Músicos se reinventam em tempos de coronavírus e gravam música em “jam virtual”

Assim como a maioria dos artistas, a cantora Izabella Rocha viu seus projetos artísticos serem abruptamente suspensos desde a chegada da pandemia do coronavírus no Brasil. Mãe de três filhos, num primeiro momento ela focou em preparar a casa para a quarentena e adaptar a rotina familiar. Mas, muito antes do que imaginava, a música voltou a fluir.

“Com o meu quinteto, vínhamos num ritmo forte de ensaios, com shows marcados– inclusive a grande noite de lançamento, em maio, de Bella, meu álbum jazzístico, que traz minhas influencias no reggae, soul, samba e bossa para esse universo. Não tivemos como seguir com os mesmos planos, mas a música, como sempre, encontra o seu caminho.”, afirma Izabella. Na noite desta sexta 3 de março, ela lançou, simultaneamente, com o cantor, violonista e produtor João Suplicy, nas redes sociais, uma versão acústica de Blue Moon (composição de Richard Rodgers e Lorenz Hart, de 1933). “Somos amigos e parceiros musicais. Inclusive uma das músicas do meu novo álbum, Ansiedade, é dele. Temos uma sintonia muito boa e conseguimos manter essa ligação mesmo gravando separados. Nada se compara ao presencial, mas adorei a experiência, ainda mais dadas as circunstâncias”.

João Suplicy conta que tem aproveitado o tempo de quarentena para criar em casa. “Uma das ideias que surgiram foi essa espécie de ‘jam virtual’. Eu faço o vídeo e envio para a pessoa, que complementa com voz, instrumento ou ambos e me devolve para finalizar. Tenho convidado alguns músicos com os quais me identifico, como a Izabella,. Ela já se apresentou em shows meus. Eu em shows dela e sempre é ótimo. Escolhemos Blue Moon, essa balada que acreditamos ser muito propícia para este momento que atravessamos, pois traz suavidade, doçura e calma.”, conta João, que também já fez a jam virtual com Evandro Mesquita, Thadeu Romano, Derico e Edu Krieger.

Blue Moon, inclusive, dá nome à turnê que a artista brasiliense vinha realizando desde 2018, interpretando canções clássicas que resgatam as blue notes nascidas em New Orleans, com um toque de reggae, bossa nova, samba e soul music. À mistura, ela apelidou de “Jazz Reggaeado”. “A música sempre me realizou e fui muito feliz em todas essas fases. Não foram trabalhos, experiências musicais, apenas. Foram vivências que me transformaram e me nutriram de várias formas. Desde Gaia eu já vinha lapidando o meu estilo, somado às minhas experiências como mãe e mulher. Mas hoje, pela primeira vez, sinto que estou fazendo algo realmente do jeito que quero, de uma maneira muito sincera comigo mesma. A realização só cresce dentro de mim”, afirma Bella.

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