Circuito de Feiras do Livro do DF


Evento itinerante por nove Regiões Administrativas do DF, que, em cada localidade, promoverá um íntimo diálogo com a cultura regional com vista a promover o livro, a leitura e a literatura.

Com foco primordial na popularização das artes literárias, o Circuito de Feiras do Livro do DF apresenta uma rica e diversificada programação, que se estende por 23 dias, com início em 28 de março e encerramento no dia 27 de abril, sendo todas as atividades gratuitas e abertas à comunidade. Em cada RA, o Circuito promove 27 encontros cultural-literários ao longo de três dias seguidos de atividades. Para tanto, serão montadas tendas para abrigar dois auditórios e salas de oficinas, que devem receber um público de 210 pessoas por vez, hall para exposição de livros e um Café Literário. Espaços que estarão abertos e em atividade todos os dias, das 9h às 21h.

Um programa de sensibilização já vem sendo realizado em Escolas Públicas das nove localidades, por onde o Circuito irá passar. Dentre as atividades estão oficinas para professores, que estão sendo capacitados para atuarem como mediadores das diferentes atividades a serem promovidas nas Feiras. Escolas estas que estarão dentro de um grande programa educativo que irá levar aos sítios das Feiras um público estimado de 4.500 visitantes/dia. Com isso, o Circuito espera receber um público total superior a 120.000 pessoas.

Outra providência, é a aquisição de livros, tanto de autores residentes em Brasília quanto dos convidados de fora. Para a composição da lista de autores locais, foi feita uma proposta pelo gabinete da Secretaria de Cultura, com a participação do Colegiado Setorial do Livro e da Leitura. Esses livros serão doados às escolas, lidos pelos alunos, e – durante os dias do evento – serão promovidos encontros com os autores desses livros.

Sob o eixo temático “Literatura: Memória e Resistência”, o Circuito de Feiras de Livro do DF irá se adaptar às peculiaridades locais, de maneira a entrar em consonância com os costumes regionais e culturais mais marcantes e presentes em cada RA. A escolha do tema para este circuito tem como base a formação sociocultural da Região: “os candangos assentados, nos arredores da Cidade Planejada, insistiram em permanecer no DF, mesmo nos casos em que eram convidados a retornar para seus estados de origem ou sob a ameaça de que a cidade satélite deixaria de existir”, explica João Busco, curador do Circuito.

No âmbito da memória, a vinda de pessoas e com elas seus hábitos e costumes regionais, fez do Distrito Federal um território plural. Tomado por tradições culturais brasileiras que se espalham por toda a região. “Como o sertanejo rural e a catira, tão presentes em Brazlândia e Planaltina, o Hip-Hop e o Repente da Ceilândia, que tem expoentes de projeção nacional, e o Bumba-Meu-Boi de Sobradinho”, exemplifica João. Com isso, “buscar-se-á valorizar o quanto a literatura brasileira é constitutiva de nosso patrimônio imaterial: tanto as artes verbais, de natureza oral, quanto as escritas, ambas constituintes de nossa identidade”, explica.

Da programação, constarão: encontros de alunos da Rede Pública e Particular, além da comunidade, com escritores; debates literários entre escritores locais e convidados de fora do Distrito Federal; realização de mediação de leitura, com contação de histórias e declamações de obras literárias; a oportunidade de assistir a um espetáculo de literatura, com a apresentação grupos sejam musicais, de repentistas, de brincantes ou de artes cênicas; e ainda performances de arte urbana verbal e visual. Os artistas do DF foram selecionados por meio de um chamamento público.

Além dos escritores locais, haverá também autores de fora de Brasília, para permitir maior integração entre o público local e esses artistas; e também o intercâmbio com nossos poetas, prosadores e ilustradores. Estão confirmadas as presenças dos romancistas Ana Miranda, Tabajaras Ruas, Jeferson Assumção, Rosangela Rocha Vieira, Menalton Braff, Vicente Cecim, Leo Cunha, Carol Bensimon e Guiomar de Grammont, dos ilustradores Ivan Zigg, André Neves, Celso Sisto, Laerte Silvino, Renato Moriconi, do quadrinista S Lobo, do cordelista César Obeid, e dos poetas José Inácio Vieira e Luís Turiba. As feiras também terão a participação de professores e acadêmicos de Letras de maneira a tornar as atividades mais significativas para autores e para o público em geral.

A concepção deste circuito tem como propósitos: democratizar o acesso aos bens simbólicos de natureza literária; fomentar a leitura e à formação de mediadores desta; valorizar institucionalmente a leitura e incrementar seu valor simbólico; e desenvolver a economia do livro. O primeiro desses eixos busca o fortalecimento do papel das bibliotecas, a conquista novos espaços de leitura e a incorporação de tecnologias de informação e comunicação ao universo dos leitores; O segundo eixo está orientado para a formação de mediadores de leitura e para o desenvolvimento de projetos sociais de leitura; O terceiro eixo tem como objetivo converter as práticas sociais de leitura em Política de Estado, bem como colocar em evidência o valor social e simbólico da leitura; por fim, O quarto eixo prevê o apoio à criação e ao consumo de bens de leitura, como uma das estratégias principais para o desenvolvimento econômico do setor.

