Fotógrafo David Argentino recebe homenagem póstuma com exposição em plataforma digital. Lambe-lambes com fotos do artista também foram espalhados pelo Rio de Janeiro

David Argentino – ou Bira, apelido que surgiu pela famosa e inconfundível risada parecida com a do baixista homônimo, parte do quinteto Jô Soares – foi fotógrafo, videomaker, comunicador, cineasta, produtor de festas e músico e faleceu em 2018, aos 32 anos, deixando muita saudade e um vasto trabalho em diferentes áreas. Em 2019, a mãe do artista, Giselda Marcolina da Silva, quis prestar uma homenagem ao filho através de uma exposição de fotos. “Depois de sua partida, talvez na busca de uma forma de tentar ‘estender a sua existência’, comecei a pensar em realizar meu antigo desejo de fazer uma exposição para mostrar, de alguma forma, o trabalho lindo e sensível dele”, conta Giselda.

Com a ajuda do primo Alexandre Marcondes e do amigo Victor Naine, todo o trabalho, que estava em muitos HDs, foi catalogado e entregue à Gabriela Caspary. “A minha intenção neste primeiro momento foi de me colocar diante do Arquivo e buscar ouvir o que ele tinha a me dizer. Queria entender os caminhos trilhados por David. Como se costuma dizer, a vida de um artista é infinita, porque segue vibrando em seus trabalhos”, diz a curadora e amiga. Nasceu, então, o projeto Arquivo Bira David.

Diante da pandemia da Covid-19, era impossível realizar uma mostra presencial. Então, o formato foi desenhado em uma plataforma digital – com site, páginas no Facebook, Instagram e Spotify –, além de uma intervenção urbana: lambe-lambes com uma seleção de fotos espalhadas pelo Rio de Janeiro. A intenção da instalação, além de fazer parte dos códigos de desobediência civil – que eram algumas das intenções do trabalho do Bira –, também era captar a energia da rua para o projeto e levar David para ‘dar um rolé’ pela cidade.

O site é focado nas fotografias. “A intenção foi apresentar um recorte do David fotógrafo. Digo recorte porque não se teve o propósito de uma seleção totalizante de sua produção. O desejo foi uma escolha poética e não a apresentação de um portfólio. Diante da ausência do artista, a responsabilidade sobre as escolhas de cada ponto do projeto ganha uma outra dimensão”, explica Gabriela Caspary.

As galerias têm uma troca aleatória de imagens, o que proporciona, a cada acesso, uma nova experiência. Tudo é acompanhado por uma trilha sonora. No Spotify, DJs e artistas próximos a David, como Ana Carolina Senna, desenvolveram playlists especiais para o amigo. Durante o processo de seleção das imagens, foi possível identificar padrões que acabaram virando palavras-chave para as galerias: arte, corpos, DJ, festa, mundo, humor, pés, shows e tattoo.

A plataforma digital também conta com uma página de vídeos feitos pela produtora independente Macarronada e pelo I Hate Flash, com seleção de produções que marcaram a memória da mãe de David, Giselda, e de sua tia/madrinha, Gigi.

Sobre David Argentino, o ‘Bira’

Nascido em 1985, no Rio de Janeiro, David era filho único de Giselda Marcolina da Silva e José Argentino da Silva. Desde cedo, já era apaixonado por música. Elegeu o contrabaixo como instrumento do coração e o punk rock como paixão. Fez parte de algumas bandas da cena underground carioca.

Se formou em Comunicação na Facha e fez cinema na Escola Darcy Ribeiro. Tinha como referência os diretores John Hughes, David Gordon Green, Nicholaus Goossen, Rodman Flender e o ator Adam Sandler. Tanto que, em 2008, escreveu uma versão de ‘Curtindo a Vida Adoidado’, chamada ‘Curtindo a Vida Armado’, uma produção piada nonsense do sucesso do cinema.

Durante alguns anos se dedicou à produção de festas, como a ‘Pra Frentex’, com temática dos anos 90, em que os convites eram clipes superespirituosos, encenados por DJs e amigos. A mistura de tribos das festas acabou se tornando um registro da agitação cultural da cidade na época.

David Argentino e I Hate Flash

David não tinha experiência em fotografia quando foi convidado pelo amigo Fernando Schalepfer, em 2012, para clicar. Juntos, acabaram crescendo no meio e criando linguagens próprias. Com Diego Padilha, Rodrigo Esper e outros fotógrafos da empresa, passaram a ser família. Cobriram juntos grandes eventos, como Rock In Rio, Lollapalooza e Coachella, além de muitos outros, nacionais e internacionais.

Pensando em fazer com que o projeto Arquivo David Bira chegasse a tantas pessoas quantas fosse possível, alguns colaboradores do I Hate Flash foram até os lambe-lambes espalhados pelo Rio de Janeiro, tiraram fotos e contaram no site do coletivo lembranças e afetos vividos pelo/com David. Uma homenagem ao amigo e à Giselda, mãe dedicada que transformou dor em poesia.

O projeto está disponível no https://arquivobiradavid.com.br/ e a homenagem feita pelos amigos flash haters está no site https://ihateflash.net/zine/arquivo-bira-david

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