O Festival Marco Zero traz dança, ancestralidade e movimentos coletivos para escolas e espaços públicos do Distrito Federal, promovendo performances e oficinas únicas

Dança, criação e performance. A oitava edição do Festival Marco Zero – Dança em Paisagem Urbana traz para o Distrito Federal esta semana uma série de oficinas e apresentações que celebram corpos, territórios e ancestralidades em movimento.

De 27 a 31 de outubro, espaços urbanos e centros educacionais da Ceilândia, Gama e Santa Maria recebem artistas da cidade e de outras partes do país. O Marco Zero 2025 propõe uma imersão sensível nas potências da coletividade e nas narrativas corporais que atravessam o Brasil contemporâneo.

A programação contempla artistas indígenas, negros, periféricos, LGBTQIAPN+ e pesquisadores de diversas linguagens, reafirmando o festival como território de pluralidade/resistência e é totalmente fomentada pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023.

A curadoria é de Marcelle Lago, Flávia Meireles, Ivana Motta e Bárbara Matias Kariri, todas artistas e pesquisadoras em dança.

“O objetivo da edição deste ano é estabelecer um diálogo entre a rua e a escola. Trazer para o chão da escola a reflexão sobre o movimento. Refletir e pensar a partir da dança”, explica Marcelle Lago, que também é idealizadora e coordenadora do Festival Marco Zero.

Criado em 2006, o Festival faz parte do calendário da cidade e, desde 2022, o evento tem uma programação gratuita, abrindo espaço para novas linguagens e olhares sobre a dança que extrapolam aspectos técnicos-estéticos, indo além dos muros dos teatros e casas de espetáculo.

A edição deste ano terá quatro intervenções e uma ação ritual que tensionam fronteiras entre tradição, ancestralidade e contemporaneidade. Nesta segunda-feira (27), 17h, “Burburinho”, de Jefferson Figueirêdo, abre o festival na Estação Ceilândia Central do Metrô-DF e promove uma celebração do frevo como pulsação coletiva e manifestação de rua. Entrada livre e gratuita.

Já na programação restrita aos espaços educacionais, “X”, da Cia Mutum (DF), dirigida por Wally Fernandes, coloca em cena corpos pretos, trans e periféricos que revelam de forma poética às violências da desterritorialização.

“Ruído”, da multiartista Bussy (DF/SP), propõe uma viagem poética entre o humano e o inumano. Em uma linguagem híbrida entre dança e performance, corpos são tomados por entidades invisíveis que buscam novas formas de comunicação – quando o movimento fala onde a voz não alcança.

“Corpágua”, de Rô Colares (PA), mergulha na simbologia da Mãe D’Água e nas relações entre corpo, floresta e emergência climática. A obra evoca a ancestralidade amazônica como força criadora e questiona a relação humana com os corpos de água e suas espiritualidades.

No dia 30 de outubro (quinta-feira), a ação ritual “Destravando a cidade”, da alagoana Idiane Crudzá, encerra o Festival levando para o Centro de Ensino Médio 2 do Gama um encontro rezo-rua para rememorar, por meio da dança, as vidas que nascem na terra, apesar do asfalto. Idiane é mulher indígena Kariri-Xocó, professora, praticante da medicina natural e militante das causas indígenas.

Oficinas

Serão realizadas ainda duas oficinas que convidam o público à experimentação e ao encontro coletivo por meio da dança. “Abre-Alas: corpos e presenças no frevo”, com Jefferson Figueirêdo (PE/DF), propõe uma vivência sobre o frevo como expressão de liberdade, resistência e reinvenção.

O artista pernambucano — passista, pesquisador e doutorando em dança pela UFBA — convida os participantes a dançar o frevo para além da sazonalidade carnavalesca, em diálogo com sua história social e política.

A segunda oficina, “Caminhos pra se dançar junto: estratégias de escavação de um corpo coletivo”, será ministrada por Rô Colares (PA). Ela propõe jogos e improvisações para despertar estados de movimento compartilhado.

Mulher indígena Arapiun, artista Def e pesquisadora da dança na Amazônia, Rô investiga o corpo coletivo como gesto político e poético de permanência e escuta.

Serviço:

8º Festival Marco Zero – Dança em paisagem urbana
De 27 a 31 de outubro de 2025
Lugar de dança é na rua e na escola!
Locais: Ceilândia, Gama e Santa Maria
Classificação indicativa Livre

Assessoria de imprensa:
Paó Comunicação
61 – 99249-7074

Programação:

Todas as atividades são restritas à comunidade escolar, exceto a apresentação de abertura no metrô.

BURBURINHO (Jefferson Figueirêdo-PE)
27/10, 17h
Estação do Metrô Ceilândia Centro (aberta ao público)
29/10, 20h
CEM 02, Gama-DF

RUÍDO (Bussy-SP)
28/10, 10h30
CEM 404, Santa Maria-DF

X (Mutum-DF)
28/10, 17h
CED 06, Ceilândia-DF

CORPÁGUA (Rosangela Colares-PA)
30/10, 9h45
CEM 417, Santa Maria-DF

Ação Ritual DESTRAVANDO A CIDADE (Idiane Crudzá-AL)
30/10, 15h30
CEM 2, Gama-DF

Oficina ABRE-ALAS (Jefferson Figueirêdo-PE)
29 a 31/10, 11h
CED 07, Ceilândia-DF

Oficina CAMINHOS PRA SE DANÇAR JUNTO: ESTRATÉGIAS DE ESCAVAÇÃO DE UM CORPO COLETIVO (Rosângela Colares-PA)
29 a 31/10, 14h
CG-CEM 1,Gama-DF