O centro Cultural TCU em Brasília recebe a Exposição Diego e Frida – Um Sorriso no Meiodo Caminho, com fotografias sobre a vida de Diego Rivera e Frida Kahlo

Não foi a trivialidade quem uniu Diego Rivera e Frida Kahlo. Sua conexão em nada lembra o relacionamento ordinário de um casal comum. São dois artistas extraordinários que, unidos, legaram à humanidade um trabalho admirável e uma história explosiva, que ainda hoje atrai e deslumbra a quem prova de suas notáveis vidas.

De um lado, uma mulher forte, marcada por rupturas físicas e emocionais, cujo caminho de recuperação do corpo desvelava as dores da alma. Para Frida, a pintura representava a microscopia de seus mais profundos sentimentos. Do outro lado, um homem que, desde a tenra infância, encontrou na arte um artifício inato, evoluindo seu trabalho até torná-lo magnificente. Vinculados pela paixão política, revelaram-se um dos mais importantes núcleos de produção artística de sua época.

Em um relacionamento conturbado e codependente, Diego e Frida viveram romance e arte de forma intensa. Frida expunha as dores de sua existência em suas pinturas. Precursor do Movimento Muralista no México, Diego pintava o povo, a cujo serviço se colocava. Ambos se encorajavam, ambos se tiravam a paz – esta que, ironicamente, corresponde ao significado do nome da artista, na origem alemã de seu pai: Frieden.

O México foi o início de uma trajetória que os levou aos Estados Unidos e à fama, portando a bandeira de uma sociedade igualitária. Uma das manifestações artísticas dessa bandeira, pela qual Diego questionou o status quo capitalista, foi destruída no Rockefeller Center. Mesmo não integrando o movimento Muralista, Frida foi alimentadora da paixão política de Rivera, apesar de seus percalços com o Partido Comunista Mexicano.

Em parceria com a Embaixada do México, o Centro Cultural TCU apresenta a exposição “Diego e Frida: Um sorriso no meio do caminho”. A mostra fotográfica narra a vida desses dois ícones mexicanos que, assim como suas casas, ligadas por uma ponte, eram dois e eram um. Sua infância e seu período estudantil; sua luta sindical; suas relações e vidas no México e nos Estados Unidos; seus dois casamentos, que somaram 25 anos; as traições mútuas, os abandonos e os cuidados, registrados por nomes como Edward Weston, Manuel Álvares Bravo e Nickolas Muray, entrelaçando um colorido de ideais e sentimentos.

Sua história se confunde com a da própria humanidade, por onde passaram Picasso, Lenin, Trotsky, Xavier Guerrero, Duchamp, Kandinsky, David Alfaro Siqueiros, André Breton, Pablo Neruda e José Clemente. Frida foi a primeira artista mexicana a expor no Louvre, e foi Diego quem levou ao coração do capitalismo a arte que retratava o proletariado.

Juntos, Diego e Frida representam a esperança da mudança, o peso das dores individuais e coletivas. Um sorriso na metade do caminho, onde ambos se encontram e se completam.

Serviço

Diego e Frida – Um Sorriso no Meiodo Caminho
Curadoria: Karina Santiago
Visitação: 1º de maio a 29 de junho, de segunda à sexta, das 9 às 19 horas
Classificação indicativa: Livre
Local: Centro Cultural TCU – Instituto Serzedello Corrêa – SCES Trecho 3, Lote 3, Brasília – DF
Entrada Franca
Agendamentos de visita para escolas: (61) 3316-5221
Informações: (61) 3316-5874
centroculturaltcu@tcu.gov.br

Exposição Diego e Frida – Um Sorriso no Meiodo Caminho

Diego Rivera e Frida Kahlo

Frida Kahlo e Diego Rivera pareciam destinados a enfrentar grandes conquistas, a deixar grandes feitos e a encarar grandes tormentas. Para além dos característicos holofotes sobre sua vida pessoal, o casal mais controverso das artes deixou uma herança sem preço para o mundo.

Frida era uma criança excêntrica. Filha de uma mexicana com um pintor e fotógrafo alemão, revelava, desde muito jovem, objetivos de vida singulares. Aos 6 anos, a poliomielite, que lhe afinaria uma das pernas, apresentou-lhe a crueldade do mundo, tornando-a alvo fácil da dor imposta por seus colegas apenas por ser diferente. Isolada, entrou aos 15 anos para a Escola Nacional Preparatória, a melhor do México, onde conheceu Diego Rivera, já renomado artista aos 36 anos.

Diego também teve uma infância peculiar. Gêmeo e sem a predileção da mãe, foi enviado à cidade de Guanajuato aos cuidados de sua babá após a morte de seu irmão. Ao perceber a facilidade do filho para o desenho, seu pai o matriculou na Academia de San Carlos para estudar Arte.

Por meio de Greco e Cézanne, Diego abraçou tardiamente o Cubismo em 1907, ano de nascimento de Frida. Dez anos mais tarde, enfrentaria o grupo de Picasso ao renegar o Cubismo ortodoxo. No início dos anos 1920, sua arte recebe um aporte: o pintor David Alfaro Siqueiros, que lhe influenciaria fortemente sobre os temas da Revolução Mexicana e da arte voltada não à burguesia, mas ao povo e suas raízes.

Em 1931, aos 34 anos, retorna ao México e produz seu primeiro mural na Escola Preparatória, consagrando-se no Movimento Muralista. Em 1927, vai à então União Soviética para pintar vários murais sobre os dez anos da Revolução Bolchevique. Nesse momento, inicia um enfrentamento com a burocracia Stalinista que, posteriormente, o levaria a ser expulso do Partido Comunista Mexicano.

