De 4 a 26 de agosto, no Teatro Plínio Marcos (Funarte) e no Museu Nacional da República acontece o V Festival Internacional de Artes Cênicas para a Primeira Infância 

A primeira infância, que compreende os seis primeiros anos de vida de uma criança, é uma fase de descobertas e aprendizado primordial para o desenvolvimento intelectual, afetivo e social do ser humano. Ao nascer, o olhar da criança é pioneiro em relação ao mundo e contempla com todos os sentidos para criar, pesquisar e inventar. Na porta da vida, esse primeiro olhar guarda toda a memória da humanidade e a sua amplitude é o que garante a vanguarda da evolução humana.

Não é por acaso que, nesses primeiros passos pela superfície das relações, se tecem os alicerces mais profundos do que chamamos de personalidade. As mães, os pais e o entorno cuidador sabem que o tecer de uma criança é tremendamente intenso e vivo. Os espetáculos do Primeiro Olhar – V Festival Internacional de Artes Cênicas para a Primeira Infância foram criados a partir dessas percepções e nascem para festejar as fontes originarias das artes humanas.

Em 2018, o evento brasiliense chega à quinta edição – realizado em uma parceria com o Festival Cena Contemporânea – com uma programação formada por sete espetáculos: três franceses, um italiano, dois brasileiros e uma coprodução Brasil-Espanha.

“O objetivo do festival é aglutinar o melhor de diferentes formas de expressão cênica de várias partes do mundo para a primeira infância. A aproximação da arte a essa faixa etária gera numerosos pontos de encontro para a emoção e a razão”, comenta o diretor espanhol Carlos Laredo, da companhia hispano-brasileira La Casa Incierta, idealizador, junto à atriz brasiliense Clarice Cardell, do Festival Primeiro Olhar.

A programação, entre 4 e 26 de agosto, conta com apresentações no Teatro Plínio Marcos da Funarte e no Museu Nacional da República – e ainda em creches públicas, hospitais e abrigos, exclusivas para suas plateias. Também será realizada, no Espaço Cultural Renato Russo, uma oficina-espetáculo para artistas do DF com o italiano Antonio Catalano (Universi Sensibili), abordando diversas linguagens e criando uma instalação-espetáculo aberta ao público.

Programação

Oficina-espetáculo Mondo Fragile

Antonio Catalano (Itália)

Oficina de 20 a 24 de agosto, das 14h às 18h, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)

25 de agosto, das 10h às 18h: instalação-espetáculo resultante da oficina (aberta ao público)

A proposta da oficina é reunir um grupo de 20 artistas do DF, que pesquisem e realizem criações dedicadas à primeira infância, para a construção conjunta de uma instalação-espetáculo para o público familiar de adultos e crianças. Uma instalação de uma vila frágil feita com elementos naturais (grama, folhas, terra, sementes, plumas) que formam um museu sentimental, um povoado imaginário, um templo sensível a partir dos elementos da natureza, onde será realizada uma visita guiada animada pelos atores e com ações teatrais dedicadas à poesia e à maravilha.

Antonio Catalano é um multiartista italiano (ator, pintor, poeta e músico), referência internacional por sua vasta obra dedicada à infância.

www.universisensibili.it

Mokofina

Cie. Musicale Lagunarte (França)

4 e 5 de agosto, às 11h e 16h, no Teatro Plínio Marcos – Funarte

Mokofina é um momento de prazer, brincadeira, exploração, imitação e expressão, no qual a boca se torna o mais engraçado, variado e preciso instrumento musical. Próximo do público, o músico experimenta o campo dos possíveis sons da boca, com e sem acessórios, e desperta uma consciência musical em seus ouvintes que, como cada um de nós, já viveu todos esses momentos intoxicantes de descoberta.

www.lagunarte.org/fr/spectacles/mokofina

Bubuia

Coletivo Antônia (Brasília)

11 de agosto, às 11h e às 16h, no Teatro Plínio Marcos – Funarte

Experimentar, vivenciar, imaginar, sentir, escutar. Este é o convite que o Coletivo Antônia faz para bebês e crianças de até três anos com seu novo espetáculo. O grupo, conhecido por propor criações híbridas entre circo, dança, teatro e outras linguagens, trouxe para a criação uma pesquisa que vem se multiplicando nos últimos anos: a relação entre corpos e objetos, sob o olhar do circo. A dramaturgia de Bubuia, assinada por várias mãos, é um mergulho nas águas doces de Guimarães Rosa.

