O som belo e misterioso do teremin


Lydia Kavina mostra em Brasília o som belo e misterioso do teremin

Nas principais listas realizadas sobre instrumentos musicais curiosos, seja em revistas ou internet, o Teremin aparece pela sua surpreendente sonoridade e, mais que isso, pelo fato do músico tocar o instrumento sem tocar literalmente em nada, apenas controlando seus gestos. Um dos primeiros instrumentos musicais absolutamente eletrônicos criados na história, o Teremin aos poucos começa a ganhar popularidade por grupos de música pop e trilhas de cinema e balé. Recitais solo, contudo, principalmente no Brasil, são muitos raros.

Se surpreender e mostrar diversidade sonora têm sido características do Solo Música, projeto que faz em 2 de agosto, terça-feira, às 20 horas, na Caixa Cultural, uma ponte para que a plateia de Brasília conheça melhor este instrumento e através de uma virtuose: a russa Lydia Kavina, que teve como primeiro professor Lev Sergeevich Termen, conhecido no ocidente como Leon Theremin, o inventor do instrumento. Além do recital, Kavina faz em Brasília um workshop livre, dia 3 de agosto, quarta-feira, na Casa Thomas Jefferson.

Não será esta a primeira vez que Lydia Kavina estará se apresentando em Brasília. Em 199, Lydia mostrou seu trabalho no Festival de Música Eletrônica de Brasília e tocou a “Primeira Suíte Aerophonica, para Teremin e Orquestra”, de Joseph Schillinger, sob regência de Jorge Antunes. Esta será, contudo, sua primeira apresentação solo na cidade. “Lydia Kavina é sobrinha neta de Theremin. Aprendeu com ele o instrumento, quando tinha nove anos. E como artista é virtuose, com trabalhos importantes com orquestras e música contemporânea”, destaca Alvaro Collaço, produtor do Solo Música.

O repertório que Lydia Kavina fará no Solo Música traz composições originais para Teremin e variações escritas pela própria artista. Ela traz obras originais de compositores pouco conhecidos no Brasil como os russos Andrew Popov e Olesia Rostovskaya, a música do equatoriano Jorge Campos, da norte-americana Lydia Ayers e do brasileiro Jorge Antunes – “Mixolydia”, escrita especialmente para Kavina. Entre as variações, Kavina tocará um Canon de Johann Pachebel e a mais popular música do americano Alexander Courage, o tema do seriado “Star Trek” (“Jornada nas estrelas”).

Gestos com precisão

A russa Lydia Kavina mora na Inglaterra. Iniciou seus estudos de Teremin aos 9 anos, com o próprio Leon Theremin, estudou piano e formou-se em composição e teoria musical pelo Conservatório de Moscou.Como solista, atuou junto a orquestras importantes como a Orquestra Sinfônica de Londres, a Orquestra de Concertos da BBC, a Orquestra da Rádio Holandesa, a Filarmônica de Dusseldorf e a Orquestra Filarmônica da Rússia. Teve concertos sob regência de maestros importantes como Vladimir Spivakov, Charley Hazlewood e Reinbert de Lewes. Fez concertos sobre a música dos filmes de Alfred Hitchcock e Tim Burton, participou das montagens de balé, teatro e musicais, entre os quais a montagem de “Black rider”, de Tom Waits e Robert Wilson, realizada na Alemanha, em 1992 e 1998 em Hamburgo e Cologne.

No campo da música contemporânea, Kavina atua como intérprete e compositora, tendo seu Concerto para Teremin e Orquestra Sinfônica estreada em 1997 pela Boston Modern Orchestra, sob regência de Gil Rose. A artista gravou diversos CDs por selos como Mode, Wergo, Solnze e Teleura e gravou para diversas trilhas de cinema, entre as quais “Ed Wood” e “eXistentnZ”, música de Howard Shore, e “The Machinist”, de Roque Banos.Ela aperece no filme “Me and Kaminsky”, de Wolfgang Becker, no papel de uma teremista.

O instrumento

O Teremin foi criado em 1920 pelo físico e músico russo Leon Theremin, originado a partir de pesquisas sobre sendores de proximidade, projeto financiado pelo Governo Russo. Leon Theremin divulgou o instrumento nos Estados Unidos nos anos 20 e o patenteou em 1928. Theremin cedeu, depois, os direitos a RCA, que em 1929 lançaria o Thereminvox. De imediato, o instrumento fascinou plateias, a partir das apresentações de Clara Rockmore. Em 1938, Leon Theremin deixou os Estados Unidos e só apareceria publicamente 30 anos depois na Rússia. Quanto ao instrumento, após um período de desuso, retornaria a gerar interesse de músicos no final dos anos 50, através de Robert Moog, que desenvolveu o instrumento, publicou artigos e vendeu kits para construção. O instrumento aparece em trilhas de Miklós Rozsa e Bernard Herrmann.

O Teremin é um instrumento raro, porque tocado sem contato físico. O músico se posiciona frente ao instrumento e move suas mãos perto das antenas de metal do instrumento, geralmente com a mão da esquerda regulando volume e a da direita regulando a frequência. O Teremin faz uso de um circuito eletrônico com dois osciladores heteródinos de rádio, um com frequência fixa e outro controlado pela mão, que funciona como uma placa aterrada e determina a frequência. Atualmente, os principais Teremins do mundo são da marca Moog, sendo o mais comum o Etherwave Moog. No Brasil, há a produção de teremins pela empresa RDS, de Minas Gerais.

A apresentação de Lydia Kavina na Série Solo Música, em 2 de agosto, às 20 horas, tem patrocínio da CAIXA e Governo Federal e é uma realização de Alvaro Collaço Produções com produção local de Tatiana Carvalhedo Produções. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) podem ser adquiridos a partir do sábado anterior à data do evento, na bilheteria do Teatro da CAIXA, na CAIXA Cultural Brasília. A bilheteria da CAIXA Cultural Brasília abre de terça a sexta-feira e domingo, das 13h às 21h; sábado, das 9h às 21h. Informações: 3206-6456 (bilheteria). A classificação indicativa é de 12 anos.

Já o workshop na Casa Thomas Jefferson ocorre dia 3 de agosto, às 20 horas, com entrada franca. A Casa localiza-se no Conjunto B S/N. O fone é 3442-5523. A entrada é franca.

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