A Galeria Karla Osorio apresenta a mostra individual Longe de Tudo da artista eslovaca Lucia Tallova representada pela galeria, cuja abertura será dia 29 de maio, quarta-feira, 19h

Desde a última semana de abril e até meados de junho, a artista (Galeria SODA, Bratislava) está em residência artística na sede da galeria em Brasília. Em intenso processo de pesquisa e estudos, a artista tem desbravado a capital e seu entorno se apropriando de sua história, passado e presente, em busca de material para produção de novas obras a serem criadas, em sua maioria, no Brasil, onde vem pela primeira vez.Durante sua estada Tallova recebeu acompanhamento curatorial do professor Marco Antonio Vieira (doutor pela UnB História das Artes) e trabalha em ateliê oferecido pela própria galeria.

Sobre a exposição

Os temas e motivos da pesquisa da artista assumem o proscênio de sua fabulação poética dos materiais coletados localmente e dos quais se apropria para o preenchimento das lacunas deixadas, por exemplo, pelas fotografias que se extraem de publicações antigas como a revista O Cruzeiro, cuja circulação coincide com o período da fundação da cidade de Brasília, ou enciclopédias antigas nas quais a artista busca sintomas de uma história de objetificação e rebaixamento da mulher.

Todo o elemento documental é objeto de atuação ou interferência poética em sua obra e a arquitetura modernista de Brasília ressurge fragmentada em meio às fotografias de trechos arquitetônicos e as pinceladas da artista, cujo solo de partida é invariavelmente a pintura. Suas telas ou as pinturas que produz sobre papel antigo, figuram em mostras resultantes de residências que já vivenciou no Japão e nos EUA também e carregam a particular visão da artista de motivos herdados do Romantismo histórico, situado na fronteira entre os séculos XVIII e XIX.

A lógica da apropriação, do objet trouvé (objeto encontrado e da assemblage que se define pela reunião de colagens e materiais tridimensionais), domina as instalações concebidas pela artista em que se conjugam peças de mobiliário local com fotografias cuja narrativa se constrói a partir das relações tramadas no interior de sua obra.

Longe de Tudo convulsiona os restos de objeto de que se vale – a etimologia mesma de relíquia – relicta – ilumina intensamente o exercício de uma arqueologia que redefine as noções de Arquivo e História a partir de sua fabulação poética.

O arquivo e suas relações com o passado não se restringe aqui à disciplina histórica, mas se estende à narrativa mesma do sujeito que se articula nas malhas da linguagem. A memória e o esquecimento ocupam o universo de Lucia Tallova e concedem-lhe, por assim dizer, os motivos a serem decantados por sua investigação artística e sua materialização.

O passado é sempre o objeto de uma fabricação. O passado é ficção. É, portanto, na ultrapassagem do modelo mimético em que se articulam contíguos “modelo” e sua “imitação” ou “representação” que a construção do universo poético da artista se assenta.

Ao concentrar-se sobre as possibilidades imaginativas, alegóricas e retóricas de seus arranjos – as composições em que se costuram objetos, fotografias e mobiliário advindos das mais distintas origens – a artista acaba por reescrever a história destes objetos ao reinscrevê-los dentro daquilo que doravante o terreno que é sua obra lhes imprime como reescritura e reinscrição de sua autora.

Ela adere a uma particular e intransferível visão de motivos herdados do Romantismo histórico. As nuvens e céus que assombram sua pintura insistentes são recorrentes signo de um sintoma que transcende as origens do movimento. Sua abordagem arquival é capaz de produzir certa apreensão das intensidades passionais (pathos) daquela estética que empresta drama e pungência à fabulação poética das memórias incorporadas.

Em sua obra a noção de assemblage transcende os objetos para converter-se em princípio estruturante. A História, o Arquivo e o Documento são vestígios, ruinas e relíquias nos quais a artista baseia sua (re)escritura de um passado capaz de ofertar potentes alegorias que contribuem para perspectiva inteiramente outra de verdade. A verdade artística, catártica é o resultado de seu esforço para desvelar um passado de obscenidades e ocultamentos.

