Edson Beserra apresenta o espetáculo “O Homem na Prancha” nos dias 17 e 18 de novembro no Espaço PÉ DiReitO (Vila Telebrasília) com entrada franca. O bailarino brasiliense que já integrou importantes companhias de dança brasileira mergulha em um resgate ancestral onde se inspira no quadro “Navio Negreiro” do pintor inglês William Turner, e no conto “O Horla” do francês Guy de Maupassant.

A opção pelo cenário fantasmagórico tem como referências tanto as obras que são a gênese do trabalho quanto a busca biográfica do multiartista, que além de intérprete, assina a direção, concepção e coreografia do espetáculo. Edson Beserra conta com a assistência de direção de Marcos Buiati. O espetáculo estreou no Rio de Janeiro, passou por São Paulo, e depois de estrear em Brasília, vai circular por outras cidades brasileiras. A circulação é patrocinada pelo Fundo de Apoio a Cultura do DF (FAC-DF).

A confluência dos movimentos da água e do vento, assim como da incidência de luz foram os motes dramatúrgicos para a construção do vocabulário coreográfico de “O Homem na Prancha”. As pinceladas impressionistas de Turner aparecem em cena por meio dos movimentos diluídos da água e das nuvens provocados pela ação do vento. As inquietações da personagem central do conto de Guy se desenvolvem com a sensação de uma presença não-física que o perturba, presença esta que é percebida pela queda de temperatura provocada pelo vento. No palco, Edson se inspira nesse vento para também apresentar uma construção do seu vocabulário de movimentos.

Edson Beserra aproxima a criação artística pelo processo autobiográfico. O “Navio Negreiro” de Turner o fez mergulhar em busca de sua ancestralidade onde encontrou em seus movimentos o seu corpo negro, aquele que alia ao corpo que vê nos terreiros de Candomblé. “Peço uma licença poética à falange de marinheiros da Umbanda. Os marinheiros são espíritos que dedicaram suas vidas aos oceanos, vinculadas ao trabalho em embarcações. A manifestação física destes espíritos se caracteriza pela sensação figurativa de estar em alto mar. O cambalear natural das ondas é predicado marcante no comportamento dos que os incorporam e serviu para mim como norteador da sensação de estar em alto mar”, revela. “O homem na prancha é o estado latente do homem que não sabe se lança-se ao desconhecido ou não”, completa o bailarino.

Toda a atmosfera fantasmagórica da obra de Maupassant, bem como as cores da obra de Turner, são reforçadas pela iluminação de Emmanuel Queiroz. Em “O Homem na Prancha”, a luz não é só uma alegoria cênica e assume um papel de protagonista ao lado do movimento.

Sobre Edson Beserra

Edson Beserra atuou como bailarino em algumas das principais companhias de dança do País, como Grupo Corpo Cia de Dança, a Cia de Dança Deborah Colker e a Quasar Cia de Dança. Em 2011, fundou o coletivo de produção e criação Composto de Ideias e, desde então, atua como coreógrafo, professor, diretor e bailarino. Seus projetos de criação e circulação em dança foram aprovados nos editais da OI, Caixa Cultural, FAC/DF, Funarte e O Boticário na Dança e vem sendo apresentados em Festivais por todo o Brasil. Como produtor e gestor atuou em festivais como Satélite 061 24h no ar, a Mostra CCBB Em Cartaz e Dança França Brasil, além diversas temporadas de espetáculos de dança e projetos apoiados pelo FAC e Funarte. Também foi ator, diretor e criador do espetáculo Liberdade Assistida, contemplado pelo Prêmio Afro 2017. Atualmente, além de estar em circulação com o espetáculo O Homem na Prancha, também está em criação de O Vazio é cheio de coisa, para Cia Nós no Bambu, que tem estreia prevista para outubro de 2018. Na montagem, Edson assina direção, coreografia e concepção geral.

Serviço

O Homem na Prancha
Datas: 17 e 18 de novembro (sábado e domingo) às 20 horas
Local: Espaço PÉ DiReitO (Rua 1 – Casa 23 – Vila Telebrasília)
Entrada franca
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 40 minutos.

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