Ao longo dos últimos cinco anos, a Biblioteca Demonstrativa do Brasil Maria da Conceição Moreira Salles (BDB) aguardou a oportunidade de receber novamente a peça mais importante de seu acervo: o público.

Devido à pandemia do Coronavírus em 2020, entretanto, a reabertura deste espaço teve de ser, mais uma vez, adiada. Isso não quer dizer, entretanto, que o papel icônico desta instituição na agenda cultural foi perdido.

Pensando em uma programação para reaproximar o público deste centro, é lançada a BDB Cultural, uma parceria do Ministério do Turismo com a organização social Voar Arte para Infância e Juventude, selecionada em um chamamento público realizado no fim do ano passado, por meio de um termo de colaboração.

A Voar criou uma agenda diversificada de palestras, apresentações, exposições, oficinas e eventos que ocorrerão ao longo dos próximos 15 meses na Demonstrativa. Ela será responsável pela gestão e execução de uma programação variada, aberta e gratuita.

Antes da entrega definitiva do edifício aos leitores, que deve ser realizada ainda em 2021, esta agenda já se inicia de forma on-line.

Uma história de arte

“Esta biblioteca é um patrimônio do povo”, resumiu o secretário Especial da Cultura, Mário Frias, em pronunciamento feito em 2020. Um patrimônio que celebrou seus 50 anos de história em novembro passado.

A primeira grande biblioteca pública sediada em Brasília terá sua longeva trajetória celebrada já no início das atividades on-line com uma contação de histórias de Nyedja Gennari que repassa a história deste centro cultural.

“A programação pretende acolher e trocar experiências entre os atores da cultura e a comunidade de Brasília e do Brasil. Esse é o maravilhoso desafio”, explica o coordenador-geral da BDB Cultural, Marcos Linhares.

A BDB foi fundada em 20 de novembro de 1970…

O projeto que deu origem ao edifício, porém, nasceu antes, em pequenos acervos de livros pertencentes ao Serviço Nacional de Bibliotecas do Instituto Nacional do Livro.
Entrou na conta tanto a coleção do Ministério da Educação e Cultura (que só em 1969 se mudou para Brasília), como os títulos da estante de compartilhamento de livros localizada em uma galeria do Hotel Nacional, a chamada “Agência Nº1” do Serviço Nacional de Bibliotecas.

Em 1969, o Instituto Nacional do Livro assumiu a direção daquele pequeno acervo e decidiu dar-lhe um lugar de destaque na W3 Sul, a mais movimentada avenida da cidade naquele período.

O prédio da biblioteca havia pertencido ao restaurante do Grupo de Trabalho de Brasília (GTB), órgão responsável pela construção de prédios habitacionais para funcionários públicos e que estava em desuso.

Um ano depois, em 1970, os amantes da leitura no DF receberam a biblioteca.

Ocupada às pressas, porém, ela já teve que passar por sua primeira reforma dois anos depois, em 1972. Entre 1996 e 1997 foi fechada novamente para uma modernização de seu espaço.

Em 2012, em homenagem a Maria da Conceição Moreira Salles, bibliotecária que dedicou sua vida à manutenção e à expansão desse acervo, e que havia morrido naquele ano, a BDB passou a carregar o nome dela.

“Acredito que todas as bibliotecas públicas deveriam ser agentes de inclusão social”, dizia Maria da Conceição Moreira Salles.

A longa reforma da BDB

Em 6 de maio de 2014, o prédio foi interditado pela Defesa Civil. O órgão detectou problemas no sistema elétrico, além do risco de desabamento da marquise.

As reformas deveriam ser pontuais e chegaram a ser contratadas pela Fundação Biblioteca Nacional, que então geria o espaço. A obra deveria durar até janeiro de 2015.

A comunidade de leitores e de servidores da BDB, porém, aproveitou a oportunidade para pedir por uma renovação completa do espaço e uma adequação da biblioteca ao projeto de um espaço de leitura do século XXI.

Em agosto de 2014, a Demonstrativa passou a ser uma responsabilidade direta do Ministério da Cultura, hoje Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.
Naquele Ministério, quando da conclusão das obras contratadas para atender à Defesa Civil, foi percebida a necessidade de uma imprescindível adequação do prédio à sua missão de biblioteca.

Assim que em 27 de junho de 2018, ainda no Ministério da Cultura, foi iniciado o projeto de modernização e adequação do espaço à uma visão mais contemporânea do conceito de biblioteca, incluindo o cumprimento de normas de acessibilidade.

Em agosto de 2020, agora já no Ministério do Turismo, as obras do projeto de modernização do prédio foram concluídas.

Um novo futuro

A modernização da estrutura, ao custo aproximado de R$ 1,76 milhão, ampliou a área de acesso ao público de 1.300 m² para 1.550 m², o que permitiu uma nova distribuição dos espaços, com a instalação de um auditório e um espaço gourmet, por exemplo.

Também foram construídas passagens ligando o edifício principal à área anexa, distribuindo melhor o acervo. Outra novidade do projeto é o uso de telhas termoacústicas, que reduzem o barulho externo e o uso de ar condicionado.

Algumas tradições, porém, se mantém. Os painéis de mosaicos com trechos de poemas de autores da cidade que davam vida às paredes laterais externas no prédio antigo, por exemplo, estão guardados e serão reinstalados nos próximos meses.

Com as obras ainda em reta final, foi publicado um edital para seleção de uma organização social para auxiliar na gestão do equipamento cultural. A instituição Voar Arte para Infância e Juventude foi a escolhida.

Nascia dessa colaboração a BDB Cultural.

Ao longo dos próximos 15 meses, a BDB Cultural vai gerir a programação da instituição conectando público e biblioteca, acolhendo seus primeiros visitantes remotamente e muito em breve de forma presencial.

A meta da colaboração é clara. Em 2010, uma enquete de satisfação realizada com 92 usuários da BDB retornou que metade deles considerava o espaço com uma nota 5, a máxima do questionário, e 36% lhe deram nota 4. Nenhum deu a nota 1, o mínimo do estudo. O questionário foi feito por Marilia Augusta de Freitas como parte de sua dissertação de mestrado na UnB. É a este patamar de satisfação e atenção ao leitor que a BDB Cultural quer voltar.

“Sabemos da importância da literatura e da renovação dessa comunicação com os jovens. Um povo que não celebra a sua história dificilmente vai encontrar um caminho para um futuro”, observou o secretário Especial da Cultura, Mário Frias, no dia da assinatura do edital de chamamento público que gerou a BDB Cultural.
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