O espetáculo “Júpiter e a Gaivota. É impossível viver sem o teatro.” tem curta temporada no Teatro SESC Garagem (913 Sul) de 16 a 18 de novembro. Com direção e dramaturgia de Ada Luana, a Cia Setor de Áreas Isoladas integra o segundo espetáculo de uma trilogia teatral dedicada ao grande dramaturgo russo Anton Tchekhov. “A Moscou! Um palimpsesto” abriu o projeto da trilogia com uma re-escrita da obra “As três irmãs”.

Nesta segunda criação, o grupo explora a obra mais emblemática do teatro russo “A Gaivota”, com a proposta de lançar novos olhares sobre o texto tratando de questões urgentes da nossa atual realidade sócio-política mundial e do fazer artístico nos tempos atuais.

Clássicos são obras que se ressignificam com os ciclos históricos por carregarem questões atemporais que nos permitem refletir melhor sobre a realidade e o estar no mundo contemporâneo. Este é o mote que norteou a escolha da Companhia Setor de Áreas Isoladas em revisitar “A Gaivota”, obra escrita entre 1895 e 1896 cujo tema principal é o próprio teatro.

Tchekhov traz o problema do artista, explora os contrastes entre glória e fardo, sucesso e anonimato, moderno e decadente. A obra torna-se atualíssima quando expõe questões latentes como a capacidade humana de cultivar a integridade, a preservação de seus valores e a persistência por seus ideais mesmo em grandes períodos de crise.

No palco estão o elenco formado por Ada Luana, Áquila Silver, Camila Meskell, Júlia Rizzo, Rodrigo Lélis, Rômulo Mendes e Taís Felippe e mais os músicos Filipe Togawa e Kalley Seraine.

Sinopse

No espaço vazio de um palco, mais uma companhia latino-americana precisa fazer teatro. Encarando as escuras águas do lago tchekhoviano eles fitam o não-saber dos tempos que virão. O “logo-antes” é aí onde estão. Júpiter está irado, o mitificador está à espreita e todas as espécies de gaivotas continuam sendo abatidas por homens que não sabem o que fazer com seus próprios egos.

Os tempos não estão fáceis, nem para a companhia e nem para o público. Suas incertezas abraçam suas obsessões, é preciso carregar a cruz e suportar, e entre taquicardias, ansiedades, gotas de passiflora e quase-depressões um personagem resolve o enigma: é impossível viver sem o teatro.

Sobre a diretora

Ada Luana é diretora teatral, atriz, mestre em estudos teatrais pela Universidade Sorbonne Nouvelle Paris III e bacharel em interpretação teatral pela Universidade de Brasília. É co-fundadora da companhia brasiliense Setor de Áreas Isoladas onde foi co-criadora da trilogia Estudos sobre a Violência, formada pelos espetáculos: “Vialenta” (2008), “Terapia de Ris(c)o” (2009) e “Qualquer coisa eu como um ovo” (2012).

Em 2016, Ada Luana assumiu a direção teatral da companhia criando o espetáculo “A Moscou! Um palimpsesto”, no qual atua, assina a direção e a dramaturgia. O espetáculo é o primeiro de uma trilogia tchekhoviana, que se completa com outros dois baseados nos textos “A Gaivota” e “Tio Vânia”. Como diretora, atriz e pesquisadora seu interesse encontra-se em investigar e aprofundar-se nas técnicas do sistema Stanislavski e a prática de viewpoints, temas nos quais se aprofundou com sua pesquisa de mestrado e através de formações realizadas no Stella Adler Studio of Acting em Nova York e no treinamento intensivo em Viewpoints com a SITI Company e Anne Bogart em Lima – Peru.

Sobre a Cia Setor de Áreas Isoladas

Formada em 2008 por ex-alunos do Departamento de Artes Cênicas da UnB a companhia brasiliense Setor de Áreas Isoladas inicia sua trajetória artística com a trilogia Estudos sobre a Violência, formada pelos espetáculos “Vialenta” (2008), “Terapia de Ris(c)o” (2009) e “Qualquer coisa eu como um ovo” (2012).

Com este projeto o grupo consolida sua linguagem tendo como foco o trabalho do ator e o desenvolvimento de uma dramaturgia autoral a partir do processo de dramaturgia de palco. O grupo se consolida à partir de 2009 com a contemplação em editais de patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do GDF (FAC), tais como o edital de montagem (2009) e circulação (2011) e o edital de manutenção de grupos (2011).

Este último incluiu a montagem de “Qualquer coisa eu como um ovo” e a criação de um programa educativo associado à uma mostra da trilogia. O programa que atendia turmas de EJA, das escolas públicas do entorno do DF, tinha o foco em formação de plateia. A trilogia também participou de importantes festivais como o Festival de Teatro Brasileiro e Riocenacontemporânea (ambos no RJ), Janeiro de Grandes Espetáculos (PE), Festival Internacional Cena Contemporânea e Prêmio SESC do Teatro Candango (DF).

Ficha técnica

Direção e dramaturgia: Ada Luana
Elenco: Ada Luana, Áquila Silver, Camila Meskell, Júlia Rizzo, Rodrigo Lélis, Rômulo Mendes e Taís Felippe
Direção musical e trilha sonora original: Filipe Togawa
Músicos: Filipe Togawa e Kalley Seraine
Iluminação e fotografia: Diego Bresani
Cenografia e figurinos: Roustang Carrilho
Preparação de canto: Michelle Fiúza
Montagem e operação de luz: Rodrigo Lélis
Designer visual: Gabriel F.
Produção: Taís Felippe
Assessoria de imprensa: Renato Acha
Realização: Cia. Setor de Áreas Isoladas

Serviço

Espetáculo “Júpiter e a Gaivota. É impossível viver sem o teatro.”
Datas: De 16 a 18 de novembro
16 de novembro (sexta) às 22 horas
17 e 18 de novembro (sábado e domingo) às 20 horas
Local: Teatro SESC Garagem (Av. W4 Sul, SEPS 713/913)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Informações: (61) 3445-4420
Duração: 100 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

Benfeitoria: benfeitoria.com/jupitereagaivota

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