Selo Sesc lança primeiro single do novo álbum autoral do filósofo e músico Vladimir Safatle, que articula música e poesia

“O amor vai desterrar nossos corpos” com Safatle (piano), Caroline De Comi (soprano) e Renan Vitoriano (violino) é uma composição do pianista sobre poema de Paul Celan e pode ser conferida nas plataformas digitais a partir de 22 de janeiro, incluindo no Sesc Digital; E até 19/3 serão lançadas mais quatro peças de “Tempo Tátil” (2021), o segundo trabalho fonográfico do autor especializado em filosofia da música.

Entre as especialidades do filósofo Vladimir Safatle, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), que também é músico, compositor e pianista, está o trabalho de pensar os desafios da composição atual através de estratégias de emancipar o tempo, ou seja, liberar o tempo musical de seus desdobramentos no interior de um campo sem estruturas predefinidas.

Como se tratasse de ser capaz de viver em um espaço no qual não se conta nem se mede. Espaço no qual podemos sentir o desfibramento material do tempo. É pensando em problemas dessa natureza que Safatle abre o ano de 2021 lançando o seu segundo disco de composições, “Tempo Tátil” (Selo Sesc) depois de ter lançado “Musica de superfície” (Tratore, 2019).

São músicas instrumentais próprias sob estruturas variadas, com piano, voz, instrumentos de cordas, sopro e percussão, interligadas com trechos de obras conhecidas, com o uso de textos autorais e fragmentos de poemas de autores consagrados, como do poeta, tradutor e ensaísta Paul Celan (1920-70), romeno radicado na França, do escritor, romancista e roteirista norte americano Scott Fitzgerald (1896-1940) e do poeta francês Paul Eluard (1895-1952).

E o lançamento do disco de “expressões estranhas à gramática de afetos que colonizam nossas formas de experiência”, como destaca Safatle, será desfragmentado por faixas, a começar pela peça “O amor vai desterrar nossos corpos”, disponível nos principais serviços de streaming na internet a partir do dia 22 de janeiro. O Sesc Digital também oferece o conteúdo de forma gratuita e sem necessidade de cadastro. Ouça aqui .

Sobre a obra composta pelo pianista em cima do poema “Er war Erde in Ihnem” (Havia terra neles), de Paul Celan e traduzido pelo próprio músico e filósofo, Safatle lembra desse comentário de Celan: “Mas ao mesmo tempo são também, em tantos outros caminhos, caminhos nos quais a língua se torna sonora, são encontros, encontros de uma voz com um Tu perceptível, caminhos de criaturas, esboços de existência talvez, um antecipar-se para si mesmo, à procura de si mesmo … Uma espécie de volta à casa” (Celan, Paul; Meridiano) .

Em “O amor vai desterrar nossos corpos”, Vladimir Safatle (piano) tem a companhia da soprano Caroline De Comi, uma das mais versáteis cantoras líricas brasileiras da nova geração com atuação no repertório operístico como na música de câmara e contemporânea, e do violinista Renan Vitoriano, atual spalla da GRU Sinfônica, corpo artístico ligado ao projeto Música nas Escolas da cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

A obra, assim como as outras a serem disponibilizadas, é acompanhada por um vídeo produzido pela artista Dora Longo Bahia especialmente para esse trabalho. O audiovisual pode ser conferido no canal do Selo Sesc no YouTube (@selosesc) e também na plataforma Sesc Digital. A cada quinze dias, a partir de 22 deste mês, uma nova peça de Tempo Tátil será lançada junto a um vídeo. Sempre às sextas-feiras, até 19 de março. Inicialmente, ao todo serão cinco singles.

Sobre Tempo Tátil

Composto, em sua maioria, entre 2008 e 2020, essas peças marcam o abandono da exploração da forma-canção, como vemos no primeiro trabalho de Safatle, “Música de superfície”. Aqui, as peças giram em torno de um trabalho de liberação do tempo musical de seus esquemas estruturais. Isso produz peças que se desdobram entre o desfibramento, com um imobilismo aparente que é, na verdade, forma, de liberar os sons ao desenvolvimento de relações laterais, e a pulsação, como se a repetição pudesse fazer o papel de sustentação de um processo que se recusa conscientemente a andar para frente.

Desfibramento e pulsação são também formas de confrontar o fantasma originário brasileiro, esse mesmo que nos ensina que aqui é uma terra sem estrutura, sem lei, sem continuidade, sempre assombrada pelo amorfo. Uma música fiel a seu conteúdo de verdade deve então saber não fugir de tal fantasma, produzindo a partir exatamente daquilo que nos ensinaram como sendo improdutivo.

