Depois do grande sucesso em São Paulo, a retrospectiva sobre o artista Jean-Michel Basquiat chegou ao CCBB DF com mais de 80 peças do artista, entre quadros, desenhos, gravuras e pratos pintados. A mostra seguirá ainda para o CCBB Belo Horizonte e o CCBB Rio de Janeiro, respectivamente.

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB DF) preparou um presente muito especial para celebrar o aniversário de cidade. A capital recebeu de presente, em 21/04, a maior exposição de Jean-Michel Basquiat já realizada na América Latina. Depois do grande sucesso de público e crítica no CCBB de São Paulo, o acervo de mais de 80 peças – entre quadros, desenhos, gravuras e pratos pintados – é apresentado nas galerias do CCBB DF até 01/07, com entrada gratuita. A curadoria é de Pieter Tjabbes e a mostra seguirá ainda para o CCBB Belo Horizonte (14/07 a 26/09) e, depois, para o CCBB Rio de Janeiro (12/10 a 08/01/19).

A vinda desse acervo ao Brasil, para quatro capitais, levou cerca de dois anos de negociações, depois de uma disputa entre vários países, entre eles Coreia do Sul, Japão e Rússia. A retrospectiva Jean-Michel Basquiat foi concebida com obras da família Mugrabi, dona das maiores coleções de Basquiat e também Andy Warhol. A incrível coleção chega ao país graças à ação conjunta do Banco do Brasil e da produtora Art Unlimited, com patrocínio da BB SEGURIDADE, da BRASILCAP e do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE.

“A iniciativa de apresentar a maior retrospectiva do trabalho de Basquiat na América Latina, em quatro capitais brasileiras, ao longo de um ano, com ingressos gratuitos, reforça o compromisso do Banco do Brasil na formação do público para as artes visuais, no acesso à cultura e no valor da diversidade”, afirma Alexandre Alves de Souza, diretor de Marketing do Banco do Brasil.

Empresa que concentra os negócios de seguros, previdência, capitalização e planos odontológicos do Banco do Brasil, a BB SEGURIDADE também reforça que “o patrocínio à exposição fortalece seu posicionamento de companhia fomentadora da democratização da cultura no País”, como explica seu diretor, Sergio Augusto Kurovski. “O patrocínio é uma forma de oferecer à sociedade a experiência de acessar obras tão importantes nos Centros Culturais Banco do Brasil”.

VIDA CURTA, PRODUÇÃO MARCANTE

Basquiat nasceu em 1960 e morreu jovem, aos 27 anos, de overdose. Seu pai era haitiano e, sua mãe, descendente de imigrantes porto-riquenhos. Desde muito cedo, foi reconhecido como um garoto excepcionalmente inteligente. Influenciado pela família (com a qual viria a ter problemas no fim da adolescência, deixando a casa e vivendo até alguns dias como um sem teto), rapidamente aprendeu, além do inglês, francês e espanhol, e foi incentivado a desenvolver seu talento para as artes.

Leitor compulsivo, ainda criança foi atropelado quando brincava nas ruas do Brooklyn (EUA). No acidente, um de seus braços foi quebrado, e seu baço teve de ser extraído. Durante o longo período de recuperação, sua mãe deu-lhe um exemplar do livro Gray’s Anatomy, um atlas de anatomia humana do século XIX que influenciaria seus trabalhos artísticos mais de uma década depois.

“Basquiat é um dos maiores artistas de ascendência afro-caribenha e é exaltado em todo o mundo. Ele é, fundamentalmente, um artista de Nova Iorque. Sua obra personifica o caráter da cidade nos anos 70 e 80, quando a mistura de empolgação e decadência da cidade criou um paraíso de criatividade. Sua obra reflete os ritmos, os sons e a vida da cidade. Ela sintetiza o discurso artístico, musical, literário e político de Nova Iorque durante este período tão fértil”, afirma o curador da exposição, Pieter Tjabbes.

Quando morreu, em 1988, Basquiat era uma estrela do cenário artístico de Nova York. Sua produção, marcada pelo uso, muitas vezes, de materiais simples, como papel comum, colagens, cópias reprográficas e a combinação de imagens humanas (com frequência inspiradas no livro de anatomia que sua mãe lhe deu) e palavras, atraía a atenção de críticos, curadores e, não menos importante, de compradores. Visitar o ateliê do artista era um evento explorado por seus galeristas, que conseguiam com isso alavancar o interesse pela novidade e pelos novos trabalhos de Basquiat.

Recentes exposições em Nova Iorque, Milão, Roma e Londres têm valorizado ainda mais sua produção e suas obras – no ano passado, uma tela sua, Sem título (1982), foi vendida por mais de US$ 110 milhões de dólares num leilão, fazendo deste trabalho a mais cara obra de arte norte-americana já vendida. Em 2018, além do Brasil, Alemanha (Frankfurt) e França (Paris) receberão mostras representativas do artista.

“A BRASILCAP tem imenso orgulho em ajudar a levar para os brasileiros a obra e a genialidade de Jean-Michel Basquiat”, afirma Marcio Lobão, Presidente da BRASILCAP. “A companhia acredita que a cultura é um meio de transformação da realidade e da educação do país”, completa.

De acordo com o curador da exposição, Pieter Tjabbes, um dos elementos essenciais na obra de Basquiat é sua composição multi-idiomas: “a justaposição de inglês e espanhol é um dos muitos contrastes culturais dentro da obra que cria a sua energia singular. Ele conseguiu incorporar todos os diversos elementos de sua formação cultural e do seu sofisticado auto aprendizado para dentro de pinturas explosivas”, descreve.

