclipe de “Carne de Rã”

Há um ano “Ventre Laico Mente Livre” foi lançado. O projeto musical em formato de EP mergulhou no debate os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres em cinco faixas interpretadas por artistas diferentes. Foi assim que surgiu “Carne de Rã” da Mulamba que ganhou clipe no Dia de Luta Pela Discriminalização do Aborto.

O sexteto – composto por Amanda Pacífico (voz), Cacau de Sá (voz), Caro Pisco (bateria), Érica Silva (baixo, guitarra e violão), Fer Koppe (violoncelo) e Naíra Debértolis (guitarra, baixo e violão) – afinca potência sonora e ecoa os gritos silenciados sob o olhar feminino nos seus trabalhos. “Carne de Rã”, música com participação de Ekena, ganha um registro audiovisual a altura da intensidade e força da banda em um apelo pelo ventre livre.

“Eu nunca abortei, mas já ajudei em vários processos de aborto, isso dentro da minha arrogância, me trouxe a permissão de cantar sobre o aborto”, conta Cacau. “Eu sabia o quanto o meu apoio era importante pra elas e sem questionar ajudava. Ajudarei sempre a acabar com algo que não queiram. Nunca, em nenhum momento, me senti culpada de alguma forma. O abraço do depois cheio de novas possibilidades me blindava de qualquer peso social”, completa.

No videoclipe dirigido por Helena Freitas, a dor e o peso que a sociedade exerce sobre os corpos femininos ganha uma narrativa poética através das interpretações de Lourdes Miranda, Lia Petrelli e Terená Kanouté. “A arte é uma forma de sensibilizar as pessoas pra temas que estão presentes no nosso cotidiano, mas que a hipocrisia coletiva faz a gente fingir não ver”, conta Terená.

Para Helena, é revoltante o país tratar como crime um caso de saúde pública: “A narrativa semiótica do clipe Carne de Rã é sobre isso: a culpa e a invisibilidade sofrida pela mulher, controlada pelas mãos sufocantes do patriarcado”.

Dedicadas a não aceitar o silenciamento, Mulamba segue cantando as dores.

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