Mostra inédita de Lia do Rio na capital reúne 37 obras da artista plástica consagrada no Rio de Janeiro; entrada é gratuita, mas a passagem é rápida pela cidade, até 4 de agosto

A exposição “Tempo em Suspensão” – aberta em 2 de junho, no Museu da República- provoca o olhar do espectador sobre presente e o efêmero. E o convite é um mergulho na natureza, transformada em obra de arte a partir das mãos da artista plástica Lia do Rio.

A mostra, gratuita, conta com 37 obras, entre colagens, vídeos, instalações. E fica na cidade até 4 de agosto. Com peso importante na arte contemporânea, as obras de Lia do Rio transcenderam às últimas quatro décadas e inspiram gerações.

Uma das principais matérias-primas usadas por Lia são folhas secas, que se transformam em reflexões sobre vida, morte, transformação, tempo e atemporalidade. “Não estou falando de ecologia, tem a ver com o ser humano. Eu acredito que todas as problemáticas mundiais que envolvem sobrevivência estão nessa incapacidade de se perceber natureza”, elucida Lia.

Uma das grandes surpresas é também um dos trabalhos mais atuais da artista: uma instalação batizada de “Porvir”, que, segundo Lia, é uma impressão do amanhã, onde a pessoa perceberá e se sentirá no futuro.

A curadoria da exposição é assinada pelo artista visual e escritor Bené Fonteles. “A originalidade da obra de Lia reside na forma dela se apropriar dos resíduos naturais e lhes dar nobreza estrutural. As mais significativas são as que ela ressignifica os materiais para conceder a elas potência poética”, afirma Bené.

Essa não é a primeira vez de Lia em Brasília. A artista já expôs em eventos da capital em outras ocasiões, como na UnB, em 1991, e, no próprio Museu Nacional da República, em 2013, onde, inclusive, tem em acervo a obra “Possibilidades”, que é feita de esqueletos de folhas.

Sobre a artista

Lia do Rio Cardoso Costa nasceu em São Paulo e mora no Rio de Janeiro desde os dez anos de idade. Em 1958 inscreveu-se na cadeira de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes, da UFRJ, onde se formou em 1963. Em 1982, ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage onde permaneceu até 1985. Suas pinturas, porém, adquiriram tridimensionalidade e passaram a se assemelhar com janelas, que logo foram assumidas como material principal de suas obras. Enquanto recolhia janelas jogadas na rua, sentiu-se atraída pela riqueza e potencial de outros materiais descartados, passando a trabalhar no próprio espaço em que eram encontrados, organizando-os em formas ditadas pelo local, o que fez a escala aumentar consideravelmente. Ao ser convidada para exposições, reciclava estas formas para dentro da galeria.  Mais informações em:www.liadorio.com/ap.htm

Serviço

O que: exposição “Tempo em Suspensão”
Data: até 4 de agosto de 2019
Horário: das 9h às 18h
Local: Museu Nacional da República, Setor Cultural Sul, Lote 2, Esplanada dos Ministérios
Entrada: franca
Classificação indicativa: livre

Anterior Circo Grock conta “Uma História de Circo” no CCBB Brasília
Próximo Uma conversa – Com Álvaro Puntoni e Marta Moreira