Artista exibe trabalhos com forte inspiração no Planalto Central

Profissional de enorme talento, Lêda Watson celebra seus 50 anos de gravuras com uma exposição no Espaço Cult, localizado na Central de Vendas da PaulOOctavio, na 208/ 209 Norte. Nascida Lêda Campofiorito Saldanha da Gama em uma família carioca de artistas, ela seguiu o dom familiar e formou-se pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e, posteriormente, na Ecole Nationale de Beaux Arts de Sorbonne.

No final dos anos 1960, Lêda frequentou o conceituado Atelier Friedlander, ainda na França. Residindo naquele país por quatro anos, também se diplomou, em 1969, no Curso Superior de Língua e Literatura Francesa da Universidade de Nancy. Graças a seu enorme talento, viu suas obras obterem grande receptividade junto aos editores de arte da França, tendo vendido inúmeras edições fechadas – uma delas está na coleção de gravuras da Bibliothéque Nationale de Paris. Entre outras realizações está o convite que recebeu da Societé des Femmes Bibliophiles para ilustrar um livro de contos de Jules Laforgue – a edição anterior era de autoria de Salvador Dalí.

No início dos anos 1970, Lêda retornou ao Brasil e frequentou o curso de extensão da UnB, onde passou a dar aulas tempos depois. A paixão pelo ensino a levou a criar a Escola de Gravuras, no seu próprio atelier, onde, por mais de três décadas, formou centenas de profissionais. Criou também o 1º Núcleo de Gravadores de Brasília e, posteriormente, o Clube da Gravura (1989), reunindo, em sua maioria, gravadores profissionais do Distrito Federal.

Lêda Watson também criou o primeiro Museu de Arte de Brasília, inaugurado em 1985, e foi, durante anos, coordenadora de museus da Secretaria de Cultura do GDF. Em 1995, aposentou-se como professora, voltando a se dedicar somente a sua arte. Sete anos mais tarde, porém, voltou a ensinar gravura em seu próprio atelier, expondo periodicamente com suas alunas. Desde 1970, Lêda Watson participou de dezenas de exposições coletivas e individuais no Brasil, na Américas Latina e do Norte, Europa e Oriente.

Seu fascínio pelo céu do Planalto Central está em sua obra e a fez desbravar o cerrado e dele construir uma mescla de fauna e flora, raízes entrelaçadas, troncos e flores feitas de magia e sonho. Para tanto, transita com desenvoltura nas difíceis técnicas de água-tinta e água forte, além de conduzir com maestria a ponta seca, o buril, a roulette e berceau gravando o metal, com poesia e beleza.

O Espaço Cult

Criado para abrigar atividades que estimulem a cultura, a troca de informações, o relacionamento e o encontro de ideias, o Espaço Cult reuniu, no primeiro ano de funcionamento, artistas plásticos como Betty Bettiol, Tarciso Viriato, M. Cavalcanti e Lelli de Orleans e Bragança e escritores como os ministros Ronaldo Costa Couto e Carlos Fernando Mathias e o advogado Pedro Gordilho, em mostras e manhãs de autógrafos. Este ano, em abril, o pintor hiper-realista Paulino Aversa expôs suas telas em no local. Já em maio foi a vez de o advogado e escritor Luis Carlos Alcoforado autografar suas obras poéticas “Incompletude” e “Relógio do Tempo”. Em junho, Omar Franco retomou os pincéis, após longo intervalo, e expôs um conjunto de telas carregadas de humor e dramaticidade.

Lêda Watson

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