Mostra Pirâmide, Urubu terá programação semanal com atividades educativas junto a escolas públicas, debate com o artista e o curador Gabriel Menotti, performances, lançamento de catálogo e ficará em cartaz até 25 de agosto

Apresentada ao público de Brasília em espaços e momentos diferentes, a exposição multimídia “Pirâmide, Urubu”, criada pelo artista visual e cineasta Maurício Chades, continua neste mês de julho com nova performance a céu aberto e culmina com uma mostra nas duas cúpulas da Torre de TV Digital, de 29 de julho até 25 de agosto. A curadoria é de Gabriel Menotti.

A primeira etapa foi realizada em junho com a performance “Banho de Abdução Coletiva de Lua Cheia” realizada com sucesso de público no Córrego do Urubu. JUCA-AO-VIVO, uma segunda performance que será realizada na mesma região em 21 de julho, trata da exibição ao ar livre do curta-metragem inédito “JUCA” em versão “live cinema”, que será editado em tempo real ao longo da noite por Maurício Chades e pelo músico Ramiro Galas. A concentração será no Espaço Comunitário D’Urubu, de onde o público parte caminhando em direção ao local da projeção.

Finalmente, em 29 de julho, será aberta a exposição “Pirâmide, Urubu”. Essa, aliás, é a primeira vez que a Torre de TV Digital funciona como espaço expositivo. Na cúpula 1, serão expostas 17 obras, que surgem como partes pelo caminho na criação de dois curtas-metragens: “O Vídeo de 6 Faces” e “JUCA”. Esses trabalhos marcam um intercâmbio entre processos artísticos em artes visuais e cinema.

Os dois curtas são exibidos na Cúpula 2, onde está abrigada a instalação “Pirâmide, Cinema” – protótipo de cinema que propõe um contraponto em relação ao modelo hegemônico de sala de exibição (com tela, poltronas e carpetes sempre iguais em qualquer sala de shopping center), o que o artista chama de “cinema especulativo”.

A mostra terá programação semanal com atividades educativas junto a escolas públicas, debate com o artista e o curador Gabriel Menotti, performances, lançamento de catálogo.

O processo criativo de “Pirâmide, Urubu” começou quando Maurício Chades precisou se mover da cidade para buscar um locus para viver e montar ateliê às margens do Córrego do Urubu. Segundo o curador, na medida em que se afastou de uma Brasília, Chades se aproximou de uma outra cidade, das geometrias sagradas e dos acontecimentos espectrais, e seu trabalho se aproximou de sua vida. “Dali de cima, a figura da Capital ganha maior nitidez, e a prática cinematográfica do artista ganha outras proporções”.

O artista propõe uma recriação topológica do local. Isso está representado nos objetos coletados da paisagem e reordenados na exposição e também no impulso ficcional estabelecido ao se lançar na paisagem em transição. Esse conjunto de símbolos oferece um panorama particular no qual se percebe a hibridização cidade-campo. A exposição propõe uma reordenação deste espaço, desde os postes de luz, mourões, árvores do Cerrado até representações das relações afetivas e espaciais vividas na região em uma experiência de galeria de arte.

Outro tema abordado na mostra é a escuridão e de como ela é impedida pela iluminação urbana que se intensifica a cada dia. Segundo Chades, “Pirâmide, Urubu” propõe um deparamento com a paisagem com todo corpo e a olho nu, por meio de passeios noturnos para que o espectador apreenda o espaço por si.

PIRAMIDE, URUBU

Período: 29 de julho a 25 de agosto
Local: Torre de TV Digital
Visitação: Terça a domingo, das 18h30 às 22h
Entrada franca

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