Peça escrita por José Cetra Filho e Arnaldo D’Ávila, Que fim levou Carlotinha? se apresenta online e gratuitamente nos dias 12, 13 e 14 de abril

Com direção de Cida Almeida, solo com três personagens é interpretado por Arnaldo D’Ávila. Espetáculo é uma divertida comédia que provoca reflexões sobre o amor, a solidão e o mal de Alzheimer.

“Que Fim Levou Carlotinha” teria uma temporada presencial, porém por conta do atual quadro da pandemia, será apresentada apenas virtualmente. As transmissões ao vivo serão feitas gratuitamente nos dias 12, 13 e 14 de abril com sessões às 19h e 21h no canal do ator Arnaldo D’Ávila, no Youtube: www.youtube.com/arnaldodavila.

Uma senhora, supostamente sequestrada, aguarda o homem que a raptou voltar do mercado com amêndoas para que ela lhe prepare um bolo, já é tarde da noite, não tem mais metrô e ela está assustada. Enquanto isso, conversa com um gato de porcelana. O texto flerta com a comédia e o teatro absurdo.

As personagens nos surpreendem constantemente com questionamentos e um certo suspense que pretende instigar o espectador através de situações absurdas.

A direção da peça está a cargo de Cida Almeida, especialista na preparação de atores através das Máscaras Teatrais, com ênfase na Linguagem do Clown, se sentiu muito à vontade para conduzir a encenação, principalmente na cena do gato Ferdinando, onde pode aplicar toda sua técnica. Mesmo nas personagens que não usam máscaras, a direção buscou aproximar as interpretações da linguagem clownesca com as técnicas de palhaçaria e da menor máscara de todas, que é o nariz de palhaço.

“Que fim levou Carlotinha? é uma comédia que não foi feita para gargalhar, mas para sorrir, divertir e refletir” afirma Cida Almeida. “O espetáculo caminha entre o absurdo e a árdua, porém bela, tarefa de se revelar a interpretação do artista fabulador, que se impõe ao trazer o seu olhar sobre as pequenas personagens da vida cotidiana: sombras que passeiam anonimamente em uma noite qualquer de uma metrópole”, completa.

Arnaldo D’Ávila, que também assina o desenho de luz da peça, é um artista multifacetado, ator, dramaturgo, diretor, cenógrafo, iluminador e produtor, natural de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, onde iniciou sua carreira em 1992. Está radicado em São Paulo desde 1996. Seus últimos trabalhos como ator foram nas peças: Lili Carabina de Aguinaldo Silva onde contracenava com Viviane Araújo (2017); Luz del Fuego de Julio Kadetti, estrelada por Rita Cadillac (2018) e Fred & Jack de Alberto Santoz (2019). “Que fim levou Carlotinha?” é um projeto antigo do inquieto artista, que desde a conclusão do texto em 2012, vem tentando montá-lo. D’Ávila está muito feliz por finalmente tirar do papel este projeto que considera uma pequena jóia lapidada a quatro mãos com José Cetra Filho, mentor da ideia, a quem é muito grato por dividir com ele essa preciosidade.

Os figurinos de Carol Badra buscam uma certa estranheza, pensando em um mundo pré pandemia, mas absolutamente plausível, sobretudo nos dias de hoje. As personagens se apresentam de pijama ou camisola na rua, no metrô ou no supermercado: sonho, pesadelo ou vida real? Nosso mundo hoje, onde as enxurradas de lives nos trazem as personalidades em suas casas, como elas são, nos abre essa porta onde a vida se revela do avesso, onde a vida pública existe na intimidade à tela aberta. Então a roupa de dormir é aquela que passamos o dia e que fazemos todas as atividades do dia em tempos pandêmicos.

A cenografia desenvolvida por Marcelo Andrade foi construída em MDF com peças de encaixe, para facilitar o transporte e o armazenamento, conservando as cores naturais da madeira, os desenhos são estilizados sugerindo a cenografia descrita no texto, como o pechinchê do quarto da Carlotinha, que é todo vazado.

A peça foi produzida com recursos da Lei Aldir Blanc, através do ProAC LAB. “O teatro resiste, apesar de todas as baixas que temos sofrido, com perdas irreparáveis para a nossa cultura. Além da pandemia ainda temos que enfrentar esses tempos obtusos, de sombras e censuras, onde a cada dia tentam nos calar e nos enterrar mais.” argumenta Arnaldo D’Ávila.

A GÊNESE DE “QUE FIM LEVOU CARLOTINHA?”, por José Cetra Filho

A personagem Carlotinha surgiu para mim em março de 2009 na oficina “Dramaturgia do Quotidiano” ministrada por Jorge Louraço.

