Bruno E. apresenta, com seu São Paulo Jazz Rebels – ouça aqui –, o mais recente resultado de uma longa trajetória de hibridismo musical que conta com mais de duas décadas.

Começando por trabalhos com música eletrônica, passando pela pesquisa de fusões entre batidas de trip hop e repentes nordestinos, pela recuperação do pós-punk dos anos 80 e 90, até a exploração das fronteiras do jazz, Bruno mostra uma inquietude criativa que se traduz na singularidade de seus trabalhos.

A disparidade, às vezes brutal, que compõe tal trajetória é apenas uma das mais claras expressões de alguém que não saberia como se submeter a um lugar demarcado. Tal inquietude está evidente neste São Paulo Jazz Rebels. Mesmo sendo um dos trabalhos mais claramente postos na linha de diálogo com as várias matrizes do jazz, ele se caracteriza pelas suas linhas de fuga.

Que se note, por exemplo, as formas de incorporação de técnicas vindas de seus tempos de DJ, como os loops e a construção de frases que mais lembram a lógica dos cortes próprios a sampleamentos, mas agora adequadas à acústica dos instrumentos utilizados normalmente em bandas de jazz.

Ou ainda que se note todo o sistema de passagens por entre as formas do jazz (bebop, dixieland jazz, free jazz) produzidos por esse trabalho. O resultado são músicas que aliam repetição e improviso, liberdade e restrição.

Pensado como a imagem acústica de lugares, casas noturnas e ruas da cidade de São Paulo, lugares investidos de experiência subjetiva, alguns deles já desaparecidos, São Paulo Jazz Rebels traz essa ironia de músicas sobre lugares feitas por alguém cuja experiência musical procura exatamente atravessar lugares. De fato, só poderíamos mesmo ter uma bela surpresa a cada faixa.

São Paulo Jazz Rebels já está disponível nas principais plataformas digitais:SpotifyiTunes e Deezer.

Bruno E. e o Coletivo Superjazz

Natural de Goiânia (GO), Bruno E. começou a sua carreira de produtor musical profissional nos anos 90, produzindo artistas de hip hop de São Paulo como o Pavilhão 9, Piveti e outros. Em 1998, participa do surgimento da gravadora Trama de João Marcello Bôscoli, sendo um dos diretores artísticos e o responsável pelo selo SambaLoco Records. Em 2002, muda pra Londres para trabalhar na operação internacional da Trama, produz e lança o álbum de jazz Lovely Arthur, em homenagem ao seu filho Arthur e dedicado aos seus pais e familiares.

Este álbum recebeu um excelente feedback de várias revistas internacionais, com destaque para a consagrada Straight No Chaser (Reino Unido). Neste ano de 2019, Bruno E. está lançando um novo álbum chamado “São Paulo Jazz Rebels”, com o coletivo Superjazz, um coletivo de músicos e DJs da cena do novo jazz ou “nu jazz” em São Paulo. Criado por Dudão Melo e Bruno E., o coletivo trabalha esta cena desde as primeiras festas do gênero que aconteceram no baixo Augusta, em casas como o Sarajevo e o Vegas na metade dos anos 2000. Esse novo álbum conta com participações especiais como o mestre do samba paulistano Toinho Melodia e do vibrafonista Beto Montag.

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Bruno E.

por Vladimir Safatle

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