Por meio de um diálogo entre Oriente e Ocidente, as pinturas de quimonos em linho e chita de Júlia dos Santos Baptista abordam temas como as ondas migratórias e as heranças culturais. A artista visual vive e trabalha em Brasília e em Amsterdã e é uma das selecionadas para a Bienal das Artes – 2018, que acontece de 26 de junho a 26 de julho na capital federal.

A artista brasiliense Júlia dos Santos Baptista, que vive e trabalha entre Amsterdã (Holanda) e Brasília, participa da segunda edição da Bienal das Artes – 2018, promovida pelo Sesc. Sua produção reúne elementos da cultura popular de diversos cantos do planeta por onde passou e refletem questões sociais e políticas surgidas na sociedade contemporânea, como os movimentos migratórios de refugiados, a maternidade precoce de meninas mal saídas da infância, o crescimento acelerado das grandes metrópoles e suas consequências na vida das pessoas, a distopia e a apatia.

A produção da artista se divide em coleções, como ela prefere chamar os conjuntos de obras. Para a Bienal das Artes – 2018 que acontece de 26 de junho a 26 de julho na pérgola do Shopping Pátio Brasil, em Brasília, a artista apresentará a “Kimono Brasileirinho” da “Coleção Kimono”, em óleo e pigmento com recortes de tecidos de chita sobre linho.

Essa Coleção expressa na pintura o sentido de universalidade, aspecto apreendido por Júlia através de vivências internacionais, como demonstram os kimonos japoneses, o Hanfu chinês e as vestimentas Hmong vietnamitas, entre outros símbolos. Essas peças de vestuário oriental são realizadas em materiais delicados, como a seda, rica e finamente bordados por mãos de excepcional habilidade. Na Coleção Kimonos, a artista ressalta a importância do legado das gerações passadas entregues à geração contemporânea e que ficará para as futuras com suas expressões de orgulho e de propósitos.

Ao lidar com o delicado e paciente trabalho de bordadeiras orientais, Júlia orienta a artesania milenar em favor de uma poética pessoal. A artista procura destacar os patrimônios material e imaterial representados por essas tradições combinando-os com tecidos e estampas folclóricas brasileiras, estabelecendo assim o espírito atemporal e universal das tradições nelas contidas.

Migrações

A mistura de motivos, técnicas, cores e suportes, em parte, se explica pelo fato de que a artista foi desde pequena inserida em uma comunidade miscigenada étnica e culturalmente. “Sou de origem indígena e italiana, e também trago de berço uma ligação com o Japão, pois, quando nasci, meus pais decidiram que seria batizada por um padre católico e por uma budista japonesa”, afirma.

A Coleção Kimono surge na produção da artista em 2007 a partir de um rito religioso: a primeira comunhão. A série de telas reúne a representação de memórias e vínculos afetivos. Uma década mais tarde, a coleção alcança um mundo e, em especial um continente – a Europa -, que se encontra em um momento social inquietante em razão da crescente onda migratória. “. Há certo temor de que esse fenômeno afete decisivamente o modo de vida e os valores europeus”, afirma a artista.

O lirismo presente em Kimono apresenta possibilidades de um mundo harmônico, capaz de mostrar que na essência somos todos iguais e, portanto, o outro não representa uma ameaça. Flores orientais convivendo com tropicais sobre recortes minimalistas e tecidos que evocam a cultura caipira brasileira. “Aprendi a admirar essas misturas desde cedo e ainda as admiro. Percebo o quanto é importante passar adiante essas tradições e os valores que elas representam, pois assim, com meu trabalho, estarei contribuindo para a cultura de paz”, sentencia.

Processos e produção

Em um trabalho diário de ateliê, Júlia utiliza na maioria das vezes tinta à óleo e, quando necessário, acrescenta pigmentos, mas também podem entrar tintas à base de água. Como suporte, telas de linho e diferentes tipos de papel, como o de arroz. “Meu trabalho é especialmente inspirado no meu próprio cotidiano e nas coisas, imagens e ou rituais que vejo ou às vezes faço parte e que admiro, porque eles cativam minha percepção. Procuro ressaltar elementos folclóricos e multiculturais que encontro e ou visito durante minhas vivências em diferentes lugares do mundo. Pinto as tradições populares, as danças e festivais folclóricos, a música, as frutas e folhagens tropicais, os aromas da minha terra natal e tudo aquilo que me faz sentir em casa e que quero compartilhar com as pessoas ao meu redor” ressalta a artista.

Sobre a artista

Júlia dos Santos Baptista nasceu e cresceu em Brasília e, desde menina, seus desenhos já eram colecionados pelas demais crianças. Atualmente, Júlia vive e trabalha no Brasil, em Brasília, e nos Países Baixos, Amsterdã, participando de diversas mostras internacionais. Suas primeiras pinturas contêm imagens alegres em cores fortes, quase sempre resgatando lembranças de sua infância em Brasília. Nessa época, a futura capital do Brasil era apenas uma cidade recém-nascida, atraindo operários de todo o Brasil, corajosos e otimistas, inspirados pela ideia de construir uma nova capital e uma nova vida através do seu trabalho duro. Sua cidade natal serviu de inspiração e modelo para a coleção Brasília, onde revisita monumentos da capital federal, interferindo na paisagem por meio de tons terrosos e azuis característicos do Planalto Central que evocam os primórdios da construção da cidade.

Seus trabalhos, repartidos em diversas Coleções, hoje refletem temas universais de caráter socioeducativo, de natureza política, cultural e urbana e o diálogo com a arte contemporânea e seus fundamentos. Sua obra busca interagir com o público, incentivando-o a refletir sobre sua condição humana e partícipe nas questões que o afetam.

Exposições realizadas

2017 – Bandeirinhas, Dançando no Ar – Brasília DF – Brasil
2016 – Um diálogo entre Arte e Ciências Sociais – Haia – Holanda
2015 – Kimono Amstelveen – Amstelveen – Holanda
2014 – Espaço Cultural do STJ – Brasília-DF – Brasil
2014 – Triennale 2014 Museum Jan van der Togt – Amstelveen – Holanda
2013 – Casa Cor Brasília – Brasília-DF – Brasil
2013 – Brasília 53 – Espaço Chatô – Brasília-DF – Brasil
2013 – Exposição Brasília 53 – Câmara dos Deputados – Brasíli-DF – Brasil
2012 – Coleção Bandeirinhas de selos – Correios Holanda – Amsterdam – Holanda
2012 – Mini Documentário Linha 144 passa pela170 – Amstelveen – Holanda
2012 – Minidoc Escola Classe 19 Ceilândia Sul – Brasília-DF – Brasil
2012 – Estudar História, Das origens do Homem à Era Digital – Brasília-DF – Brasil
2011 – Cores para a Ponte – Amstelveen – Holanda
2010 – ECT Correios do Brasil – Brasília-DF – Brasil
2007 – Triënalle Cobra Museum voor Moderne Kunst 2007 – Amstelveen – Holanda
2006 – Auction Groninger Museum – Groningen – Holanda
2005 – Exposição Hella Pais Interiors Amsterdam – Amsterdam – Holanda
2004 – Triënalle Cobra Museum voor Moderne Kunst 2004 – Amstelveen – Holanda

Serviços

Kimono Brasileirinho, Coleção Kimono de Júlia dos Santos Baptista
Técnica: Óleo e pigmento com recortes de tecidos de chita sobre linho
Dimensões: 100x140cm 2016
Exibição: de 26 de junho a 26 de julho
Bienal das Artes – Edição 2018
Local: Pérgola do Shopping Pátio Brasil
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: Livre para todos os públicos

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