Ao ser provocado para escrever sobre uma passagem quotidiana fiz narrativa de uma lauda onde um jovem senhor observava uma senhora idosa sentada em sua frente no metrô e pensava como ela se parecia com Carlotinha, sua madrinha que ele nunca mais viu.

Ao transformar a narrativa em texto teatral resolvi escrevê-lo a partir da Senhora como personagem já instalada no apartamento daquele homem. O resultado foi uma pequena cena onde ela divaga sobre os motivos dele tê-la convidado para ir até o seu apartamento. Ele foi até o mercado comprar os ingredientes para ela fazer um bolo e enquanto isso ela se dirige a Ferdinando, o gato da casa.

Algum tempo depois, Arnaldo D’Ávila, um admirador desse pequeno texto, pensou em montá-lo e conversamos sobre a possibilidade de ampliá-lo de acordo com ideia que eu já tinha em mente que era criar mais duas cenas, uma na perspectiva do homem e outra na do gato Ferdinando.

Arnaldo e eu juntamos nossas forças e na companhia de muito macarrão e muito vinho escrevemos essas duas cenas, batizando o homem de Ricardo e colocando em cena também Dinorah, uma calopsita, rival de Ferdinando.

Foi assim…

Serviço

Temporada: dias 12, 13 e 14 de abril com sessões às 19h e 21h no canal do ator Arnaldo D’Ávila, no youtube: www.youtube.com/arnaldodavila
Duração : 45 minutos
Classificação etária: 14 anos
Gratuito

Ficha Técnica:

Autores: José Cetra Filho e Arnaldo D’Ávila
Ator: Arnaldo D’Ávila
Direção: Cida Almeida
Cenografia: Marcelo Andrade
Figurino: Carol Badra
Costureira: Judite de Lima
Desenho de Luz: Arnaldo D’Ávila
Operação de som e luz: Hugo Peake
Trilha sonora: Cida Almeida e Arnaldo D’Ávila
Designer de perucas: Luiz Crispin
Fotos: Deborah Schcolnic
Vídeo: Franz Cultural
Designer gráfico: Gustavo Xella
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Produção executiva: Franz Granja
Direção de produção: Arnaldo D’Ávila

Arnaldo D’Ávila

Artista multifacetado, é ator, dramaturgo, diretor, cenógrafo, iluminador e produtor. Estudou com Antunes Filho, Nilton Filho, Joca D`Ávila, Giorggio Ronna, Eloína Ferraz e com Núcleo de Dramaturgos Telón de Aquiles (México), cenografia com Daniel Lion (Porto Alegre) Também participou de congressos com Jerzy Grotowski (Polônia), Michal Kobialka (EUA), Anatoli Vassiliev (Rússia) e Peter Brook (Inglaterra). Iniciou sua carreira como ator em 1992, na peça “O Duende de Cabelos de Fogo”. Recentemente produziu e concebeu ambientações cenográficas para a mega exposição que retratou a vida de Dom Paulo Evaristo Arns e ocupou todos os espaços do Centro Cultural dos Correios em São Paulo. Já realizou mais de 50 trabalhos teatrais, dentre eles: “Os Malefícios do Tabaco” – ator – (de 1996 a 1999), “Fred & Jack” – ator – (de 1999 e 2001), “Clássico pero no Mucho” – direção – (1998), “Brasil Quinhentos Anos” – diretor – (2000), “Dia Sim, Dia Não” – ator – (2001), “O Canto da Transformação” – diretor – (de 2001 a 2002), “Brecht & Brasis” – diretor – (2010), “Los Lobos Bobos” – diretor assistente (2016), Pescadora de Ilusão – diretor assistente – (2017), O Orgulho da Rua Parnell – diretor assistente – (2017), “Lili Carabina” de Aguinaldo Silva – ator (2017), “O homem que queria ser livro” – diretor assistente (2018) e Luz del Fuego de Julio Kadetti – ator (2018).

