No dia 25 de julho, data que marca o aniversário da vereadora Marielle Franco, estreia no Teatro dos Bancários a peça “Borboletas de Concreto – Vozes de Marielle”, uma produção que une teatro, rap e performance para ecoar as vozes de resistência inspiradas por sua trajetória. Com dramaturgia de Bruno Estrela e direção de Silvia Viana, o espetáculo fica em cartaz até 27 de julho, reforçando a máxima “Marielle Presente!” através da arte.
Um Legado que Transforma
Socióloga, feminista, defensora dos direitos humanos e primeira vereadora negra eleita pelo PSOL-RJ, Marielle Franco tornou-se símbolo de luta contra a violência de Estado, o racismo e a opressão de gênero. Seu assassinato, em 2018, chocou o mundo, mas sua voz permanece viva – e é justamente essa força que “Borboletas de Concreto” captura, misturando narrativa biográfica, poesia marginal e intervenções cênicas.
Mais de 100 Mulheres Negras Mobilizadas para Audições
Um dos aspectos mais marcantes da produção foi o processo de seleção do elenco, que mobilizou mais de 100 mulheres negras de todo o Brasil e até do exterior em uma audição aberta. Dessas, foram escolhidas duas protagonistas que interpretam Marielle Franco: a experiente atriz e mestra Silvia Paes, ex-professora da Dulcina e formadora de gerações de artistas, e a talentosa Mila Ellen, que divide a cena com outros dois artistas Maralto e Cristyle Cei responsáveis por mesclar rimas de rap e personagens que representam as múltiplas vozes inspiradas por Marielle.
Para Silvia Paes, que retorna aos palcos após anos afastada, mergulhar na personagem foi um desafio que exigiu afeto, mas também técnica. “É a primeira vez que dou vida a uma mulher que de fato existiu. Eu trabalho diante de duas frentes: um estudo sistemático da vida da personagem, que perpassa pela pesquisa da trajetória, e a técnica de Stanislavski, que faz com que eu me coloque no lugar dela. Penso sempre: como a Marielle reagiria?” Sua fala ecoa o compromisso do elenco em honrar não apenas a imagem, mas a essência da vereadora.
Já para Silvia Viana, a diretora, encenar essa história carrega um peso emocional contraditório. “Existe uma tristeza de ter que contar uma história assim, que foi real. Existe um misto de alegria pelo trabalho e tristeza porque eu não queria contar essa história.” A fala sintetiza o dilema de quem transforma luto em arte: a necessidade de lembrar, mesmo quando a memória dói.
Rap, Corpo e Resistência
A linguagem cênica de “Borboletas de Concreto” é tão diversa quanto a própria história que conta. Monólogos que revisitam discursos e falas marcantes de Marielle se entrelaçam com intervenções de rap, gênero que dialogava diretamente com sua militância. A cenografia e iluminação, assinadas por Cleiton do Carmo, criam uma atmosfera imersiva, enquanto os figurinos minimalistas, pensdos por Fernando Cardoso Olivier e Sílvia Mello, carregam simbolismos que reforçam a narrativa. A sonoplastia, sob responsabilidade de Fernando Meira, completa a experiência, mergulhando o público no universo pulsante da peça.
Com apoio do Teatro dos Bancários, “Borboletas de Concreto – Vozes de Marielle” se apresenta como um manifesto cênico urgente e necessário. Mais do que uma peça, é um convite para refletir sobre o Brasil que Marielle sonhava e sobre o papel de cada um de nós na construção desse futuro.
Serviço:
“Borboletas de Concreto – Vozes de Marielle”
Teatro dos Bancários: EQS 314/315 Bloco A, Asa Sul
Dias 25 e 26 às 20h
Dias 27 de julho às 18h
Classificação: 16 anos
Ingressos: A partir de R$ 15,00 na BILHETERIADIGITAL.COM
Imprensa: (61) 99663-9268
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