Marco da MPB, álbum Elis & Tom ganha releitura coreográfica que estreia em transmissão ao vivo e gratuita direto da capital paulista

Um banquinho e um violão – e as vozes inesquecíveis de Elis Regina e Tom Jobim – embalam a mais nova obra do repertório da São Paulo Companhia de Dança (SPCD) – corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa.

Assinada pelo coreógrafo Henrique Rodovalho, Só Tinha de Ser com Você se vale da dança contemporânea para fazer uma sensível e singular releitura de músicas do clássico álbum Elis & Tom (1974), de Elis Regina (1945-1982) e Tom Jobim (1927-1994). A estreia dessa criação acontece no dia 17 de setembro (quinta-feira), às 20h, ao vivo, diretamente do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e poderá ser conferida em todo o Brasil por meio de uma transmissão online gratuita que integra a Temporada 2020 da SPCD, com exibição única em tempo real nas redes sociais da Companhia e na plataforma #CulturaEmCasa.

Criada originalmente em 2005 para a Quasar Cia de Dança – uma das mais importantes companhias do país, idealizada por Rodovalho – a obra ganha em 2020 esta versão especial assinada por ele para a SPCD. Em acordo com os protocolos de segurança ora vigentes, as distâncias entre os bailarinos foram ampliadas e as relações entre eles passaram a se construir a partir de gestos e olhares, sem contatos físicos. “A coreografia está acompanhando o contexto atual, ela não está indiferente. E ouvir essas músicas traz também um certo conforto, um respiro para esse momento pelo qual nós estamos passando”, comenta Henrique.

As mudanças provocadas pelo enfrentamento ao Covid-19 também se refletem na Temporada da São Paulo Companhia de Dança como um todo. Obras que estavam originalmente previstas deram lugar a outras adaptadas à atual necessidade de distanciamento social, levando em consideração as medidas sanitárias vigentes e o convívio pessoal entre os bailarinos. O que prevaleceu foi a criatividade latente tanto dos artistas da casa quanto dos convidados, expostos ao desafio de explorar novos modos de se fazer dança, fazendo jus ao nome da Temporada 2020, batizada ainda no final do ano passado como “Permanência e Inovação”.

Além da estreia de Só Tinha de Ser com Você, o streaming da Temporada 2020 também traz novas obras que exploram outras possibilidades da contemporaneidade, como o duo Dualidade e o solo Objeto do Meu Próprio Desejo, assinados respectivamente pela dupla brasileira Mônica Proença e Jonathan dos Santos e o espanhol Esdras Hernández. Situados em países diferentes e convidados especialmente para estas criações, os artistas desenvolveram os processos criativos por meio de ferramentas de vídeo online.

A apresentação desta quinta (17) também contempla obras já presentes no repertório da Companhia, como Instante, de Lucas Lima, e trechos de Gnawa, obra original de Nacho Duato.

“A Temporada 2020 da São Paulo Companhia de Dança se adapta às questões sociais e sanitárias provocadas pela Covid-19. O repertório contempla obras criadas especialmente para este momento, respeitando o distanciamento e o convívio pessoal dos bailarinos, o que permite um certo grau de contato físico. Os três trabalhos de grupo – como Só Tinha de Ser com Você, de Henrique Rodovalho – foram criados ou adaptados seguindo essas recomendações. E a participação dos bailarinos na escolha do repertório foi fundamental para que cada um se sentisse à vontade para este retorno aos palcos, que será transmitido de forma gratuita no meio digital, uma experiência única que promete levar a experiência das temporadas anuais da SPCD a um público ainda mais amplo”, ressalta a diretora artística e executiva da São Paulo Companhia de Dança, Inês Bogéa.

“É importante destacar que a reabertura do Teatro Sérgio Cardoso, que completa 40 anos em outubro, e a estreia da Temporada 2020 da São Paulo Companhia de Dança se adaptam às questões sanitárias provocadas pela pandemia. E a transmissão no formato digital amplifica a difusão cultural, rompendo as barreiras geográficas e disponibilizando conteúdos que podem ser acessíveis onde o cidadão estiver”, afirma Danielle Barreto Nigromonte, diretora executiva da Amigos da Arte, responsável pela gestão do Teatro Sérgio Cardoso e da plataforma #CulturaEmCasa.

