O clipe do primeiro single de Bethi Albano, “Rabo de Foguete”, acaba de chegar ao YouTube. Acompanhando a sensibilidade da música, o vídeo em clima de cinema sugere viagens e caminhos a cada verso e recorte. Editado e dirigido por Bela Carpena, o clipe traz cenas de Bethi em diversas locações na cidade mineira de Cordisburgo, terra de João Guimarães Rosa, mais imagens registradas pelos quatro cantos do mundo por Rita Albano.

Com uma vida inteira dedicada à música, arte e educação, Bethi Albano lançou na última terça-feira, 28 de Julho, seu primeiro álbum solo, intitulado “Embrulha pra Presente”. As canções compostas nas últimas décadas incluem baladas, sambas, valsas, baião e jazz. A gestação foi longa e repleta de muitos projetos paralelos. Parece que foi preciso viver muitas estórias, experiências, acumulando saberes, escolhas, intuições, para chegar às nove faixas deste trabalho.

No repertório da estreia em disco dessa artista de 66 anos há um leque de ritmos e levadas, vestidos com figurinos distintos: ora viola caipira, ora quarteto de cordas, às vezes um maior destaque para o violão ou mesmo um super arranjo para banda. São músicas que falam da condição e sensibilidade feminina, sabedoria, afetos, amores, desejos, enfim, um mundo de pequenos recortes de vida.

O álbum, que foi gravado nos estúdios Mirada e Cria Som, teve produção e direção musical de Eduardo Andrade. Mulher violeira, mulher voadeira, corda encantada, canto que inspira e toca o coração. Bethi Albano é cancioneira, e traz parceria com outras mulheres criadoras e inspiradoras: Suely Mesquita, Mathilda Kóvak e Marcia Zanelatto. São temas da vida, da natureza e também críticas ao machismo estrutural, com pitadas de humor e ironia. “Meu álbum escolheu esse momento de recolhimento, de reconstrução humana. Meu desejo é criar pontes com todas as pessoas que ouvirem esse trabalho, possibilitando uma reflexão bem profunda acerca de nossa presença aqui e agora. É um momento único de transição, de alinhamento. Espero que minha música toque vocês!”, convida Bethi.

“Rabo de Foguete”, o primeiro single, representa bem o “roça’n’roll”, gênero batizado pela compositora e escritora Mathilda Kóvak e consagrado no tempo da parceria de Bethi com Luhli, autora de “O Vira”, dos Secos e Molhados, com quem a carioca gravou o CD “Todo Céu pra Voar”, em 2002.

O álbum “Embrulha pra Presente” contou com a participação de 27 músicos. E, nele, a artista desembrulha para o público suas nove faixas: “Nave Maria”, “Taioba de Enfeite”, “Jogo”, “Bala de Rima”, “Suavidade”, “Clark Kent Bruce Wayne”, “Enfim Sou”, a faixa-título e o já citado single “Rabo de Foguete”. O trabalho foi gerado através do financiamento coletivo Benfeitoria e lançado pelo selo Porangareté Discos.

POR BETHI ALBANO

NAVE MARIA (Bethi Albano e Mathilda Kóvak) – Um blues sobre o feminino, a espiritualidade e a opressão que a mulher sofre vida afora. Mathilda fez uma letra genial e eu quis valorizar cada ideia na melodia. Começo cantando acompanhada pelo piano sublime do Claudinho Andrade, músico de Gilberto Gil. Ele me leva pra outra esfera, faz lembrar momentos no Ceat [Centro Educacional Anísio Teixeira, em Santa Teresa, Rio], quando ele era meu aluno de Música. A gente preferia ficar na minha sala durante os recreios, ele tocando piano e eu cantando. Depois, os instrumentos vão entrando aos poucos. Ela começou a ser gravada no estúdio do Julio Dain, que fez um belo arranjo, depois aproveitado por Eduardo Andrade. É uma das minhas faixas preferidas.

TAIOBA DE ENFEITE (Bethi Albano) – Uma homenagem à Natureza. “Taioba de enfeite, coração de esperança / Segundo escorre pela folha que orvalhou num instante.” Criei uma florestinha em minha casa e as plantinhas e flores que enfeitam a capa do álbum vieram dela. A canção fala também do tempo e minha relação com ele, assim como minha percepção do caos espalhado pelo mundo. Compus em 2003, mas ela é totalmente atual. O arranjo surpreendente do Eduardo Andrade potencializou muito essa faixa, que tem uma onda épica, um movimento de calma e euforia, de grande emoção, sobretudo em relação à rabeca do querido Beto Lemos e à viola caipira do Bruno Reis.

JOGO (Bethi Albano e Suely Mesquita) – Um baião que filosofa sobre a vida e a morte. “Vem da frente, vem dos fundos, vem da gente, vem do mundo, vem de perto, vem de longe, vem pra sempre / E vai embora.” Essa canção faz parte do repertório do Filhas da Mãe, banda que criei com minhas filhas Clarice e Rita, que dividem a voz comigo. O arranjo é alegre e cheio de surpresas como no delicioso diálogo da rabeca do Beto Lemos e do acordeom do Kiko Horta. É a faixa com maior número de músicos.

BALA DE RIMA (Bethi Albano e Suely Mesquita) – Uma bossa cheia de ironia, que propõe uma outra forma de lidar com a agressividade. Fala também da forma deselegante como alguns homens se dirigem às mulheres. “A bala de rima fura parede, mata mosquito, faz estrago e tudo como fosse de verdade / Cala a boca de muito valentão, que só aprende na má vontade.” Quero compartilhar a alegria de ter Gabriel Geszti, outro querido ex-aluno do Ceat, tocando piano e rhodes e Leandro Floresta, um grande amigo, frequentador assíduo do sarau de compositores que há 10 anos organizo em minha casa, tocando lindamente a flauta transversa.

