Fotógrafo, arquiteto e urbanista alemão Markus Lanz radicado em Brasília apresenta na Hill House obras que lidam com tensão entre arquitetura e fotografia

No próximo dia 23 de maio, das 19h às 22h, a Hill House inaugura a mostra “Ao sul do Equador”, do fotógrafo, urbanista e arquiteto alemão Markus Lanz. Com 30 fotografias, a exposição apresenta um recorte da produção do artista que pensa a imagem a partir de como percebe o espaço, quer seja a natureza quer seja o ambiente urbano, marcada pelo deslocamento geográfico. A mostra fica em cartaz até o dia 30 de junho, com visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h, exceto feriados. A entrada é gratuita e a classificação indicativa é livre para todos os públicos. A Hill House fica no Casapark, Piso Térreo, lojas 125/126, Brasília-DF. Telefone: (61) 3363-5273.

Morando em Brasília desde 2016, Markus Lanz passou a visitar o Brasil com regularidade a partir de 2011. “Trocar Munique por Brasília desencadeou em mim um rico processo antropofágico. A mudança de hemisfério; o distanciamento do velho mundo; a imersão em um novo e instigante contexto cultural; o dia a dia nessa cidade tão peculiar, nessa utopia construída; o deslumbramento com a singela beleza do cerrado; a paternidade nos trópicos. Tudo isso aguçou a minha capacidade de perceber e de ressignificar o que vejo. Expandiu minha liberdade criativa. E me aproximou da minha arte”, afirma o fotógrafo.

Paralelamente ao seu trabalho artístico, Markus se dedica – como fotógrafo e como docente – a registrar a vida nas cidades e a investigar os espaços urbanos como palco para as infinitas narrativas do cotidiano. A fotografia é um ponto de partida para possíveis narrativas, ressalta Markus Lanz. “A imagem é deflagradora de especulações sobre as coisas e de reflexões sobre o que vemos, como o início de um enredo que parte da visão, estimula todos os nossos sentidos”, explica. Em “Ao sul do Equador”, título inspirado na música de Chico Buarque, traz para a Hill House seis séries realizadas nos últimos seis anos pelo artista.

As fotografias da série BLOSSOM (2013) mostram plantas e flores que, retiradas de seu contexto espacial, permanecem intocadas apenas em seu contexto temporal. A decomposição dessas plantas foi fotografada diariamente. O processo de decomposição em si interessava menos do que os infinitos momentos únicos que o compõem: esse milésimo de segundo de resistência e preservação fugazes. “As fotografias mostram a fragilidade dessas plantas em suspenção, a tensão das folhas que pouco a pouco se fecham, a perda gradativa da cor, as sobreposições dos galhos que secam. Além disso, o surpreendente movimento ascendente dessas flores, em suposta luta contra a ação da gravidade, desperta estranhamento e afasta o trabalho de uma intenção documental“.

Em DICKICHT (2013), Markus Lanz investiga os mecanismos individuais de apreensão e compreensão daquilo que enxergamos. A série Reflete sobre o visível a partir de sua descrição. Depois da árvore, da folha, do galho, do tronco, do verde, faltam palavras para descrever a complexidade do que vemos. “A partir daí, se ousamos nos aprofundar na obra, passamos a tecer uma série de histórias, a perceber fragmentos ocultos de possíveis enredos, a descobrir referências da História da Arte na composição da imagem.“

“A partir dos vestígios deixados pelos homens, a arqueologia tenta revelar as formas de vida de uma determinada época. A série MARMOR I (2016 – 2017) especula sobre uma possível arqueologia futura do nosso presente”.

“Construir, para destruir, para reconstruir… Fazer, desfazer, refazer… Eis do que nos ocupamos há séculos. Nós, seres produtores de cultura. Nessas idas e vindas, deixamos rastros. MARMOR II (2016 – 2017) traz rastros de nossa insatisfação permanente, de nossa incompletude, de nossa inconstância. Vestígios visíveis. Passíveis de interpretações. E de reinterpretações infinitas”.

PORTRAIT (2017) “A produção de portraits tem uma longa tradição na História da Arte. Além de retratar pessoas, essas obras de arte revelam, também, aspectos do contexto histórico no qual foram produzidas. Nos tempos atuais, seduzidos pelo virtual, abduzidos pelo digital, voltamos permanentemente nosso olhar para o ausente. Desaprendemos a enxergar e a apreciar nosso entorno imediato. Nos privamos de qualquer contexto”.

