A palavra absurdo, em tempos de crise e choque político, parece estar por toda parte. Alguma coisa sem sentido aparente poderia ser considerada absurda, mas qualquer manifestação ocorre como uma reação a tudo que vivemos. Levamos em conta a existência do absurdo na arte por violar as leis da lógica e provar repentinamente a contradição da vida.

Poéticas do Absurdo, primeira exposição individual de Natasha de Albuquerque, fala de arte contemporânea que gera abismo no pensamento e deslizamento em nossas incompreensões. Foto-performances, instalações participativas, vídeos e propostas ambíguas para o público desfrutar se espalham por quatro ambientes da galeria. O absurdo acontece como motor das coisas, que gera agitação confusa e necessidade de mudança.

Não estamos em um mundo tão novo, mas mais perplexos com ele.

Natasha de Albuquerque

Artista, produtora, performer, fotógrafa e videomaker. Mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília, é integrante do grupo Corpos Informáticos e já participou de mais de 40 exposições coletivas, incluindo mostras de performance e vídeo-art nas cinco regiões do Brasil e internacionalmente no Chile e em Portugal; agora lança sua primeira exposição individual com trabalhos que vêm sendo construídos na última década e obras inéditas.

Em 2011, com o projeto de composição urbana Maria Pinta Buracos, conseguiu projeção ao pintar alvos na crateras das vias do DF. Gerando crítica ao governo do DF, brinca com o ironia de governantes não acertarem o alvo do que é essencial à população. Este projeto foi novamente realizado em 2017, dessa vez nas ruas de Macapá (AP), e provocou ação da prefeitura com relação ao restauro de vias que estavam esburacadas há anos.

Natasha propõe a campanha VOTE NU que visa insistir na propagação da frase como uma campanha política a favor da nudez, da liberdade e do desnudamento social e político. Nos últimos quatro anos, foram centenas de cartazes e adesivos colados nas ruas com adesão nacional de artistas, nudistas e afins pela hashtag #votenu. A artista também promove a Oficina de Nudismo em espaços onde todos são convidados a estarem nus sem qualquer estranhamento proposto às corporeidades adversas e indisciplinas do corpo. Esta oficina também acontece na exposição Poéticas do Absurdo.

A pesquisa de Natasha convida o público a participar de performances, instalações, composições urbanas e proposições sem categoria certeira. Expressão híbrida ou arte misturada, como ela mesma nomeia. Sua intenção é causar dúvida e perplexidade diante das banalidades do cotidiano e da realidade normativa, provocando riso, deboche e diversão.

A Pilastra

Fundada em 2017, com o intuito de exibir jovens artistas em desenvolvimento dentro de ambiente propício ao diálogo crítico e à troca de experiências, A Pilastra presta especial atenção à descentralização e valorização de corpos dissidentes. Atenta às discussões sobre sociedade, violências e realidades periféricas, questiona e transita territórios de testes em meio à cidade não planejada.

Os artistas representados e convidados estreitam pontos entre produção de arte contemporânea e vivências em sociedade limítrofe. Questionam as balizas e, por meio de propostas com cunho experimental nas mais diversas linguagens, entram em conflito direto com políticas vigentes.

A Pilastra, como projeto coletivo, movimenta-se na encruzilhada dos campos de atuação das artes. Representa artistas em situação de dissidência, assume curadorias de mostras coletivas e individuais, acolhe propostas de ocupações culturais e mantém os olhos abertos à juventude e à pluralidade.

A Pilastra abre-se como espaço para a livre experimentação colaborativa acessível à comunidade, com desenvolvimento de núcleos de pesquisa, promoção de cursos e atividades. Artistas, curadores e público são provocados a responder às especificidades da geografia em suas várias vertentes e o contexto social em que a galeria se apresenta.

Serviço

Exposição Poéticas do Absurdo
Abertura: 31 de outubro, às 19h
Local: A Pilastra
Endereço: QE 40, Conjunto D, Lote 38, Guará II

Visitação

01 de novembro a 31 de dezembro
Quinta a sábado, das 15h às 21h
Domingo, das 14h às 18h
Classificação indicativa: 16 anos
Gratuito para todos os públicos

Programação

Performances nos dias 31 de outubro, durante a abertura, e 30 de novembro.

Anterior Evento de startups de educação chega a Brasília neste mês
Próximo Oficina gratuita de Tambor de Crioula em Sobradinho