Febre, o novo single da banda Costume Blue, já está no Youtube, Spotify e outras plataformas de streamings.

Febre é pulsação rara. Como uma coisa pop-rock pode ser criação poética arrojada sem pedantismo? Como a expressão catártica do rock se alinhava ao lirismo melódico, compactados em audição fluente? É que Febre desliza, se propaga com a própria ambiguidade energia-melancolia. E contagia na primeira audição.

Febre vem como um contágio ameno a princípio, no riff dedilhado de guitarra. Mas logo entra a palpitação power, na associação rítmica entre bateria e baixo como pulsação. “Eu e o Celso `Blues` Ferreira, baixista, criamos uma dobradinha baixo-batera como um coração pulsando”, lembra o baterista Cristiano Araujo.

Pulsação de música em letra, Febre concilia comunicação pop e inventividade poética incomum no cenário musical brasileiro atual. A letra vai ao encalço da melhor lavra de nossa poética musical (Caetano, Gil, Chico), em que menos vale uma “mensagem” e mais a experiência desconcertante de imagens encadeadas em efeitos fônicos: “Dentro soa o que não sei/delirado e revolvido”; “Salvo engano o entorno/ do corpo fervia/ mas já era a alma argamassa de avelã/ Salvo engano o gosto/ de elixir ardia/ boca sem saída da cantata sem um som”. Então se trata de uma cantata em que o som tanto advém da matéria melódica e harmônica quanto da fricção de vogais e consoantes da letra-poema.

Tal consciência poética não surgiu por acaso, pois a composição saiu das mãos de quem é bem familiarizado com a literatura, Marcelo Bulhões (Mestre, Doutor e Livre-docente em estudos literários pela USP e Unesp).

O single Febre sai nas plataformas de streamings concomitante ao lançamento no YouTube do clipe da música, produção do Europa Latina, único canal europeu dedicado exclusivamente à difusão da cultura latino-americana, com direção de Rubén Romero. Single e clipe abrem alas para o lançamento do álbum Ausência, no início de 2019.

Este novo álbum será formado por 12 faixas inéditas e autorais. Em larga medida dá o tom de um álbum repleto de composições pungentes: “não é para ficar como pano de fundo sonoro, mera música ambiente”, diz Marcelo Bulhões (vocal). “Ausência é um álbum muito abrangente: tem rock, canção, balada soul, blues nordestino” diz Cristiano Araujo (bateria).

Em Ausência estão presentes “distintas vertentes, costuradas com melodias marcantes, arranjos inventivos, argamassados de modo ao mesmo tempo sólido e ousado nos sintetizadores, pianos e órgãos bradados”, como lembra Ricardo Marins (teclados).

Costume Blue marca muitos pontos como um grupo que não faz concessão a modismos e etiquetas. Febre é o começo.

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