Show de projeto no Clube do Choro


Sábado à tarde – Avena de Castro e a vida musical em Brasília nos anos 60. Show de lançamento do projeto – Clube do Choro de Brasília – 16 de julho de 2016

Projeto resgata parte da história do choro em Brasília e homenageia Heitor Avena de Castro, primeiro presidente do Clube do Choro de Brasília. Livro histórico, álbum de partituras e dois CDs com composições e gravações restauradas de Avena de Castro, resultaram do projeto. Show reúne músicos que participaram das gravações dos CDs

O Clube do Choro de Brasília recebe, no dia 16 de julho, às 21h, músicos do Rio de Janeiro e de Brasília ligados à história do choro da capital, para o lançamento do projeto Sábado à Tarde – Avena de Castro e a vida musical em Brasília nos anos 60. Com direção musical da flautista Beth Ernest Dias, a apresentação reunirá Léo Benon (cavaquinho), Jaime Ernest Dias (violão de 6 cordas), Fernando César (violão de 7 cordas), Francisca Aquino (piano), Valério Xavier (pandeiro), Sérgio Morais e Karla Dias (flautas); Victor Angeleas (bandolim) e Lourenço Vasconcellos (percussão) – músicos que participaram da gravação do CD 1 do projeto, que contém 15 composições do citarista Heitor Avena de Castro. A convite de Beth Ernest Dias, o show contará ainda com a participação do grupo 4 Nós, composto por músicos que são alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.

O show marca o lançamento do projeto iniciado em 2012, que resultou em dois CDs: um com composições e outro com gravações restauradas de Avena de Castro, um livro e um álbum de partituras com 23 composições do citarista. O CD 1 tem a participação especial do virtuose Hamilton de Holanda, em solo no bandolim de 10 cordas, tocando Evocação de Jacob, composição mais conhecida de Avena de Castro, escrita em homenagem a Jacob do Bandolim. Também participa do CD a flautista Dolores Tomé, que teve muito contato com Avena de Castro, na condição de filha de João Tomé, músico pioneiro da cidade e grande amigo de Avena. Hamilton e Dolores não participarão do show de lançamento.

No repertório do espetáculo, estão os 15 choros de Avena de Castro, gravados no CD1: Sábado à tarde, Okik-Ryas, Evocação de Jacob, Meiguice, Papo de anjo, Dolores, “tomé” que é?, Valsa para uma rosa, Dialogando, O sólo é mio, Denise, Queixumes, Chor’eco, Quando fala o coração, Choro diminuto, Altamirando e mais o choro Divina flauta, escrito para Odette Ernest Dias. Na apresentação do Clube do Choro, Léo Benon substituirá o cavaquinista Evandro Barcellos que trabalhou como diretor de estúdio na gravação do CD e faleceu em 3 de março deste ano.

Considerado o único citarista virtuose do Brasil, Avena de Castro começou a estudar o instrumento quando tinha 11 anos de idade, na década de 1930, e teve formação clássica. Quando mudou-se para Brasília, cerca de 30 anos mais tarde, envolveu-se com a música popular, especialmente com o choro, estilo do qual foi grande divulgador na cidade e principalmente liderando as reuniões dos sábados à tarde no apartamento do jornalista Raimundo de Brito na 105 sul.

O projeto

Uma produção da X2 Produções Culturais dirigida por Beth Ernest Dias com apoio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura, o projeto Sábado à tarde – Avena de Castro e a vida musical em Brasília nos anos 60 resultou em quatro produtos: dois livros e dois CDs. Ao criar o projeto, Beth tinha como objetivo resgatar uma parte da história do choro na cidade e preservar e manter viva a obra do citarista e compositor – que residiu em Brasília de 1960 até sua morte, em 1981 –, além de registrar a passagem de Jacob do Bandolim por Brasília, quando frequentou os encontros dos sábados à tarde no final dos anos 1960.

O conteúdo das duas publicações e dos dois CDs foi cuidadosamente selecionado por Beth Ernest Dias. O livro Sábado à tarde – Avena de Castro, a cítara e o choro em Brasília, apresenta fotos da época, uma lista de composições de Avena de Castro e uma relação completa de sua discografia, além de contar histórias surgidas dos encontros dos músicos que se reuniam no apartamento do jornalista Raimundo de Brito para tocar choro, na SQS 105, em Brasília. “Ao aprofundar o assunto, percebi que havia uma lacuna na história do choro em Brasília, e que diversos personagens que construíram essa história ainda não haviam sido devidamente estudados. Foi assim que, por meio de pesquisas em acervos particulares e entrevistas com músicos e frequentadores das reuniões na 105 Sul, no apartamento de Raimundo de Brito, consegui costurar esse pedaço que estava solto, complementando e enriquecendo ainda mais essa história que já é tão importante para a cidade”, explica Beth Ernest Dias.

