No momento em que a Unesco comemora o Ano Internacional das Línguas Indígenas, o projeto Cafurnas Fulni-ô lança três videoclipes e um disco com o registro do canto e da dança do povo Fulni-ô, indígenas do nordeste brasileiro.

O lançamento ocorre em etapas. Na quinta (5 de dezembro) com o primeiro trailer e videoclipe. No dia 12 dezembro (quinta) é a vez do segundo videoclipe. No dia 16 de dezembro (segunda) o álbum Cafurnas Fulni-ô entra nas plataformas digitais (Facebook, Instagram e Youtube) e por fim no dia 20 de dezembro (sexta) o terceiro clipe vai ao ar.

As cafurnas são melodias entoadas e cantadas em Yaathe, a língua nativa do povo Fulni-ô, sempre acompanhadas por danças tradicionais. Além dos três vídeos, que têm como pano de fundo a imponente Chapada dos Veadeiros, no coração do Brasil, o projeto também traz um trailer que conta a origem dessa expressão musical: o sonho de Abdon, um ancião Fulni-ô.

Foi um sonho que trouxe o recado dos encantados para Abdon: veio uma melodia que deveria ser letrada e cantada em Yaathe, para a sua língua nativa nunca morrer. Assim, começa a surgir as cafurnas que, com seus versos, ajudam a preservar a cultura e a língua desse povo. De toda sua região, o nordeste brasileiro, o povo Fulni-ô é um dos poucos que conseguiu manter viva e ativa a sua língua original.

Vale ressaltar que o processo de colonização do Brasil se inicia nesta região e os povos autóctones daquela parte do território tiveram que lidar antes dos demais com as dinâmicas de aculturação e genocídio. Estima-se que existiam cerca de 1.000 povos no nordeste e hoje restam apenas 80. A proteção dessa língua vem de sua músicas e também, em grande parte, pelo do Ouricuri, ritual sagrado (e secreto), que os indígenas realizam anualmente, desde o tempo antigo até hoje.

“O projeto é uma homenagem a Santxiê Tapuya Fulni-ô, em memória de sua luta e resistência no Santuário Sagrado dos Pajés”. Revela Tâmara Jacinto. “O Santuário dos Pajés é um território em Brasília, de uso tradicional indígena desde o século passado. Ele foi ocupado permanentemente por Santxiê e sua família na época da construção da cidade. Desde então, a especulação imobiliária fez de tudo pra tirará-los de lá. Em 2014 ele partiu, mas partiu em luta, defendendo o que sempre o manteve em pé: sua cultura e sua língua”. Destaca a idealizadora do projeto Cafurnas Fulni-ô.

Sobre o povo Fulni-ô

De acordo com o último censo do IBGE, é possível encontrar cerca de 8 mil indígenas Fulni-ô. Eles vivem na sua aldeia, próxima ao município de Águas Belas (PE) e no Santuário dos Pajés (DF). O artesanato, feito em grande parte com a palha da folha do Ouricuri – uma planta sagrada – e a apresentação de suas músicas e danças tradicionais, entre elas, a cafurna; são as principais fontes de renda desse povo.

Todo ano, eles se recolhem para a realização do ritual do Ouricuri (que leva o nome da planta sagrada), momento em que celebram a sua tradição e tomam decisões políticas. Apesar de terem conseguido manter viva grande parte de sua cultura milenar, o povo Fulni-ô ainda não possui território demarcado.

Serviço

Lançamento do álbum Cafurnas Fulni-ô
Datas: 5 de dezembro (quinta): Trailer e videoclipe 1
12 de dezembro (quinta): Videoclipe 2
16 de dezembro (segunda): Álbum Cafurnas Fulni-ô
20 de dezembro (sexta): Videoclipe 3
Acesso via:
Youtube: www.youtube.com/channel/UCyrkr_Jyy8WP7DYDSn4wAhg
Instagram: www.instagram.com/agoancestralidade/
Facebook: www.facebook.com/agoancestralidade

Classificação indicativa: Livre.

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