Autópsia do grupo Sutil Ato


Dividida em dois atos em horários diferentes, a celebrada montagem brasiliense apresenta textos de Plínio Marcos de 13 a 15 de maio

A CAIXA Cultural Brasília será palco, de 13 e 15 de maio, da peça Autópsia do grupo teatral Sutil Ato que, em 2016, comemora 10 anos de atividade. Dividida em dois atos, que serão apresentados em horários diferentes no mesmo dia, a montagem reúne cinco textos emblemáticos de Plínio Marcos, um dos maiores e mais importantes nomes da dramaturgia nacional. No sábado, dia 14, o filho de Plínio, Kiko Barros, participará de um bate-papo sobre a obra do autor. Os ingressos para o espetáculo, a R$ 20 e R$ 10 (meia), começam a ser vendidos no sábado (7).

A montagem recria o universo marginal, esmiuçado pelo autor maldito em sua obra. No primeiro ato estão os textos Navalha na carne; Querô, uma reportagem maldita; e Quando as máquinas param. Dois perdidos numa noite suja e Abajur lilás encerram a montagem, no segundo ato.

Com encenação e direção assinadas por Jonathan Andrade, a peça traz atores entregues ao universo crítico e ácido do dramaturgo, em cenas de violência extremada e nudez. Os temas incluem prostituição, morte e abuso e o título do espetáculo indica o desejo do diretor em dissecar os aspectos mais viscerais e brutais do comportamento humano, dentro da obra de Plínio.

As personagens desoladoras, a existência de seres humanos que lutam por sobrevivência e as complexidades de vidas comuns resultam em um trabalho sobre temas como solidão, amor, esperança, sonhos, memórias, opressão, violência e liberdade. Despidas de pudor e moralidade e entrelaçadas em relações de poder, abuso e opressão, as personagens ganham ainda mais potência cênica na diversidade de idades e experiências do elenco.

A música, executada ao vivo, e a cenografia, feita a partir de resíduos domésticos e urbanos, auxiliam no diálogo com temáticas atuais e aspectos de centros urbanos e suas problemáticas, noticiadas a todo instante pela imprensa. No dia 14 de maio, das 16h às 18h, atores, estudantes de teatro, artistas e demais interessados na vida e obra do dramaturgo Plínio Marcos poderão participar gratuitamente do bate-papo Conversas sobre Plínio Marcos, com Kiko Barros, na sala multimídia da CAIXA Cultural Brasília.

O Grupo Sutil Ato surgiu em 2002, no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília. A direção dos espetáculos passava tanto pelo frescor do trabalho de Jonathan Andrade e Catarina Melo, quanto pela experiência de diretores como Hugo Rodas. A partir de 2006, o Sutil Ato se consolidou como trabalho de grupo, passando pela experiência da profissionalização e da atuação de forma independente. Desde então se somam cinco espetáculos montados e prêmios e editais nacionais, com circulação de trabalhos em diversos eventos brasileiros.

Os textos

Autópsia I: Quando as máquinas param – O cotidiano de um casal jovem, abalado pelo desemprego e desesperança, que tem a relação colocada em cheque com a chegada inesperada de um filho; Navalha na carne – O que está à espera de uma prostituta velha ao final de uma noite de trabalho? A trama e o conflito se desencadeiam quando, ao chegar em casa, ela se depara com seu gigolô exigindo grana. Dinheiro que ela teria que deixar para ele. Quem teria roubado? A prostituta Neusa, entre solidão e desamparo, desabafa: “Será que a gente é gente? Será que eu, você, todo mundo que tá aqui é gente?”; e Querô: uma reportagem maldita – No seu leito de morte, Querô, um garoto de rua que carrega o fardo do suicídio por ingestão de querosene de sua mãe em seu apelido, fala sobre sua vida despertando todos os fantasmas que sempre o perseguiram: miséria, violência, solidão, descaso, desesperança.

Autópsia II: Dois perdidos numa noite suja – O convívio entre dois homens em situação de precariedade. O que são capazes de fazer para conquistarem seus desejos? O que um tem, que desperta interesse no outro? O que as diferenças entre eles custam aos dois? Apenas um sobreviverá; e O abajur lilás – Uma cafetina, seu comparsa e três prostitutas. Um pequeno quarto, onde recebem seus clientes e dormem, é o espaço para constantes disputas entre opressores e oprimidos. Cacos de um abajur, no chão, são o estopim para uma violenta discussão sobre alguém ter que pagar com a vida.

Plínio Marcos renovou os padrões dramatúrgicos brasileiros, levando para os palcos, em plena ditadura militar, um realismo duro e cruel, feito de diálogos e situações vividas pela população pobre e favelada, de um Brasil cheio de contrastes econômicos, éticos e sociais. Visceral, mórbido e contundente, Plínio teve toda sua obra proibida e passou a se auto proclamar “O autor maldito”. O dramaturgo teve artistas como Tônia Carrero e Sérgio Mamberti como amigos e intérpretes de seus textos.

Mais informações em: pliniomarcos.com ou facebook.com/facePlinioMarcos

Serviço

Espetáculo Autópsia I e II – de Jonathan Andrade (Grupo SUTIL ATO)
Local: Teatro da CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 – lt 3/4)
Dias: de 13 a 15 de maio de 2016
Horários: sexta e sábado, às 19h, Autópsia I, e às 21h30, Autópsia II.
domingo, às 18h, Autópsia I, e às 20h30, Autópsia II.
Duração: Autópsia I – 1 hora e 50 minutos.
Autópsia II – 1 hora e 30 minutos.
Ingressos: R$ 20 e 10 (meia) | começam a ser vendidos no sábado (07)
Meia-entrada: estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA, pessoas acima de 60 anos e doadore s de 1 quilo de alimento não perecível
Bilheteria: de terça a sexta e domingo, das 13h às 21h; e sábado, das 9h às 21h | Informações: 3206-6456
Capacidade: 406 lugares (8 para cadeirantes) | Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais
Classificação indicativa: 18 anos.

Ficha técnica

Direção: Jonathan Andrade
Produção geral: Grupo SUTIL ATO e Carvalhedo Produções
Direção de produção: Tatiana Carvalhedo
Sonoplastia: Cesar Lignelli
Cenografia e figurino: Jonathan Andrade
Cenotécnico: Marno Matte
Iluminação: Dalton Camargo e Moises Vasconcellos
Operação de luz: Paulo Bittencourt
Acompanhamento vocal (Fonoaudióloga): Dianete Ângela
Preparação musical: Gislene Macedo
Elenco: Iza Faria, Jeferson Alves, Maria Eugênia Félix, Mário Luz, Pedro Ribeiro, Regina Sant’Ana, Ricardo Brunswick.
Músicos: Junai Gonzaga
Fotógrafos: Diego Bresani, Roberto Ávila, Sartoryl, Thiago Sabino e Layza Vasconcelos

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