Entrelinhas apresenta ttoró em uma experiência audiovisual inspirada no teatro experimental, explorando migração, vulnerabilidade, identidade e a sensação de existir entre lugares físicos e afetivos
“Entrelinhas” é o novo clipe de ttoró, codinome musical de Bruna Valenttini, jornalista, atriz, radialista e produtora cultural gaúcha. A canção é a segunda do repertório de “ISCA”, EP de estreia de ttoró, lançado em julho de 2026, com produção musical de Diogo Brochmann (@beatlimite) (DINGO/Estúdio Pimenta Caseira Produções – Porto Alegre/RS).
Entrelinhas
“Entrelinhas” foi filmado em 2025, na cidade de Barcelona (Espanha), no Laboratório Escuela (LABO). Trata-se de uma escola de teatro experimental que Bruna frequentou entre 2019 e 2025. O clipe foi uma ideia dela junto a Ilusion Maya (UY), responsável pela câmera e montagem do vídeo e também pela direção de outro clipe de ttoró, “Medusas”. Além dos dois clipes dirigidos por Maya, ttoró também lançou o clipe de “ISCA”, música dela com Duda Brack – que também participa do clipe – e direção de Rafa Rocha.
O conceito do clipe de “Entrelinhas” explora as nuances sentimentais de três personagens em cena: Rita Lee (interpretada pela própria Bruna), Jean Genet (interpretado por Fabricio Moreno, uruguaio) e Arthur Cravan (Simone Di Razza, italiano). Colegas de turma no LABO, no vídeo os três atores brincam e existem entre si, com seus personagens e vontades, num dia sem roteiros ou ensaios. “Fizemos o ritual de um dia normal de aula e ensaio. A gente pediu a escola emprestada por um dia inteiro pra viver isso de novo. E deixamos a Maya captar livremente com a câmera, pra depois entender como montar”, comenta ttoró.
A edição de “Entrelinhas” se deu com uma metodologia idêntica ao processo do teatro experimental: fazendo e experimentando. Montado com a música tocando ao fundo, em loop, ttoró e Maya foram descobrindo o caminho, “os acidentes poéticos, os sinais do universo e o transe de se deixar levar pelo processo energético e criativo sem julgar, confiando totalmente que ia chegar aonde devia”, revela a cantora.
Medusas
Com tudo organizado na linha do tempo, a diretora Ilusion Maya seguiu sozinha, apurando detalhes, sentidos e subtextos dessa história que, segundo ttoró, “acontece (e aconteceu) em várias dimensões ao mesmo tempo. Maya não esqueceu que eu queria muito falar nesse EP sobre os 7 anos de experimentação em Barcelona e arrematou o tempo do clipe com 7 minutos. Maya é mágica”, reflete ttoró.
A criação dos movimentos, totalmente livre, quebra as bordas de um clipe formatado. Permite que a essência do teatro experimental conduza toda a movimentação da filmagem. Para ttoró e Ilusion Maya, isso fez todo sentido com a letra da canção em si, uma vez que a eu-lírica é uma pessoa que está se perdendo para se encontrar. “De muitas formas, representa a única constante de migrar: estar sempre entre em dois lugares e, no espaço, a tentativa de se equilibrar”, explica ttoró.
A artista fez de seu EP e sobretudo, de “Entrelinhas”, um mantra. Uma canção para se guiar, ainda que não se saiba muito bem onde se quer chegar. ttoró foi buscar a “não domesticação do sentir, da mulher que se deixa ver na vulnerabilidade: peles, máscaras, pessoas, desamores”, ela completa. “Pelo contrário, passa por tudo, morde as iscas, se deixa arrastar, se desfragmenta, desperta, se costura com a mesma linha desse anzol, sai marcada mas inteira, com tudo que aprendeu”.
Isca
ttoró é o alter ego de Bruna Valenttini, jornalista, atriz e diretora do festival De Camiño (RS). Após anos conectando artistas em Barcelona, sua formação em teatro experimental abriu caminho para o EP ‘ISCA’ (2026). Com 6 faixas que narram 7 anos de transição (2018-2025), a obra reflete vivências também em 3 videoclipes de abordagem teatral. O disco culmina na parceria musical e visual com Duda Brack, transformando dores coletivas em encontros que lambem feridas do patriarcado. ISCA é vulnerável, estranho e azul, um fechamento de ciclo, a festa de uma artista.















