Teatro do Concreto cria metáforas questionadoras sobre silenciamento de grupos minoritários

O Teatro do Concreto encerra neste fim de semana à temporada de Festa de Inauguração no Sesc Garagem e de 26 a 29 de setembro, o grupo se apresenta no CEM 01 – Centrão, escola pública de São Sebastião.

Mensagens deixadas por trabalhadores, que construíram o Congresso Nacional nos anos de 1950, e encontradas em 2011 durante reforma no Salão Verde, foram o ponto de partida [para a criação do espetáculo] e endossado por seminários que reuniram sociólogos, arquitetos, artistas visuais, rappers e dramaturgos.

“As frases são de autoria de quem quase nunca está à luz da história oficial e revelam, em si, desejos de um futuro melhor para o país e a crença nas instituições democráticas”, descreve Francis. Frases completas ou trechos delas são lidas durantes o espetáculo e uma delas entra em cena escrita em uma faixa.

A obra, que investiga o tema da destruição como metáfora ao atual momento do país, explora a presença de um ciclo fragmentado onde o fim nada mais é do que a continuidade e a ruína é a afirmação do que existiu e do vir a ser.

Permeando a própria produção do grupo, a montagem discorre sobre constâncias da humanidade, “notamos que no percurso da humanidade, nas artes e nas trajetórias pessoais, existem narrativas soterradas que precisam vir à tona e, normalmente, esse processo acontece por meio da destruição”, sugere o diretor da montagem.

A cidade como algo repleto de textos que precisam ser lidos e de discursos que precisam vir à tona, a pesquisa fez com que Festa de Inauguração não fosse uma peça que falasse pelos operários ou sobre o processo de construção de Brasília, mas sim que esses fossem os elementos disparadores de uma série de reflexões sobre o ato de destruir e reconstruir.

Sem tomar como base a noção de personagens ou de começo-meio-fim, Festa de Inauguração é um caleidoscópio. Em cena, os atores encenadores Gleide Firmino, Micheli Santini, Adilson Diaz e Diego Borges tecem a trama a partir de falas e narrativas em um jogo cênico que apresenta o próprio eu a partir do teatro, músicas e coreografias, próprias do teatro performático. O espetáculo tem ainda cenário e figurino assinados por André Cortez e luz de Guilherme Bonfanti, do Teatro da Vertigem.

Ficha técnica

Elenco: Gleide Firmino, Micheli Santini, Adilson Diaz, Diego Borges
Direção: Francis Wilker
Dramaturgia e codireção: João Turchi
Light design: Guilherme Bonfanti
Cenografia e figurinos: André Cortez
Direção musical: Diogo Vanelli
Projeções e registro audiovisual: Thiago Sabino e Fábio Rosemberg
Colaborações artísticas: Nei Cirqueira, Kenia Dias, Edson Beserra, José Regino e Giselle Rodrigues
Produção executiva: Tatiana Carvalhedo (Carvalhedo Produções)
Produção nacional: Júnior Cecon
Coordenação administrativa Teatro do Concreto: Ivone Oliveira
Assessoria de imprensa: Território Assessoria de Comunicação

Serviço

Dias: 21 e 22/09
Local: Sesc Garagem
Horário: quinta a sábado as 20 horas e domingo as 19h
Ingressos: R$ 20 (inteira), adquira aqui

Dias: 26, 27 e 29/09
Local: CEM 01 – Centrão
Horários: Quinta e sexta, às 20h, e domingo, às 19h
Entrada franca
Dias 26 e 27, sessões gratuitas para o estabelecimento de ensino
Dia 27, sessão com tradução para Libras
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos
Duração: 80 minutos
Informações: www.teatrodoconcreto.com.br e @TeatroDoConcreto, no Facebook.

Teatro do Concreto
Fundado em 2003, o Teatro do Concreto é um grupo de Brasília que reúne artistas interessados em dialogar com a cidade e seus significados simbólico e real por meio da criação cênica. Assume, desde sua origem, a diversidade e a pesquisa como princípios de gestão e composição artística, mobilizando criadores de diversas regiões do Distrito Federal e aprofundando a interação com diferentes artistas e áreas do conhecimento.

Suas criações se orientam pela perspectiva do processo colaborativo e se caracterizam, principalmente, pela elaboração de uma dramaturgia própria, pela radicalização no uso de depoimentos pessoais, pela investigação da cena no espaço urbano, pela relação com as práticas da performance e pela busca por diferentes modos de engajar o espectador.

Ao longo de sua trajetória, o grupo estreou nove espetáculos e intervenções cênicas, publicou três obras de referência para o campo da pesquisa teatral e realizou diversos projetos de interação com a comunidade os quais extrapolam a dimensão dos palcos, consolidando-se como referência para o teatro de grupo na região Centro-Oeste. Ganhou projeção nacional com a circulação dos espetáculos Diário do Maldito (2006) – que recebeu o Prêmio SESC do Teatro Candango nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Cenografia – e Entrepartidas (2010) – que recebeu o Prêmio SESC do Teatro Candango nas categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Dramaturgia.

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