www.coletivoantonia.com

Pupila d’Água

Cia. La Casa Incierta (Brasília/Espanha)

12 de agosto, às 11h e às 16h, no Teatro Plínio Marcos – Funarte
7 e 8 de agosto, na Creche Cantinho do Girassol – Ceilândia (exclusivas para a creche)
9 de agosto, no Hospital da Criança

Pupila d’Água é um espetáculo histórico de música e teatro que utiliza elementos de canto lírico, percussão com objetos cenográficos e vasos de cristal, além de um repertório de elementos teatrais e de dança. Realizado pela companhia La Casa Incierta – que desde 2002 fez mais de 800 apresentações em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e cidades da Bélgica, França, Espanha, Portugal, Holanda, Itália e Rússia –, o espetáculo foi vencedor do prêmio FETEN (2005), na Espanha, e recebeu menção de honra pela ASSITEJ (Associação Internacional de Teatro para a Infância e Juventude), no Canadá, pelo caráter inovador do projeto. Em 2017, a companhia foi premiada pelo Banco Interamericano Mundial em Washington, pela relevância internacional de sua obra.

acasaincierta.com/por/creation/pupila-de-agua/

Ser você e ainda ser eu

Grupo Teatral Mão na Luva (São Paulo)

18 e 19 de agosto, às 11h e 16h, no Teatro Plínio Marcos – Funarte

Na peça, três atrizes encenam de forma poética, sem diálogos e com muita música, toda a trajetória do nascimento, crescimento e formação do ego. Objetos simples em um cenário onde acontecem cenas carregadas de poesia dão o tom da apresentação, que foi criada a partir da experiência da maternidade, da observação das relações entre bebês e cuidadores e das vivências com esse público.

grupomaonaluva.blogspot.com

Palestra: A arte e a primeira infância – Espaço de fragilidade e inocência

Com Carlos Laredo (Espanha/Brasil), Antonio Catalano (Itália) e Benoit Sicat (França)

24 de agosto, às 19h, no Centro Universitário IESB (609 Norte)

O jardim do possível

Benoit Sicat (França)

25 de agosto, às 11h e às 16h, no Museu Nacional da República

Entramos em uma instalação de minerais e plantas iluminados como pinturas no chão.

Um jardineiro silencioso trabalha em uma construção. Quando ela desmorona, o jardineiro muda seu propósito, bifurca-se e viaja em seu jardim de acordo com os materiais e as reuniões com seus visitantes. Todos vão gradualmente entender que é possível segui-lo ou traçar seu próprio caminho. Construções e destruições se misturam permanentemente e dão vida a esta área de jogo comum. Aqui tudo é possível e não importa o resultado. Participamos de um trabalho coletivo cujo único propósito é fazer juntos, compartilhar um momento entre crianças e adultos.

www.16ruedeplaisance.org/benoit-sicat/artiste/spectacles/le-jardin-du-possible

Icilá

Benoit Sicat (França)

26 de agosto, às 11h e às 16h, no Museu Nacional da República

Crianças e adultos se acomodam em um espaço vazio onde apenas um homem os espera, mãos vazias e sem decoração. Ele entra em diálogo com seus convidados, improvisando, respondendo, retomando os sons. É uma improvisação generosa e inventiva que abre nossos ouvidos e nos conecta uns aos outros.

www.16ruedeplaisance.org/benoit-sicat/artiste/spectacles/icila

Festival Primeiro Olhar – V Festival Internacional de Artes Cênicas para a Primeira Infância

De 4 a 26 de agosto, no Teatro Plínio Marcos – Funarte (Eixo Monumental – Setor de Divulgação Cultural, Lote 2, entre a Torre de TV e o Clube do Choro) e no Museu Nacional da República (Setor Cultural Sul, Lote 2 – Esplanada dos Ministérios). Ingressos: R$ 20 e 10 (meia), à venda nas bilheterias a partir de uma hora antes da apresentação. Classificação indicativa livre.

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