“Com a exibição online dos espetáculos da temporada 2020 da São Paulo Companhia de Dança, conseguiremos ampliar o acesso do público a um trabalho que se pauta pela excelência e assim cumprir nossa missão no contexto da pandemia”, afirma Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.

As exibições acontecem no canal da Companhia no YouTube (São Paulo Companhia de Dança) e no Facebook (@spciadedanca) e também na plataforma #CulturaEmCasa (www.culturaemcasa.com.br), criada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerida pela Amigos da Arte, que já soma mais de 1,5 milhão de acessos desde o seu lançamento, em abril. Pelo Instagram (@saopaulociadedanca) e o Twitter (@spciadedanca), o público vai poder conferir ainda os bastidores do evento ao vivo.

A transmissão da Temporada 2020 da São Paulo Companhia de Dança amplia as ações do selo #SPCDdigital e se soma à ação #CulturaEmCasa, criada pelo Governo do Estado de São Paulo em enfrentamento à disseminação do novo coronavírus (COVID-19), para oferecer diferentes conteúdos ligados à difusão da dança no meio virtual, estimulando a permanência das pessoas em seus lares em um diálogo constante com a arte.

Serviço:

São Paulo Companhia de Dança | Temporada 2020
Data: 17 de setembro (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Transmissão ao vivo nos perfis da Companhia no YouTube (São Paulo Companhia de Dança) e no Facebook (@spciadedanca) e também na plataforma #CulturaEmCasa (www.culturaemcasa.com.br).
Preço: gratuito
Observação: a apresentação é única e não ficará gravada

Programa

Pas de Deux de Gnawa, de Nacho Duato | Dualidade, de Mônica Proença e Jonathan dos Santos | Objeto do Meu Próprio Desejo, de Esdras Hernández Villar | Instante, de Lucas Lima | Só Tinha de Ser com Você, de Henrique Rodovalho
Dia 17 de setembro | quinta-feira | às 20h

Ficha técnica das obras:

Pas de Deux de Gnawa (2009)
Coreografia: Nacho Duato
Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian
Iluminação: Nicolás Fischtel
Figurino: Luis Devota e Modesto Lomba
Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre (1964-2013)
Organização e produção original: Carlos Iturrioz Mediart Producciones SL (Espanha)
Elenco: Daniel Reca e Michelle Molina
Gnawa é uma peça que utiliza os quatro elementos fundamentais – água, terra, fogo e ar – para tratar da relação do ser humano com o universo. A obra apresenta o reiterado interesse de Nacho Duato pela gravidade e pelo uso do solo na constituição de sua dança. Os gnawas são uma confraria mística adepta ao islamismo, descendentes de ex-escravos e comerciantes do Sul e do Centro da África que se instalaram ao longo dos séculos no norte daquele continente. Seguindo os protocolos de distanciamento social, será apresentado um pas de deux da obra com bailarinos que mantêm convívio pessoal fora da sala de ensaio.

Dualidade (2020 – estreia)
Coreografia: Mônica Proença e Jonathan dos Santos
Música: Lingering Darkness, de Logan Jones, interpretado por Adriana Holtz (violoncelo), com direção musical de Ricardo Bologna
Iluminação: Nicolas Marchi
Figurino: Yuk Dancewear
Elenco: Letícia Forattini e Luiza Yuk
Dois coreógrafos, duas intérpretes, duas linguagens dentro de uma mesma dança. A obra conecta artistas presentes em três diferentes países – Alemanha, Canadá e Brasil –, em um diálogo entre as linguagens da dança clássica e contemporânea.