José Cetra Filho

Mestre em Artes Cênicas pelo Instituto de Artes da Unesp. Dissertação defendida em abril de 2012. — Graduado em Engenharia Industrial de Produção em 1968 pela FEI e pós-graduado em Administração de Empresas em 1971 pela Fundação Getúlio Vargas. Experiência profissional na área teatral: Integrante do júri de teatro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); Autor do livro “O Teatro Paulistano de Golpe a Golpe (1964-2016)”, ora em sua 2ª edição pela Editora Giostri; Editor do blog: www.palcopaulistano.blogspot.com, com críticas e matérias sobre espetáculos teatrais; Escritor de algumas peças de teatro, dentre elas “Que Fim Levou Carlotinha?”; Pesquisa sobre o Teatro Sérgio Cardoso no ano em que completa 40 anos (1980-2020). Já foram levantados 700 títulos que se apresentaram nas duas salas do Teatro. (Em andamento); Ministrante do curso “O Diálogo do Cinema com o Teatro” no CineSesc (2018), no Centro de Pesquisa e Formação do SESC (2019) e na Oficina Cultural Oswald de Andrade (2019); Elaboração de críticas de espetáculos e artigos sobre teatro para diversas publicações.

Cida Almeida

Arte educadora e diretora de teatro, formou-se como Artista pela Escola de Arte Dramática – ECA/USP (1985). Recentemente graduou-se Bacharel em Filosofia pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL (2015) e Pós Graduanda em Educação para Ensino Superior pela UNINOVE/SP (2016). Especialista na preparação de atores através das Máscaras Teatrais, com ênfase na Linguagem do Clown, Conscientização e Preparação Corporal para o intérprete cômico e desde 1987 ministra cursos e dirigiu vários espetáculos nessas vertentes, dentre eles: “Água” e “Reminiscor” com Clã – Estúdio das Artes Cômicas, onde mantém o seu núcleo de estudos e pesquisas. Fundou, em meados de 80, juntamente com os atores Leopoldo Pacheco, Sofia Papo e Athilio Bellini Vaz, a Cia. São Paulo Brasil de Teatro, onde trabalhou com os diretores Augusto Francisco, Wagner Salazar, Silvia Bittencourt e Roberto Lage. Viajou com a Cia. para representar o Brasil em Festivais Internacionais de Teatro na Colômbia (Manizales e Cali) e Espanha (II Festival Ibero Americano de Cadiz), onde permaneceu por 1 ano. Ainda em teatro atou sob direção de Odavlas Petti, Francesco Zigrino, Paulo Rogério Lopes, Paulo Dourado, Aimar Labaki, Fernando Guerreiro e Gabriel Vilela.

Carol Badra

Atriz e figurinista, formada em Artes Cênicas pela UNICAMP (1995). Além de atriz, começou a atuar como figurinista em 2003 como assistente de Márcio Medina e no mesmo ano recebeu o Prêmio Shell pelo figurino de A Mulher do Trem em parceria com Leopoldo Pacheco ( parceria está em quase todos os espetáculos da Cia Os Fofos Encenam). Parceira como figurinista da Cia Balagan( onde também firmou parceria com Marcio Medina), Cia do Feijão e La mínima. Em 2018 foi responsável pelo figurino da “Noite de Gala do Circo” no Theatro Municipal. E em 2019 em parceria com Rogério Romualdo fez o figurino de “Ninho” de GepeteanH com a Cia estável de teatro de Jundiaí e assina também o figurino de ” Minhas Queridas” Cartas de Clarice Lispector, direção e dramaturgia de Stella Tobar. Em parceria com Mácio Macena o figurino de “Hedda Gabler” de H. Ibsen direção de Márcio Macena. Ainda em jul/2019 fez o figurino do projeto “Balada dos Enclausurados” de Erica Montanheiro e Eric Lenate.

Marcelo Andrade

É formado em Licenciatura em Educação Artística pela Faculdade Mozarteum de São Paulo (1990 – 93), já realizou cenografias para diversas peças de teatro, tais como: Voltaire Rousseau – 2019, A Toda Poderosa – 2019, Luz del Fuego – 2018, Lili Carabina – 2017, Flicts – 2017, O Dia Depois do Último Dia, Agrárias – 2016, O Deus da Cidade – 2016, Celebração da Realidade – 2015, A Versão do Avesso – 2014, Projeto Baú da Arethuzza (Antes do Enterro do Anão; Vancê não viu minha fia?; A Ré Misteiosa; A Canção de Bernadete) – 2013, Terra de Santo – 2012, Assombrações do Recife Velho e A Mulher do Trem – 2003. Em 2011 participou da Mostra Nacional Brasileira na Quadrienal de Praga 2011 com a instalação Território Cenográfico Brasileiro. Recebeu os prêmios: Shell pela cenografia de Memória da Cana – 2009; CPT Projeto Visual pela cenografia, iluminação, figurinos, adereços e maquiagem de Memória da Cana – 2009; APCA de Melhor Espetáculo por Memória da Cana – 2009; APCA e APETESP de Ator Revelação pela peça Inimigos de Classe -1985.

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