Obras da exposição Labirinto de Amor dão um novo significado a objetos do imaginário coletivo e apontam brechas de afeto em coisas simples do cotidiano

A CAIXA Cultural Brasília recebe, de 13 de janeiro a 3 de março de 2019 (terça-feira a domingo), a exposição Jorge Fonseca – Labirinto de amor. As mais de 20 obras reunidas na mostra, produzidas entre 1998 e 2018, dão um novo significado a objetos do imaginário coletivo e apontam brechas de afeto em coisas simples do cotidiano. Praticamente todas do acervo do próprio artista, elas contam um pouco da trajetória desse artista autodidata mineiro, que foi maquinista de trem e marceneiro por mais de 15 anos.

Costurar, pintar e bordar o amor. Enfeitar e dar graça a desilusões, tropeços, desavenças. É assim que Jorge Fon’seca concebe sua obra. “A mostra sugere a observação da nossa vida e da vida do outro de um jeito diferente. São obras que contam histórias, falam de percalços, sofrimentos, humores e alegrias tão familiares às pessoas”, explica o artista, em atividade desde o início dos anos 1990 e cujas obras compõem acervos de grandes instituições e colecionadores. “É como o nome da exposição sugere: a vida nada mais é que um grande labirinto de situações inesperadas”.

Em criações singulares que misturam artesanato, arte conceitual, pop, kitsch, há uma forte atitude contemporânea, uma crítica contundente às relações humanas. Fonseca dá outra leitura a materiais comuns, tecidos, miudezas de armarinho ou objetos simples que habitam o imaginário de muita gente. “É o que chamo de ‘obra desfrutável’. As pessoas se envolvem emocionalmente com as histórias contadas por cada peça”, diz a crítica de arte Fernanda Terra, curadora da exposição.

“Elas se reconhecem, recordam vivências ou lembram de alguém que viveu aquilo. É algo que fala do real, da vida como ela é, mas não de uma forma endurecida e sim cheia de afeto. É difícil observar uma das obras e não abrir um sorriso. E ao mesmo tempo é ácida, irônica, remete aos sentimentos mais íntimos”, ressalta Terra. A curadora destaca ainda que Fonseca é um grande observador do cotidiano, das relações, dos sentimentos. “Por mais que sua obra aborde questões da cultura popular novelística, folclore e religiosidade, o amor se destaca. É um reflexo de como ele enxerga o outro, sempre de um jeito carinhoso”.

Sobre Jorge Fonseca

Jorge Fonseca nasceu em Conselheiro Lafaiete (MG), a 100 quilômetros da capital mineira. Era nos intervalos da jornada de trabalho, como maquinista, que ele aproveitava para dar vida às suas criações, no início dos anos 1990. “Isso ajuda a explicar a predominância do bordado na minha obra nessa fase.

Eu passava longos períodos no trem, em demoradas viagens, quase não tinha tempo para exercer o ofício em casa. Levava para a cabine tecidos, linhas, agulhas, materiais de armarinho e bordava ali mesmo, durante as longas paradas do trem”, conta o artista.

Nessa época, em 1995, ele foi convidado a integrar o Salão de Arte Contemporânea de Campos (RJ). No ano seguinte, conquistou seu primeiro prêmio, no mesmo salão fluminense, e no 53º Salão Paranaense. Em 2009, Fonseca foi contemplado com uma bolsa da Fundação Pollock-Krasner (Nova York), para estímulo à produção. Foi o vencedor do último Prêmio PIPA Online, em 2017.

Sua obra integrou dezenas de exposições coletivas e individuais em espaços como a Pinacoteca de São Paulo, o MAM Rio, a Funarte do Rio de Janeiro e de Brasília, o Palácio das Artes, a 6ª Bienal de Arte Contemporânea de Kaunas, na Lituânia, a Feira Internacional de Arte de Buenos Aires e a Quadrienal de Praga, na República Tcheca.

Incentivo à cultura

A CAIXA investiu mais de R$ 385 milhões em cultura nos últimos cinco anos. Em 2018, nas unidades da CAIXA Cultural em Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, está prevista a realização de 244 projetos de Artes Visuais, Cinema, Dança, Música, Teatro e Vivências.

A CAIXA Cultural Brasília, inaugurada em 1980, foi o primeiro espaço cultural instituído pela CAIXA. Localizada na região central de Brasília, perto da estação Galeria do metrô e da rodoviária do Plano Piloto, possui cinco galerias, teatro, sala multimídia e Jardim das Esculturas. Em 2018, foram realizados 60 projetos e o retorno do Programa Educativo CAIXA Gente Arteira.

Serviço

Exposição: Jorge Fonseca – Labirinto de amor
Local: CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4, Lotes 3/4 – Edifício Anexo da Matriz)
Abertura: 12 de janeiro (sábado), às 18h
Visitação: de 13 de janeiro a 3 de março de 2019
Dias e horários: Sempre de terça-feira a domingo, das 9h às 21h
Entrada franca
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos
Acesso para pessoas com deficiência
Informações: (61) 3206-6456 – 3206-9448.
Produção: MUSEO
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

Quando você passa eu fico assim
Quando você passa eu fico assim | Foto: Divulgação
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