Atriz, artista visual e jornalista nascida em Brasília, Renata Caldas volta à cidade para participar do 20º CENA CONTEMPORÂNEA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE BRASÍLIA. Ela apresentará as performances, Meu Abismo e É permitido chorar – criadas em 2018 como parte de sua pesquisa de mestrado em Artes Visuais pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco -, e fará o lançamento do livro “O romance-em-cena de Aderbal Freire-Filho”, na quarta-feira, dia 21, a partir das 18h, no Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul. Entrada franca!

“São performances que apostam na delicadeza para atingir a profundidade. ‘Meu abismo’ apresenta uma obra mais plástica, que tem sido comparada a ‘Caminhando’, de Lygia Clark, enquanto ‘É permitido chorar’ se vale do tabu que é chorar em público, demonstrar fraqueza, principalmente em tempos de redes sociais, em que ninguém quer expor seu fracasso”, avalia Renata Caldas. Sobre o livro, a autora afirma: “Procurei escrever de uma maneira leve. Espero transmitir a estudantes, atores e diretores de teatro o entusiasmo que senti quando me dei conta da preciosidade que é a linguagem do romance-em-cena. Aderbal criou uma poética fascinante, que merece ser amplamente difundida”.

As performances têm duração de 30 minutos cada.

PERFORMANCES

MEU ABISMO

A artista Renata Caldas caminha por uma grande fita de moebius (infinito) que, aos poucos, desdobra-se em diferentes formatos. A obra apresenta um passeio inquieto por um abismo múltiplo; concreto e metafórico; particular e coletivo. Criada pelo matemático e astrônomo alemão August Ferdinand Möbius em 1858, a fita de moebius tem como uma de suas características mais fascinantes ser um “objeto não-orientável”, ou seja, impossível de determinar qual seria sua parte de cima ou de baixo, de dentro ou de fora. O trabalho tem como referência obras de Escher, Oscar Niemeyer e do pernambucano Daniel Santiago.

DURAÇÃO: 30min

É PERMITIDO CHORAR

Performance/Instalação. No trabalho, a performer chega sem avisar e, delicadamente, chora por cerca de meia hora neste local onde “É permitido chorar”. A obra, que teve como referência placas de proibição, surgiu da percepção de um choro coletivo iminente em contextos sombrios, um choro contido como forma de seguir a rotina.

DURAÇÃO: 30min

https://www.facebook.com/É-permitido-chorar-202631107014550/?modal=admin_todo_tour

LANÇAMENTO DE LIVRO

O ROMANCE-EM-CENA DE ADERBAL FREIRE-FILHO – Um ensaio-reportagem sobre a linguagem teatral desenvolvida pelo diretor e seus atores

No livro, a autora Renata Caldas investiga o processo de criação e a trajetória de espetáculos do romance-em-cena (A mulher carioca aos vinte e dois anos, texto de João de Minas, 1990; O que diz Molero, de Dinis Machado, 2003, e O púcaro búlgaro, de Campos de Carvalho, 2006). Esse estilo inventado pelo diretor Aderbal Freire-Filho pode ser aplicado pelos interessados na investigação da linguagem teatral. Este estudo foi viabilizado pelo Programa de Bolsas de Estímulo à Produção Crítica de Artes – categoria: Produção Crítica em Teatro, da Fundação Nacional das Artes – FUNARTE.

Segundo a crítica e professora Tania Brandão, trata-se de “um original de leitura obrigatória para o público de teatro, para a classe teatral e para todos os interessados em arte brasileira contemporânea”.

Na ocasião de lançamento, os convidados poderão optar por doar livros a estudantes de teatro da Universidade Federal de Pernambuco.

O livro estará à venda e poderá ser autografado pela autora.

Trechos do prefácio de Tania Brandão / professora, ensaísta, crítica de teatro, historiadora e pesquisadora de História do Teatro Brasileiro:

“Para estudar a obra do diretor, a pesquisadora não economizou esforço e a metodologia que acionou se revela muito adequada. O seu fundamento maior é o estudo de um elenco áureo de fontes. Fontes primárias – uma coleção que reúne vestígios diversos, diretos, das montagens, material da imprensa, depoimentos elaborados pela pesquisadora através de entrevistas, programas de televisão e material digital, e fontes secundárias – em especial uma bibliografia bem selecionada. O grande volume de dados reunidos foi pensado a partir de um quadro conceitual claro, preciso, uma exploração eficiente dos conceitos de drama, narração, épico, texto e cena, romance-em-cena.

O resultado final é um texto de análise claro, luminoso, instigante, um original de leitura obrigatória para o público de teatro, para a classe teatral e para todos os interessados em arte brasileira contemporânea. Entusiasta da proposta artística de Aderbal Freire-Filho e apaixonada por sua proposição, a autora transporta o leitor para a avaliação de uma obra teatral que, a seu ver, pode demonstrar um procedimento técnico, o romance-em-cena, adequado ao estatuto do homem-cidadão contemporâneo, ainda que, para Aderbal Freire-Filho, ele seja apenas só um jeito a mais, “um jogo, talvez um gênero, sem número e sem grau, tão sem sentido como a vida, tão inútil como tudo.”

