Dia da Consciência negra: a escrita de artistas pretos como forma de manifestação política

Artistas, moradores do Distrito Federal, Cristiane Sobral e Ricardo Caldeira usam linguagens artísticas para dialogarem sobre questões raciais e de gênero.

A escrita para artistas negros é um instrumento de manifestação política. Por meio das palavras, se manifestam, quebram o silêncio imposto e discursam sobre temas variados a partir de uma outra perspectiva, carregada de ancestralidade e resistência. Há 20 anos, a carioca Cristiane Sobral publicou o primeiro poema: “Não vou mais lavar os pratos”, nos Cadernos Negros 23, organizado pelo grupo Quilombhoje Literatura (SP).

Até hoje a escritora e atriz, que vive em Brasília, se debruça sobre esses e outras temas relacionados às questões raciais e também de gênero. Em 2017, ganhou o prêmio FAC – Culturas Afro-Brasileiras. Entre as obras publicadas pela autora, estão livros de prosa e poesia, como Terra Negra (2017), Não vou mais lavar os pratos (2010) e Só por hoje vou deixar meu cabelo em paz (2014). Crisitane Sobral é também escritora imortal da Academia de Letras do Brasil – seção Distrito Federal (ALB), atual titular da cadeira nº 34.

É também, por meio do desenho, dança e literatura, que o artista visual Ricardo Caldeira aborda a dramaturgia da expressão corporal negra e sexualmente diversa. Nasceu em Brasília em 1988, cresceu, vive e atua em São Sebastião, cidade/vila/vale do interior do DF. Desde 2010 participa de atividades voltadas à valorização artístico-cultural periférica por meio da coprodução de eventos, apresentação artística e formação educativa.

Em 2020 publicou o primeiro livro, Vendaval, um catálogo gráfico biográfico e ensaístico. É protagonista do 5º episódio da série Favela Gay – Periferias LGBTQIA+, atualmente disponível na Globosat Play.

Juntos, a escritora e o artista visual idealizaram um curso on-line de formação literária que aconteceu virtualmente durante a quarentena. As atividades foram conduzidas pela escritora e atriz Cristiane Sobral. Paralelamente, os participantes tiveram oficina de apresentação profissional e produção gráfica para escritores, conduzida pelo co-criador do projeto, Ricardo Caldeira.

A produção cultural é da também escritora Alyne Lima. Todos os integrantes da equipe são pessoas negras que buscam por meio da linguagem poética provocar a sociedade sobre temas sociais, com destaque a luta contra racismo e valorização das pessoas negras.

Antologia literária

As obras produzidas durante o curso agora vão virar um livro: a antologia “Águas d’ilê”, que será lançada no dia 18 de dezembro em transmissão ao vivo no Instagram de Cristiane Sobral. Essa coletânea é inspirada na força feminina e matriarcal negra representada por Oxum. No livro estão reunidas narrativas de 18 contistas, com formações diversas e de várias cidades brasileiras.

A capa do livro é de Nelson Inocêncio, professor do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília e membro do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UnB. O prefácio é de Luana Reis, doutoranda em Literatura na Universidade de Pittsburgh, EUA, ambos pesquisadores em expressões culturais de matrizes africanas em diáspora.

“Águas d’ilê” inaugura o selo editorial Aldeia de Palavras, de Cristiane Sobral em parceira com Ricardo Caldas. Um dos objetivos dessa iniciativa é a inserção de novos escritores e escritoras no mercado das letras. “A força motriz do projeto nasceu da necessidade de romper silêncios históricos considerando os caminhos estéticos das escrituras e o compartilhamento de experiências no mercado editorial ainda tão restrito para a população negra e periférica, especialmente para mulheres negras”, ressalta Cristiane Sobral.

Cristiane Sobral:

A escritora Cristiane Sobral é carioca e vive em Brasília. Ela é mestre em Teatro pela Universidade de Brasília (UnB), atriz, escritora, dramaturga e professora de teatro da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF). Além disso, pesquisa sobre a estética no teatro negro. Há 20 anos dirige a Companhia de Arte Negra Cabeça Feita.

Em 2017, ela ganhou o prêmio FAC – Culturas Afro-Brasileiras. Entre as obras publicadas pela autora, estão livros de prosa e poesia, como Terra Negra (2017), Não vou mais lavar os pratos (2010) e Só por hoje vou deixar meu cabelo em paz (2014). Cristiane Sobral é também escritora imortal da Academia de Letras do Brasil – seção Distrito Federal (ALB), atual titular da cadeira nº 34.

Ricardo Caldeira

Por meio da sinergia entre desenho, dança e literatura, Ricardo Caldeira aborda a dramaturgia da expressão corporal negra e sexualmente diversa. Nasceu em Brasília em 1988, cresceu, vive e atua em São Sebastião, cidade/vila/vale do interior do DF. Desde 2010 participa de atividades voltadas à valorização artístico-cultural periférica por meio da coprodução de eventos, apresentação artística e formação educativa.

Em 2020 publica o seu primeiro livro, Vendaval, um catálogo gráfico biográfico e ensaístico. É protagonista do 5º episódio da série Favela Gay – Periferias LGBTQIA+, atualmente disponível na Globosat Play.

Serviço:

Lançamento virtual do livro Águas d’ilê
Data: 18 de dezembro às 19h
Canal: @cristianesobralartista.
Valor do livro: R$ 40 – pedido de compras pelo producoescristianesobral@gmail.com ou pelo whatsapp (61) 9 9153-1883

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