Transitando pelas linguagens do teatro, dança e performance, Salivas busca inspiração nos universos da fotografia e da linguagem literária

Primeiro solo autoral da atriz Emilene Gutierrez, SALIVAS – estreia dia 10 de abril, sábado, às 22h, no canal do YouTube do Projeto Salivas – caminha por um campo de pesquisa teatral contemporâneo no qual a escrita dramatúrgica é atravessada pela experiência do corpo no palco. Com apresentações online ao vivo e gratuitas, montagem revisita o termo saliva, considerando-o como material fisiológico e também como material simbólico.

A encenação, que transita pelas linguagens do teatro, dança e performance, é resultado de um processo iniciado em 2017 quando Emilene começa a observar registros fotográficos de seu corpo no ambiente doméstico. Ao longo desta aproximação de olhares e captura de imagens, a atriz identifica certo deslocamento de memórias e desejos entre “reconhecer-se e estranhar-se” em sua própria estrutura física.

Assim como a fotografia, a linguagem literária também percorre o universo dos materiais que fazem interlocução com o processo de SALIVAS e textos, ensaios e romances operam como disparadores e apoio da criação. Um desses textos é o livro A Puta, de Márcia Baribieri. Publicado em 2014, a obra é a primeira parte da Trilogia do Corpo, em que a autora apresenta, em prosa poética, uma narrativa verborrágica e surreal, na qual a protagonista transita por experiências mitológicas, filosóficas, familiares e eróticas.

Viagem digestiva

Emilene Gutierrez segue na montagem por uma busca individual no qual a carne-gordura-vísceras tomam o espaço central do processo. “É a tentativa de tornar corpo uma espécie de subjetividade feminina no qual são lançados disparadores físicos para a criação de estados, textos e ações”, explica a atriz, que toma sua própria fisicalidade e experiências materiais e afetivas como tema, como metáfora e como possibilidades dinâmicas de uma linguagem própria.

Em SALIVAS a dramaturgia caminha por uma “viagem digestiva” entre narrativas, depoimentos e imagens. “A ideia da fome guia a criação, destacando o poder vital do ato de comer concretamente e simbolicamente e assimilar o mundo, sendo assimilada por ele também. A peça configura a palavra como consequência de um corpo não domesticado, que detém uma inteligência em si mesmo e que está em fluxo”, conta Emilene.

Saliva

Sobre o título da peça, segundo a enciclopédia virtual Wikipédia “a saliva é um dos mais complexos, versáteis e importantes fluidos do corpo, que supre um largo espectro de necessidades fisiológicas.” Trata-se da secreção aquosa transparente secretada pelas glândulas salivares diretamente na cavidade bucal que umedece os alimentos, tendo função diretamente ligada a digestão. Possui também função de destaque no controle da quantidade de água do organismo, pois quando o corpo está com falta de água, a boca fica seca, manifestando a sede.

“A partir dessas definições a obra pretende revisitar o termo saliva fazendo relação aos micromovimentos e secreções involuntárias de um organismo vivo, com o que é ‘digerido’ em nossos corpos e se manifesta na ordem do desejo e do ser desejante”, revela Emilene. No espetáculo, a saliva é ponto de partida, objeto de estudo e também lugar metafórico por onde a atriz pretende transitar e comungar experiências.

Norteada pelas perguntas Quais as qualidades de experiências e possibilidades de formalizações estéticas quando o dispositivo já não é mais o palco? e o que de teatral pode haver em uma experiência virtual?, SALIVAS jogo foco nas ferramentas virtuais voltando parte da pesquisa para os novos enquadramentos e as incursões de linguagens experimentais no ambiente digital.

Mesa de debate

Com o objetivo de multiplicar o alcance das discussões geradas pelo espetáculo, será realizada a mesa de debate Narrativas de Corpos em Fluxo no dia 15 de abril, quinta-feira, logo após a apresentação. O encontro contará com as participações da escritora Márcia Barbieri, da atriz e pesquisadora Janaína Leite, da socióloga e coreógrafa Ana Figueiredo e da atriz e dramaturga Érica Montanheiro.

Sobre Emilene Gutierrez

Atriz graduada em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (2008) com Licenciatura pela Faculdade Paulista de Artes – FPA (2014). Tem interesse na pesquisa do teatro-físico e performatividade, tendo desenvolvido trabalhos em núcleos de pesquisa, coletivos e grupos de teatro. Em 2008 inicia estudos em dança e teatro físico na KIM TEATRO DANZANTE – Internacional School of Physical Theatro (Bolívia), trabalhando com Elias Cohen (Chile), Manu Chalissery (Índia) e Se Rok Park (Coreia/Alemanha). É cofundadora do grupo Quase9 Teatro, onde atuou nos espetáculos Lilá ou o Jogo de Deus (2008, direção de Elias Cohen), Encontro de Dois (2010, direção de Mariana Muniz) e na performance O processo: Leitura Integral para tentar compreender o Impeachment (2016). Integra o Coletivo Labirinto, e sua pesquisa em dramaturgias latino-americana, atuando no espetáculo Argumento Contra Existência de Vida Inteligente no Cone Sul (2019, direção de Marina Vieira) e Sem Título (2014, direção de Wallyson Mota). Em 2014 participa do Núcleo Experimental de Artes Cênicas do SESI e participa do espetáculo A última palavra é a Penúlitma 2.0 do grupo Teatro da Vertigem sob direção de Antônio Araújo e Eliane Monteiro. No ano seguinte atua no espetáculo Bruto com direção de Luiz Fernando Marques e dramaturgia de Alexandre Dal Farra, e, no mesmo ano, integra o espetáculo Teorema 21, do Grupo XIX de Teatro, com o mesmo diretor e dramaturgo. É atriz criadora no espetáculo Feminino Abjeto (2017), sob direção de Janaina Leite.

Para roteiro:

SALIVAS
Dias 10, 16, 17, 23, 24 de abril, sexta e sábado, às 22h, e 15 de abril, quinta-feira, às 20h, no Canal do YouTube do Projeto Salivas.
Duração – 50 minutos. Recomendado para maiores de 18 anos. GRÁTIS.

Direção, Dramaturgia e Performance – Emilene Gutierrez. Dramaturgismo – Lúcia Kakazu. Provocação Artística – Janaína Leite. Provocação Corporal – Nina Giovelli. Estudo de Voz – Inês Terra. Direção de Imagem e Fotografia Remota – Suellen Leal. Colaboração – Alexandra Tavares, Bruna Betito e Thiane Nascimento. Mesa “Narrativa de Corpos em Fluxo” – Ana Figueiredo, Érica Montanheiro, Janaína Leite e Márcia Barbieri. Arte Gráfica e Operação de Plataforma ao Vivo – Juliana Piesco. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Produção – Carol Vidotti

Sinopse – Uma Mulher anda. Come bananas. Deita. Se move. Fala. Dança entre grunhidos. SALIVAS é uma “peça resgate”, é tentativa de habitar lugares deformados entre tempos e abismos. A ação passa a ser uma busca caleidoscópica no qual o corpo se pergunta sobre o início, o fim e o desejo de continuidade das últimas “coisas”. Gerando zonas de fricção/vertigens entre linguagens, as vísceras se tornam protagonistas e ora são tomadas como matéria, ora como símbolos.

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