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La Traviata ganha releitura contemporânea em Brasília

La Traviata
La Traviata

La Traviata retorna aos palcos de Brasília com montagem contemporânea, protagonismo feminino, elenco duplo, orquestra ao vivo e recursos de acessibilidade

Brasília volta a receber uma das óperas mais emblemáticas do repertório mundial: La Traviata, de Giuseppe Verdi. Com récitas marcadas para os dias 8, 9 e 10 de maio, no Teatro Levino de Alcântara, na Escola de Música de Brasília, a montagem reúne solistas, coro e orquestra em uma produção que aposta em uma leitura contemporânea do clássico.
Com trechos consagrados — como o célebre brinde —, o espetáculo traz no papel principal a soprano Aida Kellen, que se alterna com Gabriela Ramos (dia 10/05) como Violetta Valéry.

O tenor Daniel Menezes interpreta Alfredo Germont, dividindo o papel com Francisco Bento na última apresentação. Além de estar em cena, Daniel também assina a direção artística da montagem, em um processo que amplia o diálogo entre interpretação e concepção estética. A direção cênica é assinada por Élia Cavalcante, com assistência de direção de Carol Araújo, enquanto a direção musical e regência ficam a cargo do maestro Deyvison Miranda, que conduz um conjunto de mais de 40 músicos entre coro e orquestra.

Considerada um marco na carreira de Verdi, La Traviata integra, ao lado de Rigoletto e Il trovatore, a chamada trilogia da maturidade do compositor. Baseada no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas, a ópera narra a história de Violetta, uma cortesã parisiense que abandona sua vida de luxo ao se apaixonar por Alfredo, em uma trajetória marcada por amor, renúncia e tragédia.

Nesta montagem, que conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o clássico ganha novos contornos. A proposta cênica abandona a estética tradicional do século XIX para apresentar uma Violetta contemporânea, símbolo de resistência e força feminina. Segundo o maestro Deyvison Miranda, a produção aposta tanto na qualidade musical quanto na renovação estética. “La Traviata é um clássico e há muito tempo não é apresentada em Brasília. Musicalmente, temos um elenco muito forte e uma dinâmica interessante com dois elencos principais. A ópera foi escrita em três atos, mas optamos por unir o primeiro e o segundo, com um intervalo, trazendo mais fluidez à apresentação e apresentar ao público brasiliense um espetáculo de ótima qualidade“.

Para a diretora cênica Élia Cavalcante, que possui 15 anos de experiência no teatro musical, o desafio foi revisitar o clássico com um olhar atual. “O que realmente pulsa nesta montagem é a coragem de olhar para o clássico através das lentes do agora. Não estamos apenas contando uma história de amor do século XIX; estamos colocando a mulher no centro do palco, em toda a sua complexidade e força. Queremos que o público sinta essa urgência através de uma estética que une romantismo e expressionismo. Violetta surge como um ícone de resistência, e a obra prova que a luta pela própria existência e pelo amor continua sendo um ato de coragem”, reforça Élia.

A proposta estética também é reforçada por Daniel Menezes, que destaca o caráter inovador da encenação e o envolvimento coletivo do elenco. “Não estamos montando apenas mais uma Traviata. Optamos por uma abordagem menos tradicional, com uma linguagem mais expressionista, que busca intensificar as emoções em cena. É um projeto muito especial para todos nós, inclusive como homenagem a um amigo querido que perdemos. Além disso, sempre tive o desejo de aproximar a ópera do teatro musical, e encontramos um caminho muito rico nesse encontro de linguagens, com um elenco que abraçou completamente a proposta. O público pode esperar uma experiência diferente de tudo que já foi apresentado em Brasília”, complementa Daniel.

A soprano Aída Kellen, que estreia no papel de Violetta, ressalta a atualidade da personagem principal. “É uma mulher do século XXI, vivendo sua liberdade e sua sexualidade de forma plena. É uma personagem atual, viva, que enfrenta as mesmas violências e desafios das mulheres de hoje. O público vai se identificar e se emocionar”, afirma Kellen.

Com duração aproximada de 2h20 e cantada em italiano, com legendas em português, a montagem contará ainda com recursos de acessibilidade na sessão do dia 10 de maio, incluindo audiodescrição, Libras e programa em braille.

Serviço:

La Traviata – Giuseppe Verdi
8, 9 e 10 de maio de 2026
Sexta às 20h | Sábado e domingo às 19h
Teatro Levino de Alcântara – Escola de Música de Brasília (602 Sul)
Ingressos: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia)
Antecipados: hl.art.br/traviata
Bilheteria: uma hora antes de cada sessão (dinheiro ou pix)

Informações importantes:
• Meia-entrada para estudantes, professores, maiores de 60 anos, PCDs e profissionais da saúde
• Meia solidária mediante doação de alimentos
• Lugares por ordem de chegada (com fila preferencial prevista em lei)

Ópera em 3 atos, em italiano, com legendas em português
Sessão acessível: 10/05
Classificação: 10 anos
Duração: 2h20 (com intervalo)