A segunda publicação, intitulada Sábado à tarde – choros de Avena de Castro é um álbum de partituras, com melodias e cifras de 22 choros e uma valsa de autoria do citarista. Para a diretora do projeto, o resgate registrado nos livros e nos CDs trazem à tona a participação de valorosos músicos pioneiros, revelando episódios importantes não só para o choro brasiliense, mas para a história do choro brasileiro, como é o caso do Resinbra- Regional Sinfônico de Brasília, fruto das reuniões na 105. “Estou convencida que a história da vida cultural da cidade precisa ser esmiuçada e decupada ano a ano, principalmente a história das duas primeiras décadas, dada a velocidade e o impacto dos acontecimentos, para que no futuro se possa entender porque alguns projetos deram certo e outros não. No que concerne à posição alcançada hoje pela cidade, tida como a capital do choro e do rock, sem que isso tivesse sido exatamente planejado, cabe perguntar porque igualmente não deu certo um projeto vanguardista de tornar a mesma cidade um polo de criação de música contemporânea, ou um centro de irradiação de orquestras para a região central do país”, salienta Beth Ernest Dias, para quem a opção e a permanência de artistas do calibre de Avena de Castro, bem como a passagem de artistas como Jacob do Bandolim, revestem-se de importância para a história da vida cultural de Brasília. “O contato que tiveram com os seus contemporâneos, seja pelo exemplo, seja pelo que criaram aqui, deixaram marcas que se refletiriam nos eventos posteriores, como a fundação do Clube do Choro”, completa Beth.

Para compor os CDs, intitulados Sábado à tarde – a cítara e os choros de Avena de Castro, Beth Ernest Dias escolheu regravações e músicas inéditas de Avena de Castro: no primeiro disco, 15 composições do citarista (8 regravações e 7 inéditas), gravadas em estúdio, em Brasília, pelo grupo formado por Evandro Barcellos, Jaime Ernest Dias, Fernando César, Francisca Aquino, Valério Xavier, Dolores Tomé, Sérgio Morais, Karla Dias, Victor Angeleas e Lourenço Vasconcellos, com participação especial do bandolinista Hamilton de Holanda. A direção de estúdio foi de Evandro Barcellos e a direção musical de Beth Ernest Dias. O segundo CD apresenta restaurações de gravações inéditas de Avena de Castro em registros feitos por Jacob do Bandolim, em 26 de maio de 1960 – cópias a partir de originais cedidos pelo Instituto Jacob do Bandolim –, e restaurações de gravações também inéditas feitas em Brasília por Paulo Roberto Yog Uchoa, em 1969. Essas gravações são o único áudio existente do Resinbra, conjunto que nasceu nas reuniões dos sábados à tarde na 105 sul. As restaurações foram feitas no Zen Studio, por Andrés Artesi.

Os músicos

Beth Ernest Dias (direção musical) – Flautista, tocou na Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. Autora e coordenadora do projeto Sábado à tarde, foi professora da Escola de Música de Brasília.

Léo Benon (cavaquinho) – Professor da Escola de Choro Raphael Rabello, é instrumentista, compositor, arranjador, produtor e mestrando no Programa de Pós-Graduação Música em Contexto-UnB.

Jaime Ernest Dias (violão de 6 cordas) – Instrumentista, compositor e arranjador, gravou CDs autorais. Foi professor da Escola de Música de Brasília e criador da Orquestra de Violões de Brasília.

Fernando César (violão de 7 cordas) – Instrumentista, compositor e produtor, gravou CD solo e com o Dois de Ouro, duo com Hamilton de Holanda.

Francisca Aquino (piano) – Professora aposentada da Escola de Música de Brasília, é instrumentista, arranjadora. Escreveu o álbum Nazareth para Todos, coletânea de arranjos de músicas de Ernesto Nazareth para todos os instrumentos.

Valério Xavier (pandeiro) – Integrante do conjunto Choro Livre, é produtor musical, instrumentista, violonista e cavaquinista.

Sérgio Morais (flauta) – Flautista, compositor, professor da Escola de Choro Raphael Rabello, gravou no álbum Choros de Benedito Lacerda, editado pela Global Music.

Karla Dias (flauta) – Solista de flauta doce, é professora da Escola de Música de Brasília e do Lycée Français François Mitterrand.

Victor Angeleas (bandolim) – Bandolinista e compositor, é professor da Escola de Música de Brasília.

Lourenço Vasconcellos (percussão) – Baterista, percussionista, vibrafonista, compositor e arranjador, é integrante dos conjuntos Relógio de Dali e Orquestra de Sopros da Pró-Arte.

Grupo 4Nós – Formado pelos alunos da Escola de Choro Raphael Rabello Alceu Lacerda (flauta), Astro Luiz (pandeiro), Carlos Torres (cavaquinho) e Victor Ramon (violão 8 cordas). O grupo se utiliza da linguagem do Choro, do Baião, do Frevo e de outros ritmos essencialmente brasileiros para a criação de uma ambiência musical própria. Por meio de diferentes arranjos voltados às grandes obras de compositores como Altamiro Carrilho, Luiz Gonzaga, Pixinguinha e Edu Lobo, o grupo apresenta um repertório diverso, incluindo composições próprias.