Neste sentido, suas instalações são imagens a emprestar visibilidade retrospectiva a um passado que finalmente pode vir à luz. Sua veemência poética é explicitamente ativista e aí reside seu singular feminismo: em sua meticulosa artisticidade a envolver aquele que olha nestas nuvens pictóricas, a investir o espaço com visões de um ofuscante e sempre por vir passado.

Só a distância autoriza que se possa reescrever e reinscrever o objeto olhado. Longe de Tudo

é mais uma empreitada de Tallova em que a noção mesma de distância em que a relíquia arquival da sua poesis emerge como sintoma e metáfora de uma distância que só a Arte pode de fato mensurar precisamente por conta de uma ameaçadora proximidade.

Longe, e ainda tão perto; como em um sonho.

Sobre a artista Lucia Tallova

Vive e trabalha em Bratislava. Graduada na Academia de Belas Artes e Design de Bratislava. Tallova manipula o espaço da galeria recriando sua arquitetura. O trabalho de Tallova se baseia na conceituação de processos emocionais relacionados à percepção, preparação e memória, e às circunstâncias em que são compartilhadas. Através de sua pesquisa, ela opõe-se ao imaginário resultante de sua experiência pessoal ao conhecimento bidimensional específico em fotografias, livros ou diários.

Ela perde e recupera sua identidade trabalhando na pós-produção, sobre a arqueologia de seus materiais e materiais de outras pessoas. Desta forma, ela toma posse de métodos e conceitos históricos antigos. Tal forma de manipulação visa principalmente provocar reação original e emocional no espectador. Recentemente Lucia participou de diversas exposições individuais e coletivas como “Building a Mountain” (Construindo uma montanha) na galeria Paris-Beijing em Paris, “I’m the land, you are the sea” (Eu sou a terra, você é o mar) na galeria SODA em Bratislava. “Island of Time” (Olha do Tempo) na galeria Tezukayama em Osaka no Japão e “Tatr(o)man” na Galeria of The Czech Centers em Praga na República Tcheca.

Possui obras em diversas coleções públicas e privadas no mundo, com destaque para Galeria Nacional da Eslováquia e a Fundação de Arte WAP na Coreia. Tallova já participou de feiras como a MiArt (Milão), a Frieze Art Fair (Londres), Volta NY (Nova Iorque) e SPArte (São Paulo).

Galeria Karla Osorio

Criada em 2014, a galeria Karla Osorio atua para inserção de artistas contemporâneos no mercado e na cena institucional. Privilegia a produção mais inovadora em arte, com programa de exposições temporárias que fomenta várias linguagens e técnicas. Representa artistas brasileiros e estrangeiros. Participa de feiras de arte em vários países, sendo a única galeria de Brasília em algumas das melhores feiras do mundo como Basiléia, Chicago, Miami, Nova Déli, Nova York, Punta (Uruguai), além de Rio de Janeiro e São Paulo, entre outros.

Apoia pesquisas e projetos inovadores, tem programa de cursos, palestras, parcerias com outros espaços e instituições, além de intervenções no espaço público. Desenvolve projetos com curadores visitantes e oferece residência artística com atelier, em espaço privilegiado. Atua também no mercado secundário. Além da sede em Brasília no SCS, possui espaço expositivo no Lago Sul e escritório em São Paulo.

Serviço

Exposição
Mostra individual, Lucia Tallova
Abertura: Quarta, 29 de maio, 19 h
Visitação: até 21 de julho de 2019. Segunda sexta, 9-18h30 | sábado 10-14h, sempre mediante agendamento

Galeria Karla Osorio
Endereço: SMDB Conjunto 31 Lote 1B – Lago Sul Brasília – DF, CEP 71.680-310 Brasil
Tel.: +55 61. 3367 6303 e 6353 #20 / +5561981142100 (whatsapp)

E-mail: info@karlaosorio.com
www.karlaosorio.com
Facebook: https://www.facebook.com/galeriakarlaosorio
Instagram: https://www.instagram.com/galeriakarlaosorio

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