Editado por Rose Marie Muraro, Eunucos pelo reino de Deus teve primeira publicação no Brasil em 1996

Desde então, a autora alemã Uta Ranke-Heinemann nunca havia revisitado a obra de maneira tão profunda quanto a que apresenta agora, em que amplia sua análise até o papado de Joseph Ratzinger, Bento XVI – que foi seu colega de faculdade.

A obra é um trabalho histórico-crítico de investigação sobre como o discurso religioso da Igreja Católica de censura ao prazer sexual construiu narrativas misóginas e homofóbicas que há milênios interferem na vida de milhares de pessoas.

“Pela primeira vez em dois mil anos de Igreja Católica, uma mulher ousa dar nome ao ‘problema que não tem nome’: a sexualidade. Este livro é uma contribuição incalculável à história da sexualidade humana.”
– Rose Marie Muraro

“Nenhum outro livro sobre a herança moral católica releva tantas declarações maldosas sobre as mulheres – de Padres da Igreja Primitiva, santos e moralistas medievais a papas recentes”.
The New York Times

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EUNUCOS PELO REINO DE DEUS

Traduzido de: Eunuchen für das himmelreich
Tradutores: Paulo Fróes e Débora Donadel
Uta Ranke-Heinemann
Páginas: 475 | Preço: R$ 64,90

Em 1996, Rose Marie Muraro, escritora que fundou a editora Rosa dos Tempos, teve a ousadia de lançar no Brasil a tradução de uma obra que marcaria uma geração de feministas – e que já colhia bastante repercussão mundo afora, depois da publicação original na Alemanha. Passados mais de trinta anos, a autora e teóloga Uta Ranke-Heinemann decidiu que era hora de atualizar o texto de maneira que, até então, não havia feito. Nasce, então o título “Eunucos pelo Reino de Deus: Igreja Católica e Sexualidade – de Jesus a Bento XVI”, ampliando a análise até o penúltimo papa, que foi colega de universidade de Uta, com a inclusão do capítulo “Minha Grande Decepção”.

A hostilidade de Jesus aos prazeres – determinada por teólogos celibatários, que passaram a vincular o prazer sexual ao conceito de “pecado” – perpetuou inúmeras consequências na vida cotidiana e nos direitos civis das pessoas ao longo da história, especialmente das mulheres. Em “Eunucos pelo Reino de Deus”, Uta Ranke-Heinemann reúne extensa bibliografia que comprova como o Cristianismo se transformou em uma doutrina de solteiros que legisla sobre uma massa de pessoas que se reconhecem não como amadas por Deus, mas sim impuras e merecedoras da condenação. O pessimismo sexual cristão tem origens na Antiguidade, mas com derivações diferentes. Na Idade antiga, a hostilidade ao prazer e ao corpo eram explicadas por considerações médicas. No cristianismo, derivou da maldição do pecado e da punição a ele. Ao longo do livro, a teóloga explica como a censura do prazer sexual se apropriou do corpo feminino, e como a Igreja molda seu discurso para continuar definindo o que é ou não “natural”, abordando, por exemplo, o antigo tabu contra o sangue menstrual.

Uta Ranke-Heinemann revela ainda como a igreja construiu dogmas e atualmente usa sua força para interferir na opinião pública sobre temáticas como contracepção, virgindade, aborto, homossexualidade, divórcio e casamento de pessoas divorciadas. Nesta nova edição, mas com a inclusão do capítulo em que a autora fala sobre um colega de universidade, Joseph Ratzinger, que ficaria conhecido ao se tornar o Papa Bento XVI. A negação do dogma de Maria como virgem imaculada defendida por Heinemann custou a cadeira de Teologia Católica que ocupava na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Segundo a autora, a doutrina da concepção virginal e a virgindade biológica perpétua de Maria a definiu como a única mulher isenta do pecado e teve implicações diretamente em sua vida conjugal: mesmo antes de nascer, Jesus estabelece as condições para Maria ser sua mãe, tendo em vista que ele não teria escolhido nascer de uma mulher que macularia o útero, que modelaria o corpo do Senhor, pelo sêmen masculino.

“Eunucos pelo reino de Deus” é um extenso arquivo histórico escrito por uma teóloga feminista que se propõe a expor a misoginia e homofobia católica que até hoje interfere na vida de milhares de pessoas cotidianamente.

Trecho

“A propósito, o sangue masculino é de uma natureza totalmente diversa à do infeccioso sangue feminino. O sangue masculino nunca é considerado venenoso. E o sangue de Jesus tem para os cristãos o significado oposto ao de veneno: é a causa da redenção da humanidade.

Os cristãos católicos e os protestantes, divergentes em tantos pontos, são inexoráveis irmãos de sangue quando o assunto é o sangue de Cristo visto como redentor. Quando eu era criança, meus pais, protestantes devotos, rezavam conosco esta oração:

Se hoje eu fiz algo errado
querido Deus, releve
Sua graça e o sangue de Jesus
Transformam todo mal em bem

E por conta disso há dois mil anos os cristãos bebem o sangue de Cristo na Eucaristia e na comunhão”.

Uta Ranke-Heinemann (Essen/Alemanha, 1927) tornou-se a primeira mulher a receber o mais alto grau de uma universidade alemã com a obtenção de seu doutorado em Teologia Católica, em 1954. Em 1969, foi a primeira professora universitária de Teologia Católica em todo o mundo.

Por duvidar do parto virginal de Maria, em 1987 a Igreja retirou sua licença de ensino. No mesmo ano, obteve uma cátedra não denominacional de História da Religião na Universidade de Essen. Tornou-se conhecida na década de 1970 como teóloga e crítica da Igreja, bem como pelo seu compromisso no campo da política de desenvolvimento e da ajuda humanitária.

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