Datas de lançamento dos singles*

22 de janeiro: O amor vai desterrar nossos corpos
5 de fevereiro: Três peças para gestos ao piano .II
19 de fevereiro: Instância e explosão
5 de março: O Solfejo de nossas filhas
19 de março: Espaço Liso

* Disponível no Sesc Digital e nas principais plataformas de streaming.

Ficha Técnica

Concepção, arranjos e direção musical: Vladimir Safatle
Produção executiva: Dudão Melo
Gravado e mixado no Estúdio Guidon no segundo semestre de 2018
Técnico de gravação e mixagem: Edielson Aureliano
Masterização: Bruno E (studio bruno e)
Fotos: Ralph Baiker
Projeto gráfico: Lucia Mindlin

Vladimir Safatle, piano
Caroline De Comi, soprano
Fabiana Lian, soprano
Cristine Guzze, mezzo soprano
Valentina Ghiorzi Safatle, voz
Evan Rothstein, violino e arranjo de cordas
Renan Vitoriano, violino
Paco Garcez, viola
Rafael Ramalhoso, violoncelo
Igor Willcox, bateria
Ivan Nascimento, fagote

SOBRE O ARTISTA

Vladimir Safatle – pianista

Vladimir Safatle, Professor Titular do Departamento de Filosofia e do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Compôs, junto com Fabiana Lian o CD “Música de superfície” (Tratore, 2019). Foi aluno do pianista Jay Gottlieb e responsável por trilhas sonoras para peças de teatro. Além de autor de vários livros sobre filosofia, teoria política e psicanálise, prepara atualmente um livro sobre estética e filosofia da música. Colunista semanal da Folha de S. Paulo por dez anos, é atualmente colunista do jornal El País e da Revista Cult.

SELO SESC

Criado há 16 anos, o Selo Sesc tem o objetivo de registrar a amplitude da produção artística brasileira construindo um acervo pontuado por obras de variados estilos, épocas e linguagens. Recentemente, foi lançado no mercado digital os álbuns: Sessões Selo Sesc #6: Rakta + Deafkids, Sessões Selo Sesc #7: João Donato + Projeto Coisa Fina, Sessões Selo Sesc #8: Toada Improvisada – Jackson do Pandeiro 100 anos e Sessões Selo Sesc #9: …And You Will Know Us By Trail Of. O CD-livro São Paulo: paisagens sonoras (1830-1880) da pesquisadora e cantora Anna Maria Kieffer; o DVD Exército dos Metais, da série O Som da Orquestra, O Romantismo de Henrique Oswald (José Eduardo Martins e Paul Klinck); os CDs físico e digitais Dança do Tempo (Teco Cardoso, Swami Jr. e BB Kramer), Espelho (Cristovão Bastos e Maury Buchala), Eduardo Gudin e Léla Simões, Recuerdos (Tetê Espíndola, Alzira Espíndola e Ney Matogrosso), Música Para Cordas (André Mehmari), Estradar (Verlucia Nogueira e Tiago Fusco), Tia Amélia Para Sempre (Hercules Gomes), Gbó (Sapopemba), Acorda Amor (Letrux, Liniker, Luedji Luna, Maria Gadú e Xênia França), Copacabana – um mergulho nos amores fracassados (Zuza Homem de Mello), Tio Gê – O Samba Paulista de Geraldo Filme (vários artistas) e os álbuns digitais Mar Anterior (Grupo ANIMA), Olorum (Mateus Aleluia), Nana, Tom, Vinicius (Nana Caymmi), Jardim Noturno – Canções e Obras para Piano de Claudio Santoro (Paulo Szot & Nahim Marun), 7 Caminos (Emiliano Castro), São Paulo Futuro – A Música de Marcello Tupynambá (Vários Artistas), Cantos da Natureza (Pau Brasil), O Fim da Canção (Luiz Tatit, Zé Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski), Sessões Selo Sesc #10: Carne Doce, Sessões Selo Sesc 11: Orquestra Sinfônica de Santo André + Hamilton de Holanda, Claudio Santoro – Obra completa para violino e piano (Alessandro Santoro e Emmanuelle Baldini) e O Anel – Alaíde Costa canta José Miguel Wisnik (Alaíde Costa)

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A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. Saiba +

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