O jornalista José Carlos Camapum Barroso acaba de lançar o livro Vasto Mundo. Em 100 páginas e 43 poemas, o escritor aborda temáticas diversas com extrema sensibilidade. “Trato de forma geral das questões da nossa existência nesse mundo tão vasto, com diria Drummond, mas que, ao mesmo tempo, é tão pequeno por estamos próximos de todos que habitam esse planeta, pois enfrentamos dramas e angústias semelhantes.

Tragédias, como a do Realengo, no Rio de Janeiro e da boate Kiss, em Santa Maria (RS) emocionaram milhões de pessoas em diversos países; o drama dos refugiados e do pequeno Amal, encontrado morto em uma praia, cena registrada numa fotográfica que emocionou o mundo. Além disso, nossa ligação com Portugal, que ajudou a desvendar o planeta Terra com as suas navegações”, adianta José Carlos sobre os temas de alguns poemas.

O lirismo de José Carlos já era conhecido e admirado entre familiares, amigos e colegas de profissão. “Gosto de escrever, e faço isso diariamente, sejam textos de poesia, jornalísticos, crônicas ou artigos. A palavra, construção de frases, versos e letras de músicas sempre me encantaram, desde garoto”. Em tempos digitais, para dar vazão à sua produção literária e também catalogá-la, criou, em 2011, o ZecaBlog. “De lá pra cá, muitas poesias surgiram e várias delas foram publicadas no blog. Tiveram boa recepção e começaram as sugestões: ‘ah, por que você não escreve um livro de poesias?’. Essa ideia foi amadurecendo até desaguar nesse Vasto Mundo.”

No prefácio do livro, Itaney Campos, escritor e membro da Academia Goiaba de Letras descreve: “O poeta sofre. Mas, resiste. Refugia-se na música, na poesia, na crônica, testemunhando a realidade macabra e acenando para um futuro risonho, no qual a arte terá cada vez mais espaço e soberania, contribuindo para um mundo mais humanizado, em que a solidariedade seja a tônica do convívio social. Faz ressurgir referências musicais e poéticas, revalorizando o que o país tem de melhor, na sua alma criativa: seu humor irrefreável, sua capacidade de dar a volta por cima e cultivar a alegria”.

Goiano de Uruaçu, radicado em Brasília desde janeiro de 1973, casado e pai de dois filhos, José Carlos também é reconhecido por sua paixão musical. Seu conhecimento, inclusive, rendeu-lhe convite para compor o júri do Prêmio Profissionais da Música. Recentemente, tornou-se avô de duas crianças, o que certamente lhe renderá ainda mais inspiração para novos livros. A obra é dedicado à mãe Iracema; à companheira Stela Márcia; aos filhos, Ramiro e Jordano; e aos netos, Juliano e Martina.

Formado pela UnB (Universidade de Brasília), José Carlos, ao longo de 40 anos de profissão, trabalhou nas redações de publicações como Diário de Brasília, Jornal de Brasília, Última Hora e Correio Braziliense e migrou para a assessoria de comunicação—seu ramo de atividade atual–, chegando a atuar em grandes campanhas como as presidenciais de Ulysses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso.

DESPERTAR

Brasília, Brasília
Não és mais a ilha
Cercada de fantasias…
És, agora, senhora,
Cortada por viadutos,
Congestionadas em vias,
Sinais congestionantes.

Cidades satélites
De luzes que não brilham
Como resplandece a tua.
Ruas que não se cruzam
Na mesma simetria,
Na grandeza de monumentos
Que ostentas em curvas,
Entre retas infinitas…

Avião de asas cortadas
Plano de voo perdido
Quadrilátero retângulo
Incrustado no coração
De um Brasil central,
Pleno de indiferenças…

Brasília, Brasília
Não mais sorris
Nem sorriem teus filhos
Adotados e gerados
Que ergueram e foram
Erguidos aos céus,
No sonho de dom Bosco,
Suor e lágrimas candangas.

Acorda antes que o sonho
Desperte o medo,
No século do pesadelo.
Acorda Brasília!

Ouça a voz que ecoa
No Planalto Central:
Ainda és sonho,
Esperança de vida

(José Carlos Camapum Barroso)

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