Avena de Castro

Nascido em 7 de dezembro de 1919, o carioca Heitor Avena de Castro começou, junto com seu irmão, Humberto, os estudos de cítara com Carlos Tyll, citarista vienense estabelecido no Rio de Janeiro no início do século 20. Posteriormente, recebeu orientação do citarista luxemburguês também radicado no Rio, Nikolas Schaack, com quem se aperfeiçoou na técnica de Grunwald. Originária da região dos Alpes europeus, a cítara à qual Avena de Castro se dedicou é a zither – um pequeno instrumento de 32 cordas: cinco para o solo e 27 para o acompanhamento. O instrumento exige muita técnica de quem o executa e é tocado apoiado sobre uma mesa ou qualquer superfície plana.

Avena de Castro começou a carreira de concertista ainda jovem, apresentando-se como solista em salas de concerto do Rio e outras capitais, inclusive entre 1943 e 1949, período em que morou em Ubá (MG). Segundo críticos da época, apresentava domínio completo do pequeno e belo instrumento, manejando-o com desembaraço e profundo senso artístico. No entanto, apesar do reconhecimento da crítica especializada e de sua expressiva discografia, o mercado de trabalho não se mostrava auspicioso para artistas como Avena de Castro. Por isso, em 1960, decidiu se mudar para a recém-inaugurada capital, onde poderia trabalhar como contador, sua outra profissão, além de continuar a carreira de músico. Em Brasília, teve atuação fundamental no movimento pioneiro de música da cidade, liderando as primeiras reuniões de choro na casa do jornalista Raimundo de Brito – encontros regulares que ocorriam aos sábados à tarde, entre 1968 e 1981, quando Avena de Castro faleceu. Foi presidente do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil e o primeiro a presidir o Clube do Choro de Brasília.

Considerado o único citarista popular do Brasil, Avena de Castro teve formação clássica. Começou a estudar o instrumento quando tinha 11 anos de idade e escreveu suas primeiras peças para cítara no final dos anos 1940. Autodidata, valia-se da transcrição de obras de consagrados autores do mundo erudito para se aperfeiçoar na composição. Ainda nessa época, compôs alguns choros, que foram gravados pelo selo Star. Foi em Brasília, no entanto, que se firmou como compositor. Estimulado pelo convívio com os músicos que frequentavam os encontros dos sábados à tarde, escreveu mais de uma centena de choros, os quais dedicava aos participantes das reuniões. Dentre eles, o conhecido Evocação de Jacob, uma das mais requintadas peças do repertório chorístico, composto sob o impacto da notícia da morte do amigo Jacob do Bandolim, que o considerava o seu melhor intérprete.

Apesar da ligação estreita com a cítara, um estranho no ninho da música brasileira, Avena de Castro é hoje identificado como um compositor da cena do choro. Suas músicas podem ser tocadas por todos, pois não foram elaboradas pensando apenas nas possibilidades técnicas do instrumento de cordas. “Ainda que a preferência pelos andamentos de lentos a moderados possa sugerir que ele tivesse em mente a cítara, seus muitos choros de andamentos rápidos desmentem essa conclusão”, explica Beth Ernest Dias.

Uma particularidade das composições de Avena de Castro são os títulos das músicas, que muitas vezes remetem a composições já conhecidas de outros autores. Assim, os choros Queixumes e Os cinco camaradas, dedicados a Pixinguinha, fazem alusão a Lamentos e Os cinco companheiros. Sabe-se também que Avena escrevia muitas vezes pensando na pessoa a quem estava dedicando o choro, procurando ressaltar alguma característica do homenageado. Há dois exemplos flagrantes desse hábito: Evocação de Jacob, inspirado na maneira de Jacob do Bandolim interpretar uma melodia, e Okik-ryas, um choro harmonizado com encadeamentos típicos de jazz e bossa, dedicados ao quarteto vocal brasiliense KIK-RYAS, formado nos anos 60 por amantes do novo gênero que nascia no Rio de Janeiro.

Serviço

Show de lançamento do projeto
Sábado à tarde – Avena de Castro e a vida musical em Brasília nos anos 60
Data: 16 de julho de 2016
Local: Clube do Choro de Brasília (SDC, Bloco G, entre a Torre de TV, o Centro de Convenções e o Planetário)
Início: 21h
Valores: R$30 e R$ 15 (meia)
Informações: 3224-0599
Funcionamento da bilheteria: 2ª a 6ª feira, das 10h às 22h. Sábado das 19h às 21h30, ou através do site: www.clubedochoro.com.br
Classificação indicativa: 14 anos

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