Espetáculo, dirigido e interpretado por Cristiane Sobral, reflete sobre questões da identidade da mulher negra na sociedade

Representações estereotipadas e desumanizadas do feminino e da negritude fazem parte da construção social estabelecida. O papel da mulher negra gera impasses, vividos historicamente no dia-a-dia. O matriarcado, mesmo sendo o princípio de tudo, não é considerado, sendo desvalorizado pelo cotidiano machista. Ao mesmo tempo, a negritude e sua história não tem o devido valor e espaço na sociedade.

A partir da reflexão dessas e de muitas outras questões, surge o espetáculo Esperando Zumbi, dirigido e interpretado pela artista Cristiane Sobral. Esperando Zumbi é um manifesto sensível a partir de um ponto de vista afrocentrado e feminino. Na ação, uma mulher negra espera, desespera e des-espera ansiosamente seu homem e enxerga a si mesma diante dos paradoxos da construção e desconstrução da sua identidade negra e feminina. Com temporada em junho, no Espaço Cena, o público poderá prestigiar o espetáculo nos dias 15 (sábado), às 20h, e 16 (domingo), às 19h, com ingressos R$30 (inteira) e R$15 (meia).

Esperando Zumbi

Porque as mulheres esperam? Esperam por quem? Pra quê? Por que? Em cena, uma mulher com um encontro marcado, ou desmarcado? Alguém chegará. Será? Espera seu homem, a espera é dilatada ao máximo. A personagem Esperax escreve, reescreve e se inscreve. Tenta construir sua identidade negra diante dos fragmentos de uma diáspora estilhaçada. Espera vai parir o fruto da espera, não é Zumbi que chega, é espera que para de esperar e decide parir a sua libertação, Espera é Zumbi, Zumbi somos todos nós. A peça começou a ser concebida em setembro de 2015, em meio a um universo de leituras, discussões e reflexões no curso do mestrado em Teatro na UnB.

Em outubro de 2018 foi selecionado para o Festival de Teatro Melanina Acentuada, em Salvador. Em março de 2019 conquistou o primeiro lugar prêmio júri oficial no FFF Festival Frente Feminina de Cenas Curtas no SESC Garagem 913 Sul, em Brasília/DF. Em julho, segue em temporada em Maputo, Moçambique. A dramaturgia do espetáculo será publicada na Antologia de Dramaturgia Negra (FUNARTE). A obra reúne 16 textos teatrais escritos por dramaturgos negros – alguns deles premiados.

No Rio, integrou a programação do Fórum de Performance Negra, no Museu de Arte do Rio (MAR), e em São Paulo foi parte do festival Brasil Cena Aberta, na Praça das Artes. “O material foi organizado na contramão da história oficial, rompendo com a escassa representação da dramaturgia negra no meio acadêmico, constituindo-se como um portal para uma outra história possível, que se utiliza das impossibilidades para criar as múltiplas narrativas de um povo negro brasileiro”, explica o curador Eugênio Lima, responsável pela seleção dos textos.

Ficha técnica

Dramaturgia, direção e interpretação: Cristiane Sobral
Músicos: Marcelo Café e Dani Vieira
Músicas e Trilha Sonora: Marcelo Café
Iluminação: Larissa Souza
Maquiagem: Mayara Caroline
Programação visual: Ricardo Caldeira
Fotografia: Raíssa Tuany
Assessoria de imprensa: Pareia – Comunicação e Cultura
Produção: Nadja Dulci

Apoio

Escola de Cinema Social Cine Braza

Serviço

Esperando Zumbi
Quando?
15 de junho (sábado), às 20h
16 de junho (domingo, às 19h
Onde? Espaço Cena, CLN 205, Bloco C
Ingressos: 30 (inteira) 15 (meia)
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre

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