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Ópera Adriana Lecrouvreur tem temporada gratuita em DF

Ópera Adriana Lecrouvreur
Ópera Adriana Lecrouvreur

Ópera Adriana Lecrouvreur ganha montagem inédita da Cia. de Cantores Líricos de Brasília, com entrada franca, grande elenco e homenagem ao protagonismo feminino nos palcos

Em homenagem ao Mês da Mulher, a Cia. de Cantores Líricos de Brasília apresenta a ópera Adriana Lecouvreur, de Francesco Cilea (1866–1950), em quatro apresentações especiais em março. O projeto, financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal — FAC, estará em cartaz nos dias 14 e 15, no Teatro Newton Rossi (SESC Ceilândia), e nos dias 21 e 22, no Teatro Levino de Alcântara, da Escola de Música de Brasília.

Com mais de 10 anos de atuação em óperas, musicais, concertos e montagens, num constante trabalho de pesquisa e difusão da ópera no Brasil, a companhia traz a público Adriana Lecouvrer pela primeira vez. Com direção cênica de James Fensterseifer e regência do maestro Felipe Ayala, a montagem é grandiosa: reúne uma orquestra com 24 músicos, solistas e coro, em uma produção de grande porte, com elenco ampliado e atmosfera de ‘teatro dentro do teatro’.

No enredo, a atriz Adriana Lecouvreur, interpretada pela soprano Renata Dourado e a Princesa de Bouillon, vivida por Erika Kallina disputam o amor do conde Maurizio da Saxônia, oficial brilhante e sedutor, encarnado pelo tenor Rafael Ribeiro. O confronto entre as duas mulheres revela um contraponto simbólico: de um lado, a artista livre, dona de sua voz, de sua sensibilidade e de sua presença em cena; de outro, uma figura ainda profundamente vinculada aos modelos tradicionais de poder e hierarquia social. A rivalidade, como convém a uma boa ópera, culmina em tragédia. Mais do que uma história de amor e ciúme, aborda luta por liberdade, expressão e protagonismo.

A temporada representa uma oportunidade para o público apreciar uma forma de expressão artística que ainda aparece de maneira pontual nos palcos da capital federal. A ópera integra diferentes dimensões do espetáculo cênico: canto lírico, interpretação dramática, música instrumental, cenografia e figurino em uma narrativa de forte intensidade emocional.

Inspirada em fatos

A ópera resgata a história da célebre atriz francesa do século XVIII Adrienne Lecouvreur. “Essa ópera é muito importante no cenário operístico, até porque Adriana Lecouvreur, realmente, existiu. Ela foi uma mulher forte em sua época e simboliza o poder feminino e a liberdade da artista de se expressar. Por isso faz tanto sentido apresentá-la no mês das mulheres. Como artista eu me sinto profundamente conectada a ela. Para mim, ela não é apenas uma personagem do passado: é uma mulher absolutamente atual”, afirma Renata Dourado.

Pilar do repertório verista italiano, a obra é marcada pela intensidade dramática e pela emoção dos personagens, alternando momentos de leveza e comicidade, com a trupe teatral em cena, e passagens de maior densidade trágica, concentradas no núcleo central da protagonista. O espetáculo tem cerca de duas horas de duração, em versão adaptada para maior fluidez, aproximando ainda mais a experiência do público.

Com libreto de Arturo Colautti, a ópera é baseado na comédia de Eugène Scribe e Ernest-Wilfrid Legouvé.

Elementos de destaque

Na construção visual do espetáculo, cenário e figurino desempenham papel fundamental na ambientação e no desenvolvimento dramático da história. O cenário, assinado por James Fensterseifer e figurino por Stéphany Dourado dialogam com o universo teatral da protagonista e recria a atmosfera de um grande teatro de época.

A encenação alterna os bastidores de um antigo teatro, evocando o espaço artístico onde Adriana constrói sua trajetória como atriz, e uma casa de campo. A mudança de ambientes reforça o contraste entre o mundo público do palco e os conflitos íntimos dos personagens.
Embora criada no período romântico, a encenação transporta a trama para os “anos loucos” de 1920, época das chamadas melindrosas: mulheres que desafiaram padrões ao adotar vestidos mais curtos e maior autonomia social. Os figurinos, criados por…, acompanham essa proposta estética ao revisitar os códigos visuais da época sem deslocar completamente a obra para o presente. Assim, a criação estabelece um diálogo entre passado e contemporaneidade, reforçando a atmosfera histórica da montagem.

Sobre a Companhia

A Cia. de Cantores Líricos de Brasília nasceu profissionalmente em 2014, fundada pela soprano Renata Dourado e pelo barítono Gustavo Rocha. Desde então, o grupo vem consolidando uma trajetória dedicada à difusão da ópera e da música lírica no Distrito Federal, reunindo cantores profissionais e um coro formado também por integrantes da comunidade.

Em 2015, a soprano Erika Kallina passou a integrar a companhia e, em 2022, juntaram-se ao grupo os tenores Rafael Luiz Ribeiro e Vittor Borges. Além das montagens cênicas, a companhia desenvolve projetos de formação de plateia, levando a ópera a escolas públicas do DF. Ao longo de sua trajetória, já apresentou títulos marcantes do repertório operístico internacional, como Carmen, As Bodas de Fígaro, L’elisir d’amore e João e Maria, entre outros.

Serviço:

Ópera Adriana Lecrouvreur
Teatro Newton Rossi (SESC Ceilândia)
Dias 14 e 15 de março, sábado e domingo, 19h.
Teatro Levino Alcântara (Escola de Música de Brasília)
Dias 21 e 22 de março, sábado e domingo, 19h.
Classificação indicativa: 12 anos
Sessões com acessibilidade: libras e audiodescrição.
Entrada franca.