SUAVIDADE (Bethi Albano e Marcia Zanelatto) – A letra dessa canção foi escrita num cartão de aniversário que a querida amiga Marcia Zanelatto me deu e dias depois virou nossa primeira parceria. “Suavidade, sua vida, sua idade / Não tem tempo, não tem metade.” É uma valsa delicada e cheia de surpresas no bonito arranjo de Eduardo Andrade. Gosto especialmente do encontro de sonoridades do inspirado acordeom de Kiko Horta e o cello de Gretel Paganini.

CLARK KENT, BRUCE WAYNE (Bethi Albano e Suely Mesquita) – Uma reflexão sobre a alma feminina numa levada de jazz bem serena. “Ando livre cheia de surpresa / Ando presa numa teia fina.” A inspirada e inesperada letra da querida parceira e amiga me levou a criar uma melodia muito elaborada, com harmonia requintada e os músicos capricharam na performance. O piano do Claudinho Andrade dialogando com a suavidade do clarinete de Joana Queiroz me levam pra outra esfera, embalada pelo baixo acústico do talentoso Sidão Santos e o suingue da bateria do querido Mauricio Chiari.

ENFIM SOU (Bethi Albano e Mathilda Kóvak) – Um blues rasgado e bem humorado, com letra provocante sobre casamento, solidão e liberdade. “Enfim sou, enfim sós, enfim nós, eu e mim.” Mais um ex-aluno do Ceat vem alegrar meu coração, nesse caso Jonas Hocherman no trombone. Aqui Eduardo Andrade também toca violão e faz a programação.

EMBRULHA PRA PRESENTE (Bethi Albano e Suely Mesquita) – Uma história de amor sincero em um rock dançante e alegre. “E de manhã a gente sai pra comprar pão e manda embrulhar pra presente, de manhã.” Não é à toa que a faixa batizou o CD! Com esse arranjo feliz de Eduardo Andrade, que também toca violão de aço, ninguém vai ficar parado, tamanho suingue que Sidão Santos imprime no baixo elétrico, somado ao piano, clavinet e órgão de Gabriel Geszti, a guitarra de Victor Ribeiro, as percussões de André Siqueira e os vocais surpreendentes de Natasha Llerena, Tadeu Mathias, Clarice Albano e Rita Albano.

RABO DE FOGUETE (Bethi Albano e Suely Mesquita) – Baião suingado que propõe uma viagem por muitos lugares e, profundamente, pra dentro de si mesmo, numa perspectiva de encontro com o outro. Eduardo Andrade se superou e criou um arranjo muito bonito com o acordeom do Kiko Horta dialogando com a viola caipira de Bruno Reis, a firmeza do baixo acústico de Sidão Santos, o cello de Felipe Massumi e as percussões de André Siqueira e o querido Matias Zibecchi. Com esse time de ouro divido as vozes com minhas filhas em mais uma canção do repertório de Filhas da Mãe.

SOBRE A WEB SÉRIE “VIOLA ENCANTADA”

Antes de lançar o novo trabalho, Bethi Albano preparou o terreno trazendo à tona as histórias e vivências de sua vida profissional, em uma rica web série de seis capítulos, disponível em seus perfis de rede social. Nos vídeos, Bethi mostra as facetas de compositora, instrumentista, arte-educadora, produtora e mãe, e relembra suas músicas e parcerias nestes 37 anos de carreira musical e 50 dedicados à educação. Produzida por Bethi, a web série teve Direção e Roteiro de Bella Duvivier Souza, Direção de Arte de Bela Carpena e Bella Duvivier e Fotografia de Rita Albano.

Confira no IG TV da artista: https://www.instagram.com/p/CBZDUH-A1TU/ 

UM POUCO MAIS SOBRE BETHI ALBANO:

A música sempre esteve presente na vida de Bethi Albano, que foi criada numa família de mulheres pianistas. Aos 12 anos, começou a se dedicar ao violão e, aos 16, tornou-se professora do instrumento, com formação clássica e popular. Atualmente, dá aula na Pós-graduação da Escola de Dança Angel Vianna. É ex-professora da Universidade Estácio de Sá, do Centro Educacional Anísio Teixeira – Ceat, da Ong Revivarte e do grupo de teatro Moitará. É licenciada em Educação Artística pela UNI RIO e fez Pós-graduação em Arte Terapia na Universidade Cândido Mendes.

A cantora, compositora e instrumentista foi integrante de diversos grupos, como Rio Maracatu, Batucantá, As Três Marias, Nave Maria e Divino Emaranhado. Com suas filhas Clarice Albano e Rita Albano, criou o Filhas da Mãe. É parceira de nomes como Ceumar, Luhli, Suely Mesquita, Mathilda Kóvak, Marcia Zanelatto, Joana Lyra e Daniel Fernandes. Já realizou shows na Europa e todo Brasil.

Com Lulhi, gravou o CD “Todo céu pra voar”, criando um espetáculo de música e dança para seu lançamento. Com a violonista chilena Tita Avendaño, criou o show Nave Maria. Em 2015, fez turnês do show Lusco-fusco em Montreal e Nova York. Em 2017, retornou às cidades ao lado de Liz Eliodoraz com o show Entrelaços.

REDES SOCIAIS:

Instagram – @bethialbano – https://www.instagram.com/bethialbano/
Facebook – /BethiAlbano – https://www.facebook.com/bethialbanoviola/
Youtube – Bethi Albano – https://www.youtube.com/user/Bethiable/about
SoundCloudhttps://soundcloud.com/bethi-albano

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