Basquiat foi também um raro artista negro de sucesso, no contexto das artes plásticas, em um universo predominantemente branco. Em sua breve carreira, Basquiat trouxe à tona a negritude e as vicissitudes e traumas experimentados pelos negros nos EUA. “Eu percebi que não via muitas pinturas com pessoas negras”, explicou o próprio Basquiat, fazendo um adendo depois: “o negro é o protagonista da maioria das minhas pinturas”.

“É um projeto importante que traz uma nova visão sobre a arte”, aposta Fernando Barbosa, presidente do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE nas áreas de Vida, Rural e Habitacional. “Basquiat foi um artista intenso, composto pela diversidade e com uma percepção única sobre o mundo”, diz. “Participar de uma mostra dessa magnitude é uma honra para nós”, reforça. Luis Gutiérrez, presidente do GRUPO nas áreas de Auto, Seguros Gerais e Affinities, complementa: “o acesso gratuito para a experiência dessa incrível exposição complementa nosso posicionamento de apoio à cultura e de fomento da arte como propulsores do fortalecimento da sociedade”.

1976-1979

Como entender uma trajetória que tem início nas paredes do artístico bairro de Downtown Manhattan e metrô nova-iorquino, numa tag compartilhada com o amigo Al Diaz (SAMO, abreviatura da expressão Same Old Shit, ou Mesma Merda de Sempre) e que, em poucos anos, viria a revelar o artista mais adulado pelo mercado de arte de Nova Iorque?

Essa é, talvez, a mais interessante característica dessa exposição. A retrospectiva proposta permitirá conhecer obras de Basquiat feitas logo depois que ele deixou de vender cartões postais de sua autoria nas ruas até os momentos finais de sua produção.

Nessa trajetória, ganham destaque os desenhos de Basquiat. À época, eles eram menos valorizados pelos marchands e, portanto, caberia afirmar que receberam menos pressão da crítica e do mercado, permitindo, nos dias atuais, uma leitura mais independente do projeto artístico de Basquiat. Um dos destaques entre os diversos desenhos presentes na exposição é Hong Kong (1985).

A produção artística de Basquiat tem início quando, aos 16 anos, ele começa a espalhar poemas e epigramas assinados como SAMO, junto com Al Diaz, por Nova Iorque. Os grafites e cartazes na linha D do metrô e em outras áreas de Manhattan atraíram a atenção do Village Voice, jornal independente que destacou a produção do grafite nova-iorquino, marcou uma geração de artistas e militantes LGBT nos Estados Unidos e permanece, ainda hoje, ativo.

Basquiat torna-se um artista célebre, com aparições frequentes em programas de TV. Em 1979, o codinome SAMO é abandonado, numa intervenção na cidade que aumentou ainda mais sua notoriedade: a inscrição “SAMO is dead” apareceu grafitada no SoHo, no baixo Manhattan, bairro que marcou a história da arte norte-americana do período.

1980-1982

Em 1979, Basquiat formou uma banda com Shannon Dawson, Michael Holman, Nick Taylor, Wayne Clifford e Vincent Gallo, inicialmente chamada Test Pattern, mas depois rebatizada como Gray. Em 1980, essa banda realiza diversas performances em clubes da cidade. A banda faria a trilha do filme Downtown’81, escrito por Glenn O’Brien e dirigido por Edo Bertoglio. Também em 1980, obras de Basquiat são expostas na coletiva The Times Square Show, e no ano seguinte, abre a primeira mostra só de seus trabalhos, na galeria Annina Nosei. Em dezembro de 1981, um artigo publicado na Artforum torna Basquiat conhecido internacionalmente. Esse é um dos períodos mais produtivos de Basquiat. Algumas das peças de maior destaque da exposição que vem ao Brasil, como Hand anatomy (Anatomia da mão, 1982), Old cars (Carros velhos, 1981), Selfportrait (Autorretrato, 1981), Do not revenge (Não se vingue, 1982) e Loin (Lombo, 1982) foram produzidas neste período. Muitos dos seus trabalhos dessa época foram pintados em portas, em esquadrias de janelas e em peças de madeira jogadas fora e que ele achava pelas ruas.

1983-1988

Em 1982, Basquiat conhece Andy Warhol, de quem se torna amigo. Entre 1984 e 1985, eles trabalhariam em parceria em uma série de quadros. Do trabalho conjunto, o público brasileiro poderá ver Heart Attack (Infarto, 1984). Nesse período, Basquiat é um artista celebrado, disputado pelas galerias e com frequentes exposições internacionais. Apesar do vício em heroína, sua produção se mantém. Em 1988, ano de sua morte, expôs em Paris (França) e em Dusseldorf (Alemanha). Entre os trabalhos desses anos, estará exposta no Brasil Rusting Red Car (Carro Vermelho Enferrujado, 1984). De acordo com Pieter Tjabbes, “a habilidade de projetar sua poderosa personalidade e sua inteligência aguda para dentro de sua obra mantém as realizações de Basquiat sempre vivas”.

JEAN-MICHEL BASQUIAT | John Lurie, 1982 | Tinta a óleo em bastão sobre papel | [Oil stick on paper] 168,6 x 76,5 cm | Copyright © The Estate of Jean-Michel Basquiat. Licensed by Artestar, New York
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