“Estou sumamente agradecido por finalizar a instalação “Amarica: América Invertida”, na Universidade de Brasília. Projeto quase impossível, porém, por alguma razão, e graças às pessoas que me apoiaram, o projeto é agora realidade”. Em cartaz, desde a noite de 16 de agosto, no Minhocão (centro) da UnB, a instalação é composta de 35 bandeiras, em versões cor de rosa, de todos os países da América Latina, Caribe e Estados Unidos, que dialogam com a arquitetura da UnB.

O projeto de intervenção site-responsive do artista guatemalteco, Esvin Alarcón Lam, um dos seis artistas selecionados pelo I Programa de Residência Artística Internacional, implantado pela CAL/UnB e OEI, em 2017, tem curadoria de Ulisses Carrilho, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ).

No texto de apresentação “Ao sul do meu corpo” sobre a intervenção, Carrilho diz que nesse trabalho de imaginação política, “o caráter específico que essas 35 bandeiras da América Latina (acrescidas propositadamente das bandeiras dos países do Caribe e Estados Unidos) ganha neste local é múltiplo e convoca o espectador a desvelar seus múltiplos significados possíveis”.

Ele informa que as formas retangulares das bandeiras foram ordenadas pela posição que os países ocupam no mapa mundi eurocentrado – na ponta Norte do ICC as bandeiras começam pela ordem que os territórios nacionais ocupam desde a América do Sul, começando pela Argentina, em direção à porção Sul do prédio, com a bandeira dos Estados Unidos. “Em diálogo preciso com as formas sintéticas e os ângulos retos da arquitetura moderna do prédio, as bandeiras tremulam num espaço de livre fruição dos estudantes nesta universidade pública”.

No mesmo compasso da arquitetura, as bandeiras foram instaladas criando um ritmo tão preciso quanto insubordinado, constantemente movimentadas pelo vento que invade a construção rígida em concreto. “Enquanto o título convoca a pensar uma América marica ou invertida (termos usados para designar homossexuais em espanhol) e dialoga com a história da arte, numa citação indireta ao desenho de Joaquín Torres -García, a cor rosa pode ser ligada às lutas femininas e feministas, bem como à histórica resistência da população LGBTQIA+ no século XX.”

O texto salienta que: “Não é à toa que as ondas conservadoras que alcançaram o poder no país têm como um de seus alvos a desarticulação das instituições culturais e acadêmicas do país. Dialogar com as instituições de ensino e sublinhar que são campos de batalha da sociedade civil organizada é uma singularidade deste projeto”, lembrando que “as políticas públicas excludentes com a população transexual e travesti, com as manas soropositivas e o desrespeito às várias manifestações do feminino são motivo de revolta e indignação”.

A intervenção ocupa o Instituto Central de Ciências até 23 de agosto (sexta-feira).

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