Documentário Mangueira em 2 Tempos, de Ana Maria Magalhães sobre a Mangueira estreia nos cinemas em 5 de agosto

Mangueira em 2 Tempos foi laureado com o Prêmio de Melhor Documentário no INYFF – International New York Film Festival, obteve Menção Honrosa no LABRFF – Los Angeles Brazilian Film Festival e Honra ao Mérito no Docs Without Borders Film Festival. Longa revisita amigos de infância que formaram a escola de samba mirim do morro nos anos 1990.

Em 1992, a diretora Ana Maria Magalhães realizou o vídeo-documentário Mangueira do Amanhã, que mostra a influência do samba na vida das crianças, a formação da escola mirim e o desfile de carnaval daquele ano. O vídeo documenta a tradição cultural transmitida pelos mais velhos para incentivar as crianças a desenvolverem seu talento.

A ideia de realizar MANGUEIRA EM 2 TEMPOS surgiu nos encontros ocasionais da diretora com Wesley, hoje mestre de bateria da escola, que lhe dava notícias de seus amigos mais próximos. Eram crianças que ela conhecera durante as filmagens do vídeo e com quem estabelecera laços de confiança e amizade. Desde então, Ana Maria se interessou em acompanhar os seus percursos, mas a ideia de continuar a narrativa partiu de Wesley. Naquele período ela achou que ainda era cedo para que as suas histórias de vida pudessem ser vistas em perspectiva. O projeto nasceu vinte anos depois.

A pesquisa foi iniciada pelas entrevistas de Wesley e Danielle e foi com surpresa que Ana Maria soube que as filmagens do primeiro documentário foram os momentos mais felizes de suas infâncias. Na época, ouvir aquele menino magrinho de 12 anos dizer com um brilho no olhar que queria ser músico soou como possibilidade remota. É impressionante ver como ele realizou seu intento chegando ao comando da bateria. Já o Ailton (Buí para os amigos), não poderia imaginar que aquele garoto de seis anos que tocava em lata de óleo vazia, seria percussionista na China.

Mas as histórias de vidas são encobertas pelo contexto social e ao realizar o documentário a diretora foi motivada a revelar a expressão do talento e da criatividade em condições adversas, pelo desejo de ultrapassar as fronteiras da nossa linguagem musical com a fusão de samba, funk e jazz brasileiro. Esses ritmos de origem africana foram executados conjuntamente por instrumentistas de formação tradicional e percussionistas da Mangueira, realçando suas contribuições à nossa musicalidade.

A introdução do funk nos desfiles da Mangueira por um grupo do qual Wesley fez parte sugere a conexão entre samba e funk que têm em comum os 2 tempos da marcação do ritmo. Como expressão universal, a música considera que o encontro entre as diferenças é elemento de desenvolvimento e fator de união.

Ana Maria tem forte ligação com a Mangueira, já que ela participou da comissão de carnaval no ano em que a escola homenageou Tom Jobim e tem amigos na comunidade.

Este é também um filme sobre o Brasil negro representado nas escolas de samba. Seus compositores fizeram história na música popular com canções conhecidas do grande público.

MANGUEIRA EM 2 TEMPOS foi patrocinado pelo Banco Itaú, Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. O filme estreia nos cinemas das principais cidades brasileiras em 05 de agosto.

Ana Maria Magalhães: Nascida no Rio de Janeiro em 1950, Ana Maria Magalhães atuou em importantes filmes brasileiros: “Como era gostoso o meu francês”, de Nelson Pereira dos Santos; “Lucio Flavio, o passageiro da agonia”, de Hector Babenco e “A Idade da Terra”, de Glauber Rocha.

Sua mais recente atuação foi no filme “O Estranho Caso de Angélica”, do aclamado diretor português Manoel de Oliveira, que foi selecionado para a mostra “Um Certo Olhar” no Festival de Cannes de 2010. Atuou também em novelas de TV como “Gabriela” e “Saramandaia” da Rede Globo.

Como diretora, seu primeiro filme foi “Mulheres no Cinema”, documentário sobre as mulheres cineastas do Brasil. A seguir, realizou o documentário sobre Leila Diniz, “Já que ninguém me tira pra dançar”, uma das primeiras produções independentes veiculadas pela televisão brasileira, e alguns curtas de sucesso, entre eles, “Assaltaram a gramática”. Dirigiu também o longa-metragem “Lara”, cinebiografia da atriz Odete Lara.

Seu filme “Reidy, a construção da Utopia” foi premiado no Festival do Rio (Melhor Documentário de Longa-Metragem) e no Cine Eco Seia (Prêmio Pólis), em Portugal e a série de cinco episódios “O Brasil de Darcy Ribeiro”, recebeu o prêmio de Melhor Série Documental pela TAL TV – Televisión de America Latina, em 2015.

MANGUEIRA EM 2 TEMPOS

Brasil, 2019, 90 min
Produção, Roteiro e Direção: ANA MARIA MAGALHÃES
Direção de Fotografia: JAQUES CHEUICHE
Som: TIAGO TOSTES e PEDRO SÁ EARP
Edição: TERÊNCIO PORTO
Música Original: FERNANDO MOURA
Canção: SALA DE RECEPÇÃO, de Cartola, cantada por CHICO BUARQUE
Produtor de Finalização: ADE MURI
Produção: NOVA ERA
Co-Produção: CANAL BRASIL
Distribuição: ARTEPLEX FILMES
Entrevistados: MESTRE WESLEY, ÉRIKA, BUÍ DO TAMBORIM, DANIELLE, MICHELE, TATHY
Participações: ALCIONE e IVO MEIRELLES

Sinopse:

Depois de quase trinta anos, Mangueira em 2 tempos revisita amigos de infância retratados no vídeo “Mangueira do amanhã”, sobre a escola de samba mirim. Suas histórias revelam as circunstâncias brutais da vida dos moradores das favelas do Rio de Janeiro, mas também de seus surpreendentes destinos. Mestre Wesley se inspira na musicalidade local para realizar a carreira de percussionista. A narrativa de sua trajetória explora a conexão entre samba e funk, ritmos marcados pelas batidas em 2 tempos e propõe o diálogo entre o jazz e a percussão da Mangueira.

NOVA ERA – PRODUTORA

A Nova Era Produções realiza projetos audiovisuais que visam contribuir para a afirmação e divulgação de expressões artísticas relevantes, a provocar a reflexão sobre questões socioculturais e a temática feminina pela interseção entre Memória e Cultura Contemporânea. Seja pela escolha do tema ou forma de abordagem, suas obras buscam o diálogo com a sociedade sobre a nossa identidade e diversidade. Com dezesseis prêmios, inclusive em festivais internacionais, atualmente finaliza a remasterização do documentário “Já que ninguém me tira pra dançar”, sobre a atriz Leila Diniz.

CANAL BRASIL – COPRODUTOR

O Canal Brasil é o principal coprodutor de cinema brasileiro, com 362 longas-metragens coproduzidos em mais de uma década. Além da importância pelo volume de obras, a curadoria e o olhar apurado do canal para o cinema independente vêm se destacando, com a presença cada vez mais constante e consistente destes títulos nos principais festivais internacionais de cinema do mundo. Eventos de grande prestígio, como as mostras de Berlim, Cannes, Veneza e Sundance, entre outros, vêm concedendo láureas às produções nacionais das quais o canal é parceiro.

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