O Memorial dos Povos Indígenas (MPI) recebe uma intensa programação a partir desta quinta-feira (25). As atividades, gratuitas e realizadas no âmbito do projeto Culturas Vivas, começam com a exposição Respeito ou Repetição – A história que não se quer reviver, com curadoria de Marcelo Zelic, pesquisador e coordenador do Armazém da Memória.

O acervo reunido por Marcelo Zelic traz informações do Relatório Figueiredo, de 1967, e de relatos obtidos pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), que revelam atrocidades cometidas contra populações indígenas no Século XX.

A abertura da exposição no MPI está marcada para às 18h e será acompanhada de debate com a participação da liderança indígena Sônia Guajajara, coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), do subprocurador-geral da República, Antônio Carlos Bigonha, de Guta Assirati e Jaime Siqueira, do Centro de Trabalho Indigenista, e de Marcelo Zelic.

Logo após o debate, às 20h, será exibido o filme-manifesto “Gigantes Pela Própria Natureza”, seguido do show do rapper futurista O Novíssimo Edgar, que assina a trilha-sonora da produção.

O filme traz a voz das mulheres indígenas do Xingu e de suas ancestrais. O objetivo da produção, idealizada por Carol Gavazzi e por Watatakalu Yawalapiti, é conscientizar o mundo sobre as políticas que colocam risco a vida dos povos originários.

A exposição Respeito ou Repetição fica em cartaz no Memorial dos Povos Indígenas até o dia 12 de maio, acompanhada de uma mostra de filmes durante o mesmo período.

Tecendo História

Na parte literária, a programação do Memorial no Abril Indígena tem a apresentação do livro infantil “O Sopro da Vida”, de Kamuu Dan Wapichana, que vai conduzir oficinas de contação de histórias no dia 30 de abril (terça-feira), às 8h, seguida de uma mostra de filmes indígenas para crianças.

“Os Povos Indígenas vivem um período de violências e seus direitos estão ameaçados de retrocessos gravíssimos. Por isso, nossa programação procura dar visibilidade a todo esse cenário. É um convite para que o público conheça a situação dos Povos Indígenas e se some à sua luta”, ressalta Guta Assirati, coordenadora do projeto Culturas Vivas pelo Centro de Trabalho Indigenista (CTI).

O projeto, que é uma ação do CTI em parceria com a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, também promove este mês o primeiro ciclo de oficinas do Programa Tecendo História. O objetivo da atividade é fortalecer o ensino e aprendizado sobre a história e memória dos povos indígenas no Brasil, capacitando professores e estudantes para atuação como agentes multiplicadores.

Entre os temas abordados estão noções básicas de Etnologia, perspectivas decoloniais da história indígena no Brasil, resistência, luta e políticas indígenas e indigenistas e ações educacionais e colaborativas em museus etnográficos.

O programa Tecendo História é fruto de uma cooperação entre o Centro de Trabalho Indigenista, o Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional e a Associação de Acadêmicos Indígenas da UnB.

PROGRAMAÇÃO

– Exposição Respeito ou Repetição – A história que não ser que reviver.

Abertura 25/04, às 18h, com mesa de debates

Participação: Sônia Guajajara, coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), do subprocurador-geral da República, Antônio Carlos Bigonha, de Guta Assirati e Jaime Siqueira, do Centro de Trabalho Indigenista, e de Marcelo Zelic.

– Mostra de Filmes – Exposição Respeito ou Repetição

26/04 a 12/05, partir das 19h (programação em anexo)

25/04, às 20h

Exibição do filme “Gigantes pela própria natureza”
Idealizadores: Carol Gavazzi e Watatakalu Yawalapiti /
Diretores: Rogo de Castro e João Unzer)
Show de “O Novíssimo Edgar” após a projeção do filme.

– Contação de história e lançamento do livro infantil “O sopro da vida”, de Kamuu Dan Wapichana

30/04, das 8h às 9h.

– Mostra de filmes indígenas para crianças

30/04 – 09h00 às 12h00.