Dois anos antes, em 1925, Frida Kahlo, então com 18 anos, sofrera um acidente automobilístico com seu namorado Alejandro que a deixou gravemente ferida. Passou por 32 cirurgias, permanecendo acamada e imóvel por um logo período. Guillermo Kahlo, seu pai, adaptou um cavalete e um espelho em seu leito para que pudesse pintar. Com eles, Frida retratava seus amigos, seus familiares e principalmente a si própria. Em 1928, com o fim do namoro, reencontra Diego Rivera na casa de uma amiga em comum, em uma reunião do Partido Comunista. O romance caminhou a passos largos e, no ano seguinte, casaram-se em Coyoacán.

Inicia-se então uma história de amor, conflitos, paixão e codependência. Em Frida, Diego encontra a figura maternal que perdera à época da morte do irmão; em Diego, Frida tem o talentoso e passional artista que expõe os sentimentos da população.

Em 1930 Diego é expulso do Partido Comunista e recebe convite para pintar na Bolsa de Valores de Chicago, nos Estados Unidos, onde permanece por 6 meses. Dois anos mais tarde, em 1932, retorna para realizar uma exposição no Museus de Arte Moderna – MoMA. Em 1933, época em que Frida engravida e sofre um aborto espontâneo, Diego é contratado por Henry Ford para pintar painéis celebrando a indústria de Detroit. No mesmo ano, é convidado a pintar, no Rockefeller Center, um painel que viria a ser destruído sob acusações de propaganda comunista, visto que retratava Lenin entre os personagens.

Quatro anos depois, a mãe de Frida é diagnosticada com câncer, compelindo o casal a regressar ao México, onde constroem sua casa, ou melhor, suas casas, conectadas por uma ponte superior. Conhecido por seu envolvimento com várias mulheres, Diego teve um caso com a irmã mais nova de Frida, que os surpreenderia em casa. A partir desse momento, o relacionamento passa a ser ainda mais passional e sofrido. Frida pinta a obra “Facadinhas de Nada”, retratando o momento em que foi traída pela irmã e pelo marido, e sofre outro aborto. Perdoando a irmã, reata com Diego, passando porém a ter casos com mulheres, com consentimento do marido, e com homens ocultamente. Em 1937, Diego se aproxima do movimento Trotskista e arquiteta o asilo politico de Leon Trotsky e sua esposa. Frida e Trotsky se envolvem; ele se apaixona perdidamente, ela não. Tempos depois, o romance se encerra, talvez graças à esposa de Trotsky. Este escreve a Frida uma carta apaixonada.

Em 1939, Frida vai a Paris e conhece o movimento Surrealista. No término da Guerra Civil Espanhola, conhece Pablo Picasso, encantando-se ao ser recebida por ele. No ano seguinte, nega que sua obra seja Surrealista, afirmando que apenas transcreve a realidade de seus sentimentos. No mesmo ano, muda-se para Nova York e separa-se de Diego.

Neste momento, Frida começa a se reconstruir de outra forma. Tal como habitualmente fazia com seus trajes exuberantes, externa agora sua feminilidade nos moldes da época. Reaproximando-se de Diego, se casam pela segunda vez. Perde o pai em 1941, já bastante conhecida no México.

Segue-se então um relacionamento permeado por traições recíprocas. Em 1950, Frida adoece seriamente, ficando hospitalizada por um ano. Ao sair, pratica o uso abusivo de álcool e medicamentos, mas continua a pintar, embora com menos frequência. Em 1953, causa furor ao chegar glamourosamente acamada a uma exposição individual. No mesmo ano, seus dedos e uma das pernas apresentavam sinais de gangrena e precisaram ser amputados. Falece aos 47 anos, em 13 de julho de 1954, sendo velada com a bandeira comunista sobre seu caixão. Em seu diário, as últimas palavras tratam de sua partida:

“– Espero a partida com alegria. E espero nunca mais voltar.” (Frida Kahlo)

Casado pela quarta vez, Diego, que sempre considerou seu amor por Frida a coisa mais importante de sua vida, morre no dia 24 de novembro de 1957, vitimado por um câncer:

“– O dia mais trágico da minha vida. Perdi minha amada Frida para sempre. Agora é tarde demais, percebo que a parte mais maravilhosa de minha vida foi meu amor por Frida.” (Diego Rivera)

PROGRAMA EDUCATIVO DO TCU

O Programa Educativo do Tribunal de Contas da União é um projeto específico de atendimento ao público em seus dois espaços expositivos: o Museu do TCU Ministro Guido Mondin e o Espaço Cultural Marcantonio Vilaça.

O programa atende grupos e escolas, com agendamento prévio.

Centro Cultural TCU

Integrado pelas galerias do Espaço Cultural Marcantonio Vilaça e do pelo Museu do TCU Ministro Guido Mondin, o Centro Cultural TCU promove as ações culturais do Instituto Serzedello Corrêa – ISC, escola superior do Tribunal de Contas da União.

Atualmente, o Museu apresenta a exposição de longa duração “TCU – A Evolução do Controle”, que narra a trajetória e a evolução do controle dos gastos públicos desde o Século XIII, em Portugal, passando pela criação do Tribunal de Contas até os dias atuais.

Ao criar valiosas oportunidades de acesso de estudantes e do grande público à história, à arte e a outras manifestações culturais, o Centro Cultural TCU promove a cidadania e aproxima-se da sociedade, a quem já se dedica em suas funções institucionais.

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