Disco referência.
Clássico Moderno.
Fundamento.

Esses são alguns dos termos usados pra definir o indefinível Enxugando Gelo, álbum que nasceu para ser o primeiro disco solo do rapper BNegão e acabou por lhe mostrar que, na verdade, ele já estava escudado pelos Seletores de Frequência.

O trabalho de 2003 surgiu da vontade do MC de escrever sobre coisas que não cabiam nem no Planet Hemp, nem no Funk Fuckers. A vontade de juntar o social e o espiritual de uma forma que ainda não havia acontecido dentro do hip-hop nacional.

Junto com isso, a necessidade de eliminar fronteiras entre gêneros e estilos, avançar nas alquimias que sempre pautaram a sua caminhada. A busca por fazer uma arte que seja, segundo BNegão, “o mais imperecível possível”.

Despretensiosamente, foi um dos discos mais aclamados do ano e considerado um dos mais importantes da música brasileira do século XXI. Sucesso absoluto de crítica, público e vendas (!!), Enxugando Gelo é referência sobre a síntese do rap com outros estilos da música negra como: reggae dub, samba, funk, jazz, funk carioca, rock e hardcore (representados aqui pelos Bad Brains).

O disco – vendido em bancas de jornais e lojas físicas – foi o primeiro álbum, lançado comercialmente no Brasil, a ser disponibilizado pelos próprios artistas para download gratuito na internet. Este ativismo digital gerou extrema polêmica na época, mas, além de influenciar grandes movimentos neste sentido, acabou sendo o passaporte dos BNSF para vários shows muito bem sucedidos no Velho Continente.

Enxugando Gelo (2003, independente)

A proposta musical do disco é vasta e a mensagem das letras continua atual, repleta de explanações filosóficas, espirituais e políticas sobre a realidade brasileira. Entre as 13 faixas, estão grandes hits da banda, que não podem faltar nos shows, “senão o pessoal fica bolado”, reforça BNegão.

Sons como “Funk Até o Caroço”, um funk 70 com rap e o vocal de grindcore do Paulão (cujo refrão costuma ser cantado em coro, de norte à sul do país);

Ou como a clássica “A Verdadeira Dança do Patinho”, onde a ideia de juntar vanguarda e música pop de impacto imediato deu muito certo. Aqui, a banda alquimizou um funk carioca ultra-minimalista com uma letra política (atual até os dias de hoje), peso nas guitarras e samples de samba do início do século passado e da orquestra de Duke Ellington.

”V.V”., com sua forma única de mix entre o samba e o raggamuffin/rap (cortesia de Gabriel Muzak e Marcos Suzano), também se destaca.

Ou ainda a importantíssima “Dorobo”, feita junto com o rapper Sabotage, com participação do Dengue (Djeik Sandino) da Nação Zumbi no baixo, Alexandre Basa na flauta e Tejo Damasceno (Mpcs e programações), do Instituto. “Inclusive eles – Tejo Damasceno, Rica Amabis e Daniel Ganjaman – são fundamento no disco. Contribuíram muito (com suas mixagens) pra gente chegar no som que a gente chegou”, aponta BNegão.

E vale ainda destacar a última, “Prioridades”. Com 8 minutos, é uma espécie de epopeia dub com refrão de samba no formato chamado-e-resposta.

O disco abre com Fábio Kalunga na introdução, recitando “A Palavra”, poema de Chacal. BNegão aponta que os shows são todos dedicados ao Fábio Kalunga, baixista dos Seletores de Frequência que faleceu em 2017 e que é peça fundamental na construção da coisa toda. “Tudo começou comigo e ele, na casa dele, ouvindo discos de Hermeto Pascoal, Gil e Jorge Ben, fazendo experiências com fita cassete, sampleando coisas e tal”, relembra BNegão.

A produção de Enxugando Gelo é do próprio BNegão junto com Pedro Garcia.

Escute Enxugando Gelo

https://onerpm.lnk.to/EnxugandoGelo

Venda vinil

Assustado Discos, por email assustadodiscos@gmail.com

Links oficiais

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