– Ciclo de Oficinas Programa Tecendo Histórias

Voltada a estudantes acadêmicos indígenas e não indígenas, professores indígenas e professores da rede pública de ensino. É gratuita e oferece certificação aos participantes. O formulário para inscrição pode ser preenchido e enviado em: http://bit.ly/TecendoHistorias

25 de abril de 2019

Das 14h às 17h. Início da oficina – tema: políticas indígenas.

27 de abril de 2019

Das 14h às 17h

Palestras

1. Noções de etnologia e perspectivas descoloniais da História Indígena no Brasil.

Palestrante: Rosilene Tuxá – Doutoranda em Antropologia Social, Departamento de Antropologia DAN-UNB

2. Memória e narrativas indígenas. Diversidade e resistência cultural no presente.

Palestrante: Armando Quéchua – Associação de Acadêmicos Indígenas da UnB (AAIUnB)

3. Memória como ferramenta de luta

Palestrante: Elaine Moreira – Observatório dos Direitos e Políticas Indígenas (OBIND)

18h: Exibição de filmes:

– Das crianças Ikpeng para o mundo

Nada melhor do que conhecer uma aldeia Ikpeng tendo por guias as próprias crianças indígenas. Nesta história seremos apresentados a Yampï, Yuwipó, Kamatxi e Eruwó, que nos convidam a visitar a casa do cacique, tomar banho de rio e comer frutas no pé. Entendemos as tarefas dos homens e das mulheres – e como os meninos e as meninas também colaboram com os afazeres do dia a dia, sem deixar, é claro, de se divertir com os brinquedos que eles mesmos constroem. O filme faz parte da coleção Um Dia na Aldeia, projeto desenvolvido pelo Vídeo nas Aldeias em parceria com a editora Cosac Naify. Direção do filme: Natuyu Yuwipó Txicão, Karané Ikpeng e Kumaré Ikpeng Adaptação e ilustração do livro: Rita Carelli Coordenação da coleção e de dublagem: Rita Carelli Direção Executiva: Vincent Carelli Produção Executiva: Olivia Sabino

– Índio Cidadão? DF, 2014, 52′ Rodrigo Arajeju

O recorte contemporâneo da luta do movimento indígena documenta a incidência política da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) no Congresso Nacional em 2013, pela manutenção dos direitos constitucionais conquistados diante da investida anti-indígena da Bancada Ruralista – representada naquele momento pela PEC nº 215/2000. A histórica ocupação do Plenário da Câmara dos Deputados no Abril Indígena 2013 foi montada com as incríveis imagens cedidas pelo parceiro Kamikia Kisedje e arquivos da TV Câmara. O enredo se desenvolve com a documentação da participação de representantes da APIB em grupo de trabalho conjunto com deputadas(os), em registros de falas públicas e entrevistas de Aurivan “Neguinho” Truká, Dinamam Tuxá, Ninawa Huni Kuin, Paulo Tupiniquim, Sonia Guajajara, entre outros, como reflexo do protagonismo coletivo de lideranças do movimento indígena.

4 de maio
9h às 12h

Palestras

Mediação e ações educativas em museus e a formação de museus etnográficos

Palestrante: Ingrid Orlandi – Museóloga Consultora do Projeto Culturas Vivas CTI-MPI

· Ações educativas no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Processos colaborativos em mostras e museus indígenas

Palestrante: Carla Gibertoni Carneiro – Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP)

· Museu e Memorial. Particularidades do ponto de vista de um indígena

Palestrante: Mirim Ju Yan Guarani – Associação de Acadêmicos Indígenas da UnB (AAIUnB)

14h às 17h. Oficina voltada para a inserção da temática indígena na sala de aula

1 de maio
9h às 12h Palestras

· O Projeto Culturas Vivas, ação indigenista e Memorial dos Povos Indígenas

Palestrante: Guta Assirati – Coordenadora de Projetos Centro de Trabalho Indigenista – CTI

· Patrimônio Material e Imaterial no Brasil e noções sobre Educação Patrimonial

Palestrante: Paulo Moura Peters – Coordenação de Educação Patrimonial IPHAN-DF

· Ações e educação indígena no museu. Um exemplo do Museu do Índio

Palestrante: Josimo Constant – Pesquisador colaborador no Museu do Índio, doutorando em Antropologia Social no Museu Nacional/UFRJ

14h às 17h – Roda de conversa e encerramento.

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