Não importa: fica no leitor o gosto saboroso da força que o nosso teatro pode alcançar, demolindo velhas convenções, procedimentos de arte ultrapassados, oferecendo formas novas, vibrantes, meios adequados para olhar e sentir o mundo ao redor. Fica, sobretudo, o prazer de perceber como a demolição pode apontar para um lugar novo de protagonismo do sujeito, um lugar em que a pessoa move a cena, em vez de apenas agir em cena, em tempos em que se teme tanto o massacre da potência humana.”

Trechos da orelha do livro, por Paulo Betti/ ator

“Diante da efemeridade do fenômeno teatral, Renata se vale de inequívoca vocação para a pesquisa e nos oferece um saboroso desvendamento do processo criativo que formulou uma inédita maneira de se adaptar uma obra literária, um romance, para a linguagem do palco. Valendo-se da memória, entrevistas, leituras de obras de referência, recortes de jornal e programas de teatro, Renata constrói uma narrativa que se lê com o prazer de se estar vivenciando um importante momento de inspirada criação da arte cênica contemporânea.

(…) Renata correu o risco e venceu, conseguiu fazer um estudo que, ao mesmo tempo, é profundo, bem fundamentado e humorado.

(…) Num panorama desértico de obras sobre nosso teatro e aqueles que o fazem existir, o aparecimento desse relevante e bem estruturado estudo deve ser recebido com todos os elogios e as palmas calorosas no fim de um espetáculo que está apenas começando.”

SOBRE A AUTORA

Atriz e artista visual. Natural de Brasília, Renata Caldas reside na cidade de Recife, onde cursa Mestrado em Artes Visuais (UFPE) e desenvolve trabalhos de performance, instalação e intervenção urbana. Bacharel em Interpretação Teatral – Artes Cênicas (UnB) e Bacharel em Jornalismo – Comunicação Social (UniCeub), tem atuado como performer em galerias, museus, centros culturais e espaços alternativos. No teatro, trabalha como atriz, cenógrafa e assistente de direção. Como jornalista, trabalhou em cadernos culturais nos diários Correio Braziliense e Jornal de Brasília. Escreveu, ainda, para Folha de S. Paulo, Estado de Minas, Diário Catarinense, Jornal do Brasil, Revista Trip, Revista Sbat, entre outros. Um de seus textos foi aplicado como prova de vestibular da UnB. No repertório estão duas obras: “É permitido chorar” (performance/instalação) e “Meu abismo” (performance).

SOBRE ADERBAL FREIRE-FILHO

Autor, diretor e ator de teatro. Premiadíssimo, assina cerca de 100 montagens desde 1972, quando dirigiu Cordão umbilical. A trajetória do cearense radicado no Rio de Janeiro conta com peças diversas. Além dos espetáculos do romance-em-cena – A mulher carioca aos 22 anos (João de Minas); O que diz Molero (Dinis Machado); O púcaro búlgaro (Campos de Carvalho), o trabalho de Freire-Filho inclui, ainda, projetos em países da América Latina e em capitais brasileiras. Criou o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo e suas pesquisas sobre expressão dramática e narrativa têm sua síntese na trilogia de romances que encenou. Em 2019, o grupo completa 30 anos. Ganhou os prêmios Molière, Golfinho de Ouro, Shell, Mambembe, APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), APTR, Florencio (no Uruguai), entre outros. Em 2009, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, no grau de Cavaleiro. Em 2019, o diretor foi o homenageado do 31º Prêmio Shell de Teatro (RJ) pelo “espírito livre, inovador e combativo em prol do teatro nacional”. Na relação de seus espetáculos estão: Hamlet, Macbeth, As you like it, Timon de Atenas (Shakespeare); Tio Vania(Tchekhov); Casa de boneca (Ibsen); O congresso dos intelectuais e Na selva das cidades (Brecht); A morte de Danton(Büchner); As fenícias (Eurípides); e peças de muitos autores brasileiros, Nelson Rodrigues (Senhora dos Afogados), Oduvaldo Vianna Filho (Corpo a corpo, Moço em estado de sítio, Mão na Luva, O último combate do homem comum), Alcione Araújo, Mário Prata, Roberto Athayde, Geraldo Carneiro, Leilah Assunção, Flávio Márcio, José Antonio de Souza e muitos mais. Encenou os romances A mulher carioca aos 22 anos (João de Minas); O que diz Molero (Dinis Machado); O púcaro búlgaro (Campos de Carvalho) e Moby Dick (Melville). Entre suas peças encenadas: O tiro que mudou a história (parceria com C. E. Novaes); No verão de 96…;Xambudo;Isabel; Cãocoisa e a coisa homem; Depois do filme.

O ROMANCE-EM-CENA DE ADERBAL FREIRE-FILHO

Autora: Renata Caldas
Ed. Multifoco; Selo NotaTerapia
366 páginas; R$ 30

SERVIÇO

Cena Contemporânea 2019 – Festival Internacional de Teatro de Brasília – 20ª edição
Performances: “É permitido chorar” e “Meu abismo” / Lançamento de livro
Local: Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul. Praça Central
Data: 21 de agosto de 2019, quarta-feira
Hora: 18h
http://cenacontemporanea.com.br/2019/eventos/performances-e-lancamento-de-livro/

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