Objeto do Meu Próprio Desejo (2020 – estreia)
Coreografia e música: Esdras Hernández Villar
Iluminação: Nicolas Marchi
Figurino: Edmeia Evaristo
Elenco: Daniel Reca
A obra é um convite a um mergulho no pensamento de um dos maiores bailarinos e coreógrafos do século XX, o russo Vaslav Nijinsky (1889-1950). O trabalho visa fazer uma releitura das criações desse artista, em especial do momento anterior a seu confinamento devido à esquizofrenia. Os fantasmas de seu passado artístico vêm visitá-lo uma última vez para lembrá-lo de quem ele foi e avisá-lo quem ele será na história.

Instante (2017)
Coreografia: Lucas Lima
Música: On the Nature of Daylight, de Max Richter
Iluminação: Nicolas Marchi
Figurino: Fábio Namatame
Elenco: Luan Barcelos e Poliana Souza
Instante é uma criação de Lucas Lima para o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros e tem como ponto de partida a música de Max Richter, que ganhou novas dinâmicas no movimento dos bailarinos da São Paulo Companhia de Dança. Segundo o coreógrafo, a obra trata de “um instante para se encontrar, e outro para se perder. Um instante para decidir, para seguir, para voltar, para se arrepender”. É uma coreografia que introduz novos impulsos e dinâmicas nos movimentos do balé, dialogando com a contemporaneidade.

Só Tinha de Ser com Você (2020 – estreia) *
Coreografia e iluminação: Henrique Rodovalho
Música: Excertos do álbum Elis & Tom, de Elis Regina (1945-1982) e Antonio Carlos Jobim (1927-1994)
Figurino: Cássio Brasil
Cenografia: Letycia Rossi
Assistente de Coreografia: Vivian Navega
Elenco: Ammanda Rosa, Ana Roberta Teixeira, Artemis Bastos, Letícia Forattini, Renata Peraso, Thamiris Prata, Geivison Moreira, Joca Antunes, Luan Barcelos, Nielson Souza, Otávio Portela, Yoshi Suzuki
“Esta primeira remontagem de um espetáculo da Quasar Cia de Dança só tinha que ser com a SPCD. Uma sensível e singular releitura coreográfica do álbum Elis & Tom, clássico da música brasileira. É um belo encontro do estilo Quasar/Rodovalho de dançar com todo o aprimoramento técnico da São Paulo Companhia de Dança, comenta Rodovalho.

*A produção da obra Só Tinha de Ser com Você tem o apoio da Lei de Incentivo à Cultura, patrocínio Itaú e Rede, Tegma e CDF e realização Associação Pró-Dança/São Paulo Companhia de Dança, Governo do Estado de São Paulo – por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa – e Secretaria Especial da Cultura (Ministério do Turismo, Governo Federal)

SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA

Direção Artística e Executiva | Inês Bogéa

Criada em janeiro de 2008, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) é um corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa, doutora em Artes, bailarina, documentarista e escritora. A São Paulo é uma Companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos XIX, XX e XXI de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas, especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal de seu trabalho. A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior e é hoje considerada uma das mais importantes companhias de dança da América Latina pela crítica especializada. Desde sua criação, já foi assistida por um público superior a 762 mil pessoas em 17 diferentes países, passando por mais de 144 cidades em cerca de 995 apresentações e acumulando 37 prêmios nacionais e internacionais. Além da Difusão e Circulação de Espetáculos, a SPCD tem mais duas vertentes de ação: os Programas Educativos e de Sensibilização de Plateia e Registro e Memória da Dança.

INÊS BOGÉA – Direção Artística e Executiva | Inês Bogéa é doutora em Artes (Unicamp, 2007), bailarina, documentarista, escritora, professora no curso de especialização Arte na Educação: Teoria e Prática da Universidade de São Paulo (USP) e autora do “Por Dentro da Dança” com a São Paulo Companhia de Dança na Rádio CBN. De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Foi crítica de dança da Folha de S. Paulo de 2001 a 2007. É autora de diversos livros infantis e organizadora de vários livros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado (2007-2008). É autora de mais de quarenta documentários sobre dança.

Anterior Watch Brasil traz as séries The Office e For Life para seus assinantes
Próximo Adriana Vignoli e Clarice Gonçalves falam do “Corpo em obra”