Espetáculo feito exclusivamente por travestis e transexuais, Quando eu me chamar saudade tem estreia online

Montagem teatral Quando eu me chamar Saudade terá sessões de 11 a 13 de novembro com transmissão pela plataforma Cubo Play. Os ingressos já estão à venda com preço único de R$ 20

Magnólia Xavier, Zaire Rodrigues, Malka Kunst, Artemísia Vulgaris, Dandaru Cordeoli e Cristiana Carolina dos Reis Fernandes estrelam a montagem.

Com elenco formado exclusivamente por travestis e transexuais, o espetáculo Quando eu me chamar Saudade estreia no próximo mês com três sessões online transmitidas pela plataforma Cubo Play. De 11 a 13 de novembro, sempre às 20h, o público poderá conferir a montagem que discute o amor e a tolerância de maneira simples, bem-humorada e emocionante. Os ingressos estão à venda em www.cuboplay.com.br com preço único de R$ 20.

Produzida em Porto Alegre a partir de um laboratório de montagem cênica que teve participação de mais de 30 pessoas, a peça faz uma releitura de uma narrativa ciscentrada sobre transgeneridade. O roteiro teve como base o espetáculo Avental todo sujo de ovo, escrito pelo dramaturgo cearense Marcos Barbosa, mas ganhou adaptações e inserções a partir de textos autorais e relatos pessoais de diversos integrantes, incluindo o elenco formado por seis artistas trans: Artemísia Vulgaris, Cristiana Carolina dos Reis Fernandes, Dandaru Cordeoli, Magnólia Xavier, Malka Kunst e Zaire Rodrigues.

A peça conta a história de Indienne que, quase 20 anos depois de fugir de casa para conseguir ser ela mesma, decide voltar. Através de memórias, medo da rejeição, dúvidas sobre o futuro, afetos e encontros, ela luta para que ser travesti não seja sinônimo de não ter família. No reencontro com Alzira e Antero, seus pais, que dizem que sentiram sua falta, a montagem questiona o quanto eles estão dispostos a recebê-la como ela é de verdade. No texto original de Avental todo sujo de ovo, escrito por um cisgênero, a história era contada a partir da perspectiva da família. Em Quando eu me chamar Saudade, a narrativa passa a ser feita a partir do ponto de vista da personagem trans.

Com encontros presenciais e online realizados durante os últimos cinco meses, o grupo, que até então tinha pouca ou nenhuma experiência em teatro, teve aulas e exercícios para trabalhar interpretação, dramaturgia, direção, produção, iluminação e cenografia com diversos profissionais que participam do projeto, como o ator, diretor e arte-educador brasiliesense Xandre Martinelli, a cenógrafa Yara Balboni e o iluminador Ricardo Vivian.

“Conduzir esse processo como arte-educador foi, a cada momento, um exercício de mudança de olhar. Me deparei com o desafio de atualizar todo o meu arcabouço técnico-pedagógico ciscentrado para tentar promover ao grupo um espaço de segurança onde todes pudessem sentir-se livres para explorar, criar, errar e se relacionar. E o grupo me mostrou, enquanto arte-educador cisgênero, as minhas fragilidades e meus limites. E isso é aprendizagem, pra mim”, revela Martinelli.

“A participação nesse processo de criação foi de grande crescimento artístico e pessoal. Artístico porque aprendi muitas coisas do universo cênico, e pessoal porque me transformei como pessoa devido ao convívio maravilhoso com a equipe e participantes. Pude me entender melhor como mulher trans, devido às trocas e partilhas que o processo me ofertou”, conta Cristiana, que também atua como professora de ensino fundamental do Estado.

Realizado de forma gratuita, o laboratório de montagem cênica foi financiado com recursos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul por meio do Pró-Cultura RS – Fundo de Apoio à Cultura. Disponibilizado exclusivamente para travestis e transexuais residentes em Porto Alegre ou na Região Metropolitana, o projeto teve como objetivo incentivar a profissionalização nas artes cênicas e dar a possibilidade para que novas pessoas pudessem começar suas carreiras artísticas. O valor dos ingressos das apresentações será usado para pagar os custos da produção e os lucros serão revertidos inteiramente como cachê para o elenco.

SERVIÇO

PROGRAMAÇÃO ONLINE – TEATRO
Quando eu me chamar saudade
De 11 a 13 de novembro
Quinta, sexta e sábado, sempre às 20h
Online, com transmissão pela plataforma de espetáculos ao vivo Cubo Play
Os ingressos custam R$ 20 e podem ser adquiridos em www.cuboplay.com.br
Mais informações no Instagram @quandoeumechamarsaudade
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 12 anos

Ficha técnica

Arte-educador: Xandre Martinelli
Produção: Jaques Machado Produções Artísticas e Xandre Martinelli Produções Artísticas
Preparador vocal: Rogério Azevedo
Elenco: Artemísia Vulgaris, Cristiana Carolina dos Reis Fernandes, Dandaru Cordeoli, Magnólia Xavier, Malka Kunst e Zaire Rodrigues
Adaptação de dramaturgia: Hikari Yamada, Killian Domingues Batista, Alcan, Magnólia Xavier, Zaire, Cristiana Reis, Dandaru Cordeoli, Artemísia Vulgaris e Malka
Cenografia: Yara Balboni
Iluminação: Ricardo Vivian
Figurino: Artemísia Vulgaris, Malka Kunst, Rogério Azevedo e Xandre Martinelli
Adereços: Rogério Azevedo
Design Gráfico: Dídi Jucá
Intérprete de Libras: Ângelo Collioni
Assistente de produção: Lincoln Camargo
Assistente de design gráfico: Malka Kunst
Assistente de iluminação: Alcan e Fayola Ferreira
Fotos: Alessandro Quevedo
Dramaturgia base: Avental todo Sujo de Ovo, de Marcos Barbosa
Apoio: CUBO Filmes, Espaço Cultural Cerco, Loja 7200 e GETTLibras
Agradecimentos: Marcos Barbosa, Márcie Vieira, Marina Viana Auler, Agda Céu, Aiko, Lazuli, e ONG Igualdade RS
Projeto realizado com recursos do Governo do Estado do RS e Pró-Cultura/RS

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