Em entrevista exclusiva, que é destaque na edição paulistana da revista, o cineasta fala sobre indicação de seu filme, “A Vida Invisível”, para uma vaga no Oscar: “Não esperava”

Do interior de Tocantins para o mundo, a dupla Anavitória estampa a capa carioca da revista, falando sobre intensa agenda de shows e turnê pela América Latina no ano que vem

Já está em distribuição nas áreas de embarque e desembarque dos aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ), a edição de outubro da Revista 29HORAS, com matérias exclusivas para quem deseja um passatempo interessante e útil durante o tempo de espera ou para leitura durante os voos.

Na capa paulistana, o destaque é uma entrevista com o cineasta Karim Aïnouz, diretor do longa “A Vida Invisível”, selecionado para concorrer à vaga brasileira no prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar. Ana Caetano e Vitória Falcão, da dupla Anavitória, estampam a capa carioca e mostram que, mesmo sendo de uma pacata cidade no interior de Tocantins, estão preparadas para ganhar o mundo. Veja mais detalhes abaixo.

Karim Aïnouz

Edição paulistana – Karim Aïnouz

Aos 53 anos e consagrado como um dos grandes nomes do cinema nacional, Karim Aïnouz é um exímio contador de histórias. Seu mais recente trabalho, o longa “A Vida Invisível”, foi selecionado para representar no Brasil no Oscar 2020, concorrendo à categoria de Melhor Filme Estrangeiro. A obra está com estreia marcada para o dia 31 de outubro e sua indicação ao maior festival de cinema do mundo é motivo de surpresa. “Não esperava. É uma responsabilidade gigante e uma alegria ainda maior”, conta.

O filme é inspirado no livro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha, e chegou até Aïnouz por meio de uma indicação de Rodrigo Teixeira em 2015, quando este lhe presenteou com a obra manuscrita. “Eu fiquei encantado com os personagens e com a trama e decidi adaptar a história”, lembra.

Na época, Karim passava por momentos difíceis envolvendo a perda de sua mãe, definida por ele como uma mulher guerreira, e por isso teve a certeza de que queria recriar a história de Martha Batalha, mostrando mulheres fortes e cheias de sonhos da primeira metade do século XX, mas silenciadas e controladas por uma sociedade machista.

Com Carol Duarte e Julia Stockler como protagonistas, além de Fernanda Montenegro e Gregório Duvivier no casting, o cineasta conta que a seleção de atores contribui em 90% para a construção impecável de um filme. Ele fez dois mil testes até definir a escolha do elenco, usando uma estratégia deveras peculiar: pedia para que os atores se filmassem descascando batatas. “Se você consegue ver alguém descascando batata durante três minutos é porque a pessoa tem um borogodó, né?!”, diz, rindo.

Além disso, o cineasta faz algumas exigências no set para que houvesse foco total nas gravações. “Peço para não usarem celular. Você vai fazer uma cena em que tem que chorar e fica antes enviando mensagens sobre o ovo que tem que comprar?”, indaga. E conta que esse empenho é cobrado de toda a equipe, não somente dos atores. “A gente monta tenda na rua, põe comida, o caminhão vai de uma locação a outra, leva luz… O envolvimento é intenso e precisa acontecer para ficar bom. Não dá para fazer um filme sem perder um dedo ou quebrar um nariz. Filmar é uma pequena guerra”.

Repleto de projetos para o futuro, que envolvem viagens, filmagens no Japão e dirigir uma peça de teatro no Brasil, Aïnouz expressa também o desejo de trabalhar na divulgação de “A Vida Invisível”, para alcançar um número abundante de telespectadores. “Confesso que a situação no Brasil me deixou bastante aflito.

Nas últimas eleições eu pensei: quem são esses milhões de pessoas que votaram no presidente que a gente tem aqui? Que cinema é esse que a gente vem fazendo? E fiquei com vontade de falar para esse público. Sinto que essas pessoas estão desamparadas. Acho importante olhar para elas, não as ignorar. E esse é um melodrama para os nossos tempos. Um filme que dá visibilidade a mulheres invisíveis, mostra a força das mulheres. Tudo a ver com o momento atual, no Brasil e no mundo”, finaliza.

Ana Caetano e Vitória Falcão
Ana Caetano e Vitória Falcão

Edição carioca – Anavitória

Quando moravam em Araguaína, no interior do Tocantins, Ana Caetano e Vitória Falcão não imaginavam que a dupla Anavitória faria tanto sucesso a ponto de ultrapassar as fronteiras do Brasil. Em agosto, durante a turnê “O Tempo É Agora”, elas se apresentaram em Portugal e encerram o circuito em São Paulo, no dia 12 de outubro. O álbum, inclusive, acaba de ser indicado ao Grammy Latino deste ano na categoria Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

“Agora tudo é gigante”, repara Ana Caetano. Com a mesma idade – ambas têm 24 anos –, elas enfrentam agora uma rotina super agitada após a mudança para a capital paulista, décima maior cidade do mundo. “Ser de Tocantins, do interior de um estado esquecido, nos torna empáticas com as diferentes realidades que existem no Brasil”, diz Vitória Falcão.

Antes da fama, Ana Caetano cursava Medicina e Vitória Falcão apostava no Direito. No entanto, a chegada dos vinte anos trouxe questionamentos sobre o futuro e se suas veias artísticas seriam deixadas de lado. As amigas, então, trancaram os cursos universitários, tranquilizaram as famílias e foram experimentar a vida na cidade grande.

“Foi a melhor mudança das nossas vidas, mas ainda é louco pensar que deu certo”, conta Vitória. Em 2017, já no auge do sucesso, a dupla voltou para Araguaína e realizou um show em uma praça pública, que teve como resultado uma apresentação lotada e uma cidade mobilizada para recebe-las como estrelas. Esse episódio está registrado no documentário “Anavitória: Araguaína – Las Vegas”, disponível na Netflix.

Sobre desejos para o futuro, Ana deixa bem claro o seu contentamento com o presente: “Sempre nos perguntam sobre sonhos e planos futuros, mas para mim já está tão bom assim… Queremos seguir fazendo música, a ansiedade surge quando acaba uma turnê, mas no final somos só nós, cantando”. Desde o início de 2018, elas estão mergulhadas em diversos projetos, que envolvem um EP com músicas em parceria com Saulo Fernandes; uma miniturnê com o cantor Nando Reis; a estreia do longa-metragem “Ana e Vitória”, que retrata a história de como a dupla se formou; e o lançamento do álbum “O Tempo é Agora”. “A gente faz música. Às vezes despertam outros projetos em torno dela, mas o foco é sempre cantar, no final das contas”, diz Ana.

Clicando no hiperlink Revista 29HORAS é possível conferir a íntegra das edições de São Paulo e Rio de Janeiro.

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