“As fotografias da série BRASÍLIA (2013 -) aqui apresentadas são parte um ensaio fotográfico maior sobre Brasília, ainda em andamento, no qual venho trabalhando desde 2013. O que me norteia nesse ensaio são as seguintes questões: Como é possível narrar uma cidade em sua complexidade? Como é possível revelá-la para além do clichê? Que diferentes camadas compõem esse espaço ao qual damos o nome de cidade? O aqui encontrado também integrou o planejamento de Lucio Costa. Escala Bucólica. Como parte da vida cotidiana. Inspiração. O espaço em permanente mudança. O espaço que nos envolve. No qual estamos imersos. “Putting Allspace in a Notshall”.

Sobre o artista

Markus Lanz é arquiteto e urbanista graduado pela Universidade Técnica de Munique – TU Munchen -, Alemanha. Desde 2001 é professor da mesma instituição. Desde 2008, dedica-se à fotografia e em 2009 fundou o coletivo de fotografia Pk. Odessa Co, Fotografie von Raum Haus, Stadt, Landschaft (PK Odessa Co, fotografia, espaço, casa, cidade e paisagem).

Em 2011, foi professor visitante da disciplina Cidade e Fotografia na Universitat Politècnica de Catalunya, Barcelona e professor visitante da disciplina Stadtraum und Stadtbild (o espaço e a imagem urbanas) na TU München. Como fotógrafo realizou as mostras Mármore, exposição individual na Galeria Schlegel. Munique, 2016; Lina Bo Bardi; colaboração por meio de fotografias; The Watari Museum of Contemporary Art. Tokyo 2015; Ins Bild Setzen; exposição coletiva, com Pk-Odessa Co, Bayerischer Architektenkammer, Munique 2015; Nachtsicht; exposição coletiva.

Munique, Nuremberg 2015; Lina Bo Bardi, colaboração por meio de fotografias, Architecture Museum, Pinakothek der Moderne. Munique, 2014; Provisorium; exposição coletiva, Schaustelle of Pinakothek der Moderne, Munique 2014; Prémio de Arquitetura, Fotografia para HOT Architekten, com Pk. Odessa, Museu Alemão de Arquitetura (DAM), Frankfurt 2014; The secret life of plants; exposição individual do coletivo Pk. Odessa Co, Kunstpavillon im Alten Botanischen Garten.

Munique 2013; Theodor Fischer, Stadträume; exposição individual do coletivo Pk Odessa Co. Architekturgalerie Munique 2012; Mumbai Disclosing City; exposição individual do coletivo Pk Odessa Co. TU Munique 2010; Sehnsucht; colaboração com Simon Schels, Bienal de Arquitetura de Veneza, Pavilhão da Alemanha 2010

Multiple City – colaboração por meio de fotografias, Hamburgmuseum, Hamburg 2009;

Multiple City – colaboração por meio de fotografias, Architecture Museum, Pinakothek der Moderne, Munique 2008. Suas fotografias foram publicadas em revistas e livros como: Künstlerinnen kuratieren; Tatiana Trouvé + Lina Bo Bardi. ARTE, prev. 01.2019; Porous City; Birkhäuser Basel 2018; Lina Bo Bardi; TOTO Publisher, Tokyo 2018; Jaretti & Luzi; com Pk.Odessa Co, Schmutz Fiederling. Park Books, Zürich prev. 2018; Werk, Bauen + Wohnen, (03-Arch, Palais Mai, Th. Fischer), Verlag Werk. Zürich 2017; AV Monografías; Lina Bo Bardi, 1914-1992. Arquitectura Viva 2015; Performative Urbanism; Jovis, Berlim 2015; entre outros. Também foi curador das mostras Mumbai Disclosing City; com Pk Odessa Co. TU Munique, 2010; e A toda costa; Architekturgalerie Munique, 2007.

Serviço

Ao sul do Equador
Mostra fotográfica
De Markus Lanz
Abertura: 23 de maio, das 19h às 22h
Local: Hill House, CasaPark, Piso Térreo, Lojas 125/126
Brasília-DF.
Telefone: (61) 3363-5273
Exibição: até 30 de junho
Visitação: De segunda a sábado, das 10h às 22h.
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos

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