Pedro Bienemann apresenta seu primeiro álbum solo, Ondas de Choque e Calor, unindo MPB, psicodelia e experimentações sonoras em canções que revelam autenticidade, emoção e força autoral

Colaborador de diversos artistas e projetos musicais da atual cena autoral brasileira, Pedro Bienemann (Matraca Records) pede passagem com seu primeiro disco solo: Ondas de Choque e Calor chega às plataformas digitais.

Com produção musical assinada por ele e Fernando Rischbieter, com coprodução do baterista Pedro Lacerda, o álbum apresenta dez canções compostas e interpretadas por Bienemann, num trabalho que redefine sua autenticidade estética e recheado de emoções.

Pedro Bienemann

Músico integrante da banda de Jadsa e membro fundador do duo 131 ao lado de Lumanzin, Pedro Bienemann já colaborou bastante por aí, numa estrada musical repleta de aprendizagens e experiências diversas. Essa vivência, naturalmente, ecoa em sua estreia solo, que se apresenta por meio de letras afiadas que transitam entre o pessoal e o universal, arranjos inventivos que mesclam MPB, rock psicodélico e elementos eletrônicos, abraçando com muita sinceridade temas urgentes como a exaustão geracional, o amor como refúgio e a busca por autenticidade.

“Com certeza as colaborações musicais que tive ao longo da minha carreira, como músico, influenciam direta e indiretamente nesse trabalho, assim como tudo na minha vida”, reflete Bienemann. “Eu trabalho com música e arte desde muito novo e os meus maiores mestres e mestras sempre foram os amigos e amigas que fiz ao longo dessa caminhada e tive o privilégio de trocar conhecimento. Essa coisa de tocar vários instrumentos se deu a partir daí, dos convites de tocar com pessoas e linguagens novas, instrumentos novos, muitas vezes coisas que nunca tinha feito e isso vira bagagem pra tudo que eu faço no meu trabalho solo, tanto esteticamente como poeticamente falando”, ele afirma.

Mais que um álbum, para Bienemann, Ondas de Choque e Calor é “um documento sensorial do que significa existir no século XXI – entre raiva, desejo e beleza”. Conceitualmente falando, o artista paulistano se guiou nos sentimentos motrizes da revolta e do amor ao desenvolver seu novo álbum. Isso porque são coisas que podem parecer distintas, mas que são sentimentos muito crus quando nos arrebatam.

“Eu diria que são quase incontroláveis e acredito que estejam presentes na vida de todos nós, em nosso cotidiano. Por isso se complementam. O amor pode te mostrar um outro lado das coisas e te acolher em um momento de revolta, assim como a revolta pode te impulsionar a sair de situações e questionar coisas que você já não concorda mais e quer mudar”, aponta Bienemann.

Em Ondas de Choque e Calor ele se conecta a esse momento de sua vida pessoal, de querer botar pra fora emoções profundas, insatisfações, amores e sonhos, “algumas há muito tempo guardadas na gaveta, mas também com um olhar de esperança de que as coisas irão dar certo, para todos nós. Como no verso da faixa ‘Tomando de Assalto’, que diz: ‘atravessar o seu caminho, sem esquecer o sonho em casa’”, reflete o compositor.

Para um músico que está sempre por aí, criando em coletivo, ter um disco solo totalmente sozinho nem faria sentido. Por isso na ficha técnica de Ondas de Choque e Calor duas canções ganham participações especiais: “Não Te Falta Nada”, cujo arranjo de cordas foi desenhado por Lumanzin e “Um Sinal”, canção que Bienemann divide vocais com seu amigo – e influência artística – Curumin.

O álbum traz canções compostas por Bienemann em momentos diversos de sua vida, algumas com mais de 10 anos de história e outras mais recentes, já escritas pensando no trabalho solo. Bienemann relata que esse disco “é como um resgate do meu lado mais cancioneiro, da voz e violão cru, com os arranjos contemplando as canções como elas são, como vieram ao mundo”, ele pontua.

“Na época que começamos a produzir, por volta de fevereiro de 2024, eu estava em um momento ouvindo muito Radiohead, Gilberto Gil (que pra mim é uma grande referência e está sempre tocando em casa), Arto Lindsay, Kiko Dinucci, Tame Impala… quis fazer essa mescla estética da canção popular brasileira com esses toques de psicodelia e timbres mais ‘provocadores’ e fora da caixa”, disseca Bienemann.

Como um bom aquariano, o artista seguiu seu lado mais intuitivo e inventivo, misturando coisas inesperadas, abrindo diálogos entre o mais antigo e o moderno. Durante a produção do disco outras coisas foram atravessando os produtores, que foram associando e sendo influenciados por elas. “O disco ‘Veckatimest’ do Grizzly Bear, com certeza, foi uma delas. O Fernando me mostrou durante uma gravação falando que achava que tinha a ver e eu pirei, ouvi por umas duas semanas seguidas e levei isso para a estética do disco, principalmente das vozes”, exemplifica o músico.

“Eu e Pedro nos conhecemos em 2020 e desde lá colaboramos em diversos projetos, inclusive alguns singles da carreira solo dele. Fomos criando e calibrando um norte, uma mira estética e já há algum tempo brotou esse desejo de fazer esse mergulho mais profundo no repertório do Pedro e criar esse disco. Resultou muito bonito – ao mesmo tempo que aponta para um passado, abre portas para novas possibilidades sonoras, um traço que me deixa muito satisfeito”, celebra o produtor musical e um dos diretores do selo Matraca Records, Fernando Rischbieter.

Sobre Pedro Bienemann

Pedro Bienemann é multi-instrumentista, produtor musical e compositor. Ele possui uma trajetória marcante na música brasileira, unindo experiência e sensibilidade artística há mais de uma década. Com passagens por projetos de peso da “nova cena” nacional, ele equilibra a colaboração com outros artistas e a criação de seu próprio universo autoral — onde lançou dois singles e o EP “Vulgo”, além do aclamado álbum “BABEL” (2023) com a banda 131, formado por ele e Lumanzin, sob o selo Matraca Records/YB.

Em 2025, Pedro dá um novo salto: estreia seu primeiro álbum solo, “Ondas de Choque e Calor”, com 10 faixas produzidas em colaboração com Fernando Rischbieter e Pedro Lacerda. O disco apresenta melodias fluidas e arranjos inventivos, trazendo um convite a questionar estruturas sociais enquanto explora sentimentos universais: raiva, paixão, ansiedade, desejo, fé e amor-próprio, tudo com um olhar íntimo e reflexivo.