O Rio de Janeiro como capital pop brasileira sempre foi definido por suas mulheres. Das ‘passarelas’ de Ipanema aos biquínis asa-delta do Leme ao Pontal às garotas sangue bom, o rosto carioca sempre foi o de uma de suas garotas. A vez é a de Malía, que lança seu primeiro trabalho cheio, “Escuta”.

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Ela foi “It Girl” de O Globo, o clipe do primeiro single que lançou alcançou logo mais de meio milhão de visualizações, sua apresentação no camarote Arpoador, no Carnaval, foi ponto alto em opinião unânime e sua música de trabalho entra na nova temporada da novela “Malhação”.

Tudo isso porque Malía é escancaradamente verdadeira. Por onde passa, seu carisma grita, como em reportagens apontando o poder de hipnose de sua presença.

Ao se vestir, é uma camaleão. Mas nada do que usa é à toa. O mesmo vale para seu cabelo. E no que mais importa, a música, ela não conhece meias-verdades. Além do texto confessional, Malía faz música para valer, mesclando Elis Regina, Alcione ao hip hop e R&B internacional e o beat mesclado ao orgânico.

Assinou com a Universal Music e GTS, que é responsável pela gestão de sua carreira em parceria com a Arte Omnes. Agora lança em versão completa seu primeiro trabalho. Nas plataformas digitais de áudio, o trabalho é o registro em estúdio de 10 faixas. Na totalidade de aproveitamento da presença de palco e performance, “Escuta” é lançado também em audiovisual, em apresentação ao vivo que aconteceu no Parque das Ruínas, no bairro de Santa Teresa, no Rio, com uma faixa bônus.

Com Jão, ela divide vocal em “Dilema, primeiro single. Rodriguinho, d’Os Travessos, é o segundo convidado em “Escuta” e canta com ela “Feeling”. Há uma versão que é a cara da artista, “Faz uma Loucura por Mim”, de Alcione.

Ela vem da Zona Oeste, da comunidade Cidade de Deus, mas Malía começou no coletivo criativo Duto, do bairro de Madureira, na Zona Norte carioca. Foi revelada ao lado de QXÓ, Ramonzin e outros novos talentos como a forte voz feminina na afirmação da música urbana, no R&B e hip hop. A cantora está ligada à cultura de rua à mesma medida em que mistura samba, funk e MPB.

Malía, por Zeca Camargo

A gente está sempre procurando uma coisa nova para ouvir. Alguém te recomenda uma banda nova e diz: “o som deles é parecido com o daqueles caras”. Você escuta uma voz desconhecida no rádio e pensa: “Isso me lembra aquela cantora que eu adorava”. Mas e quando você ouve algo que é totalmente diferente… e se apaixona? Tipo Malía.

Esse nosso ouvido é tão viciado que quando surge uma voz realmente diferente a gente até estranha. Mas é um estranhamento do bem, que faz você se lembrar porque gostou de música pop um dia na vida. Uso o “rótulo” pop porque não faz sentido “fechar” o som de Malía em um compartimento menor. O que ela canta é pop sim, e tudo de bom que vem com ele: alegria, transformação e movimento. E até emoção – quando você começar a prestar atenção nas letras.

Não pense que uma faixa chamada “Fashion” vai falar do que Malía usa sobre a pele… Pelo contrário, ela desfila o que está por dentro do seu corpo e sua mente: “Desfilando amor próprio, formando o front, autenticidade, baby, tá chovendo um monte”. E se alguém ainda tiver dúvida da sua autenticidade, basta os primeiros versos de “A tal da paz” para te convencer de que ela sabe muito bem o recado que quer passar: “Vou ser sempre eu mas com certeza não serei sempre a mesma”. O mais lindo? É que suas mensagens são dadas com a voz mais envolvente que você vai ouvir este ano. E no próximo… e no seguinte…

Mas voltando ao pop de Malía, nele cabe tudo. Uma parceria com Jão? Tome “Dilema”! Rodriguinho – de quem ela era fã desde criança – puxa dela o melhor do rap. E se a ideia é criar um clima, experimente ouvir “Zumzumzum”: “Me acorde com um bom dia que eu te mostro um zumzumzum”, repete ela, instalando imediatamente na sua memória um refrão que você não vai cansar de ouvir.

E aí tem o estilo né? Seja com seus cachos explodindo de beleza e energia, ou com as tranças feitas – ela faz questão – na Pavuna, quando Malía entra no palco é como se sua figura fossa uma distração tentadora. Hipnotizado, você quase se esquece de que ali na sua frente tem alguém que vai cantar – e cantar muito.

Então Malía pega o microfone e você é obrigado a admitir que já era seu refém mesmo antes de ela soltar a primeira nota. Tudo novo e tudo bom. Vale a pena até recomendar para quem ainda tá procurando aquela nova sensação!

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