Cronograma de realização:

RA IX Ceilândia: 28 a 30 de março, das 9h às 21h
RA III Taguatinga: 31 de março a 2 de abril, das 9h às 21h
RA X Guará: 4 a 6 de abril, das 9h às 21h
Núcleo Bandeirante: 6 a 8 de abril, das 9h às 21h
RA II Gama: 11 a 13 de abril, das 9h às 21h
RA IV Brazlândia: 14 a 16 de abril, das 9h às 21h
RA VII Paranoá: 18 a 20 de abril, das 9h às 21h
RA XXIII Varjão: 18 a 20 de abril, das 9h às 21h
RA XXVI Planaltina: 25 a 27 de abril, das 9h às 21h

O contexto do DF e a proposta do Circuito de Feiras do Livro

No contexto global, faz-se necessária uma visão do DF, com uma perspectiva crítica para as necessidades a serem preenchidas. Na Capital da República vive uma população de aproximadamente 2,6 de milhões de habitantes; com 98% das crianças entre 07 e 14 anos frequentando a escola; detém o menor índice do Brasil de analfabetos (8,25%) e de analfabetos funcionais (5,5%). Do ponto de vista dos equipamentos culturais especializados para a área de leitura, o Distrito Federal 714 bibliotecas, sendo 135 especializadas, 49 universitárias, 496 escolares, 28 públicas e 6 comunitárias.

Entretanto, ainda restam lacunas no acesso a equipamentos de cultura e a bens culturais como a leitura literária. Portanto, a justificativa maior para a realização do Circuito de Feiras do Livro do DF decorre do quadro de acesso à leitura nas regiões administrativas fora do Plano Piloto. As pesquisas da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan) apontam níveis superiores a 95% de pessoas que não frequentam equipamentos de cultura como as bibliotecas. A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios 2013-2014 (PDAD), Codeplan indica sérios problemas de prática de leitura, como se verá a seguir.

Na Ceilândia, mesmo que 22,96% afirmem gostam de ler, somente 11,18% leem um a dois livros por ano; e a leitura de um livro por mês é observada em apenas 1,27% da população. Em Taguatinga, é esta a proporção: 38,04% gostam de ler, mas apenas 13,24% leem um a dois livros por ano; e a leitura de um livro por mês é observada em apenas 4,18% da população. No Guará, apesar de altos índices de escolarização, 90,91% dos habitantes não frequentam a biblioteca. No Núcleo Bandeirante, observou-se que 39,30% gostam de ler; porém, desses, apenas 17,21% leem de um a dois livros por ano; e a leitura de um livro por mês é observada em 8,27% da população. No Gama, obteve-se a declaração de que 25,85% gostam de ler; mas, destes, 10,87% lê apenas um a dois livros por ano; e a leitura de um livro por mês é observado em apenas 1,92% da população dessa cidade. No Paranoá, de maneira semelhante, 22,87% gostam de ler; porém, apenas 16,46% destes leem um a dois livros por ano; e a leitura de um livro por mês é observada em apenas 0,91% da população da satélite. No Varjão, felizmente, há maior proximidade entre a intenção e a prática, pois, 18,50% declaram gostar de ler; e 17,02% leem de um a cinco livros por ano. Porém, apesar disso, a leitura de um livro por mês é observada em apenas 0,12% da população.

Seguindo o mesmo padrão de descompasso entre intenção e gesto, em Planaltina, que 29,98% gostam de ler, sendo que destes 24,53% leem apenas um a dois livros por ano; e a leitura de um livro por mês é observado em apenas 0,09% da população. Por fim, em Brazlândia, por exemplo, ainda que 21,50% declarem que gostam de ler, 11,10% leem apenas um a dois livros por ano.

Diante dessa leitura do contexto, o Circuito de Feiras do Livro foi concebido para se inserir entre as políticas culturais do GDF, entre as quais se destaca a indústria criativa, particularmente a das artes literárias. Nos objetivos de valorizar a cultura estão as ações de educação artística, em integração com setores culturais, promovendo, entre outras, as artes verbais nas escolas. Uma das metas deste governo é a de elevar o Distrito Federal à condição de polo cultural, regional, nacional e internacional, divulgando as manifestações culturais das cidades no Brasil e no exterior, desenvolvendo a produção cultural local com vistas à geração de empregos e de riquezas.
O projeto está sendo desenvolvido devido à necessidade de democratização do acesso ao livro e a atividades mediadas de leitura literária, como parte das estratégias de democratização e o acesso ao livro e da leitura, um dos meios previstos no Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) e também no Plano do Livro e da Leitura do Distrito Federal (PDLL). Na dimensão de governança local, o PDLL – do qual este Circuito de Feiras de Livro será um dos instrumentos – busca dar consistência à declaração contida no art. 246 da Lei Orgânica do Distrito Federal, que é o de assegurar ao cidadão o direito de acesso à cultura.

Nos termos do PDLL, uma meta que buscamos é, com o auxílio dessa política de acesso ao livro e à leitura, contribuir para a superação de outras desigualdades sociais. Em consonância com as políticas culturais do País, o PDLL está fortemente atrelado às metas do Plano Nacional de Cultura (Lei nº 12.343, de 2010), particularmente com as de mapear os segmentos culturais com cadeias produtivas (7ª meta); desenvolver projetos de apoio à sustentabilidade econômica da produção cultural (9ª meta); aumentar a média de livros lidos fora do aprendizado formal, por ano (20ª meta). Nos termos de seu documento fundador, com o objetivo de garantir a integração dos vários atores do setor, o PDLL é coordenado pela Secretaria de Estado de Cultura do DF, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação e a de Ciência, Tecnologia e Inovação, sendo articulado com as demais Secretarias do Governo do Distrito Federal, com entes do Governo Federal e com a sociedade civil organizada. Na dimensão de governança local, o PDLL – do qual este Circuito de Feiras de Livro será um dos instrumentos – busca dar consistência à declaração contida no art. 246 da Lei Orgânica do Distrito Federal, que é o de assegurar ao cidadão o direito de acesso à cultura.

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