No caso deste “Solitude”, primeiro single de “Vesúvio” (Sony Music / Luanda Records), o 24º disco de Djavan a ser lançado em novembro, há no entanto um motivo maior, ligado apenas ao próprio sentido de se fazer arte: trata-se de uma canção urgente

“Solitude” – embora uma grande canção popular com vocação para a eternidade como tantas que Djavan já compôs – precisa ser ouvida agora. Precisa ser ouvida enquanto o Brasil discute o seu futuro nas eleições, enquanto batalhas acontecem nas cidades brasileiras, enquanto os Estados Unidos de Trump lançam sua guerra comercial contra a China, enquanto a Síria prossegue sua triste guerra civil despejando refugiados mundo afora, enquanto a extrema direita ressurge até na Escandinávia, enquanto a Inglaterra descobre como vai sair da União Europeia, enquanto… “um mundo louco/Evolui aos poucos/Pela contramão/O erro invade/Tudo que é cidade/Cai na imensidão…”, como diz a canção urgente.

Como o título indica, Djavan compôs “Solitude” num momento de reflexão e de íntima perplexidade. É uma rara canção politica mas que nasceu de forma espontânea, sem planejamento: “Estamos vivendo um momento de grande incerteza no Brasil e no mundo, tudo é complexo, confuso e nebuloso. Estou apreensivo com o futuro, todas as possibilidades são complicadas”, reflete Djavan sobre o contexto em que “Solitude” nasceu.

Na verdade, fazer canções é também uma forma que Djavan tem de reagir ao que vê e vive. E como em “Solitude” isso nunca esteve tão evidente. No entanto, ele “não queria falar de uma forma nebulosa, como a vida está neste momento”, mas sim de forma mais clara, solar, no espírito do que será o disco.

E, por isso, a canção nasceu pop – como será o CD “Vesúvio” – como uma convocação para se sair da passividade, da tal solitude. Ou como diz de forma tão cristalina a letra da canção: “Vidas fardos/Meros dados/Incontáveis casos/De desamor/Quanta dor/Muita dor/Quem é que sabe/O quanto lhe cabe/Dessa solitude?/Por isso a hora/De fazer é agora/Tome uma atitude”.

Musicalmente, “Solitude” tem uma primeira parte muito simples, uma melodia pop, quase um mantra, que evolui para uma segunda parte com uma construção harmônica complexa e original, típica das composições de Djavan.

Como sempre em seu processo criativo, a melodia nasceu antes, foi arranjada e gravada para valer e só depois de pronta recebeu letra, lá por volta de junho ou julho. A música flagrou o poeta tenso com o que via do mundo, o que fez com que até a matéria-prima de suas canções, de quase todas as canções, parecesse ter menos valor e gerasse o achado poético que abre “Solitude”: “Amor em queda/Mesmo tal moeda/Perde cotação”, o amor aí tratado com a frieza do noticiário da crise econômica, mas com o absurdo da situação denunciado de forma sutil no segundo verso (“mesmo tal moeda”), a poesia ressaltando o absurdo contido na notícia fria (não fosse esse estranhamento a função mesma da poesia, não é?).

Ainda nessa linha de denunciar a nossa passiva perplexidade cotidiana, o letrista Djavan continua uma cara tradição da poesia que é tentar traduzir em versos a irracionalidade das guerras.

Se um poeta como Paul Valéry dizia, na época da Primeira Guerra Mundial que “tanto horror não teria sido possível sem tanta virtude: sem dúvida, foi preciso muita ciência para matar tantos homens, dissipar tantos bens, aniquilar tantas cidades em tão pouco tempo”.

Agora, em “Solitude”, diante das guerras de hoje Djavan volta ao tema ainda mais conciso e preciso e define: “Guerra vende armas/Mantém cargos/Destrói sonhos/Tudo de uma vez”.

Mas “Solitude” também é, como todo single, um aperitivo do disco que chega em novembro. Trata-se de música pop, para tocar muito por aí, Djavan apresentando uma nova banda composta por velhos companheiros como o guitarrista Torcuato Mariano e os pianistas Paulo Calazans e Renato Fonseca, e dois músicos novos, justamente o baixista, Arthur de Palla, e o baterista, Felipe Alves, uma cozinha com um suingue ainda mais pop para a sua nova safra de canções.

Como diz em “Solitude”, “parece tarde/Falar de amizade/Ver com o coração”. Mas mesmo assim Djavan resolveu não ficar parado. Foi lá e fez novas canções, ou seja, viu com o coração. Tomou uma atitude, como diz a própria canção.

Lançamento: Sony Music / Luanda Records

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Fichas Técnicas

Solitude
(Djavan)
Luanda Edições Musicais Ltda.
Tempo: 3’13”
ISRC: BR-LRO-18-00001
Djavan – voz e violão
Felipe Alves – bateria
Arthur de Palla – baixo
Torcuato Mariano – guitarra
Paulo Calasans – piano elétrico
Renato Fonseca – teclados

Videoclipe de Solitude

Direção: Emílio Rangel e Pablo Baião
Direção de fotografia: Pablo Baião
Produção: Daniela Bruno
Produtora: Casa 6D
Maquiagem: Joana Seibel
Edição: Luis Baiia
Finalização: Pedro Conforti

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